Jornal do Brasil

Segunda-feira, 28 de Julho de 2014

Esportes

Às vésperas da Copa, Brasil enfrenta pressões externas 

Da convulsão de Ronaldo às acusações a Felipão, as histórias por trás da competição esportiva

Jornal do Brasil

Que o Brasil vem enfrentando pressões externas às vésperas da Copa do Mundo, o povo brasileiro já sabe. De maneira pouco polida, a Fifa vem fazendo declarações que colocam o país em uma posição ainda mais difícil de administrar. A Federação, não satisfeita, ainda comenta sobre as causas políticas e sociais do país, sem ter conhecimento profundo. Há 25 dias do começo do Mundial, o técnico da seleção brasileira também não está em um momento tranqüilo. Luiz Felipe Scolari responde a um processo na justiça portuguesa e, se condenado, pode pegar até 17 anos de prisão. Este não é um quadro isolado ou inédito na história do país no Mundial.

Joseph Blatter, o presidente da FIFA - uma entidade mergulhada em denúncias de corrupção – já fez uma série de declarações ridicularizando o país que irá receber a Copa de 2014. Na última quinta-feira (15), em entrevista à RTS, da Suíça, Blatter criticou a política brasileira dizendo que "Lula, quando era presidente, prometeu a melhoria do país. Mas, para isso, é preciso a vontade de todos, a vontade do povo para trabalhar”. Não foi a primeira vez que Blatter fez declarações sobre um assunto que, notoriamente, desconhece, mas insiste em opinar.

Em janeiro desse ano, o presidente da FIFA criticou o Brasil em entrevista ao 24 Heures, da Suíça. Na ocasião, Blatter mostrou seu pouco conhecimento sobre as questões sociais do país. “Eu sou um otimista, não um covarde. Então, eu não tenho medo. Mas sabemos que haverá novas manifestações, protestos. Os mais recentes, na Copa das Confederações, no mesmo país, nasceram das redes sociais. Não havia nenhum objetivo, reivindicações reais, mas, durante a Copa do Mundo, haverá mais concretas, mais estruturadas. Mas o futebol estará protegido, eu acho que os brasileiros não atacarão diretamente o futebol. No país deles, é uma religião”, disse.

Deixando um pouco as reflexões do cartola de lado, outra preocupação do Brasil às vésperas da Copa é a situação do técnico Luiz Felipe Scolari com a justiça. No último dia 13 de maio, a publicação holandesa Het Financieele Dagblad, anunciou que Felipão estaria sendo investigado pela justiça por supostamente não ter declarado mais de 7 milhões de euros (cerca de R$ 21,2 milhões) no período de 2003 a 2008. Na época, Scolari comandava a seleção portuguesa. Ainda segundo a publicação, o dinheiro seria referente aos pagamentos de concessão de direito de imagem e teria sido depositado em uma conta em Miami. As informações são baseadas em um documento do Departamento de Investigação e Ação Penal de Portugal (Diap). Questionado, o técnico negou qualquer ato criminoso. A assessoria de imprensa de Felipão divulgou uma declaração em que o técnico se defende dizendo: "Fiz todas as minhas declarações de renda corretamente. Em todos os países em que trabalhei, sempre declarei meus rendimentos. Se há algo errado, não é comigo. Que a Justiça apure todos os fatos". Já o Diap se recusou a comentar o caso alegando que as investigações correm em segredo de justiça.

Essa não é a primeira vez que o Brasil sofre com as pressões em meio à Copa do Mundo. Um dos momentos mais marcantes para os brasileiros no futebol, a derrota na Copa da França, em 1998, é também lembrado por uma grande polêmica.  O principal jogador da Seleção Brasileira na época, Ronaldo Fenômeno, teve uma crise convulsiva na noite anterior à final. Em entrevista ao canal Mediaset, da Itália, o médico italiano Bruno Carù, referência mundial na medicina esportiva, disse que Ronaldo estava assistindo Fórmula 1 em seu quarto e, sem perceber, inclinou sua cabeça até comprimir a carótida. Assim, teve uma queda brusca de sua frequência cardíaca e de sua pressão e desmaiou em meio a convulsões. Ainda de acordo com o médico, o eletrocardiograma feito no hospital mostrava que Ronaldo, depois que superou a crise, tinha uma frequência cardíaca de 18 pulsações por minuto, ou seja, no momento do problema, quase não existia atividade no coração. Carù afirmou ainda que Ronaldo tomou remédios contra epilepsia, o que aumentou os riscos.

Apesar do grave problema, Ronaldo foi escalado para a final da Copa, menos de 24 horas após a convulsão. Em campo, o jogador nem de longe lembrava o Fenômeno que sempre foi em campo. O resultado foi um placar de 3 a 0 para a França e o adeus ao título, que ficou com a seleção da casa. O futebol deixou de ser um esporte para se tornar um grande negócio. Os médicos da Seleção Brasileira, que eram responsáveis por zelar pela saúde de seu jogador, autorizaram que Ronaldo entrasse em campo, mesmo que isso colocasse sua saúde em risco. 

Segundo o neurocirurgião Rodrigo Tragante, o ideal seria que o jogador tivesse cumprido 24 horas de repouso. "Uma pessoa que nunca teve uma crise epiléptica, que é jovem e saudável, ainda assim precisa investigar as causas do problema. Se ele realiza um exame de imagem e não existe nenhum indício da causa do problema, o recomendado é que o paciente faça um repouso de 24 horas para evitar uma nova crise. Ele não deve fazer esforço físico. O grande risco de uma crise epiléptica não é a crise em si, mas sim a sua causa. A crise sozinha não leva à morte, mas é importante saber o que está por trás. Então, quando não se encontra a causa do problema, a prudência diz que o paciente deve repousar por 24 horas", avalia Tragante.

Tags: blatter, copa do mundo, crise, dilma, Fifa, luiz felipe scolari

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