Jornal do Brasil

Sábado, 20 de Setembro de 2014

Esportes

Portuguesa diz ao STJD que saiu de campo por medo de prisão

Portal Terra

Em depoimento ao Superior Tribunal de Justiça Desportiva, o presidente da Portuguesa, Idílio Lico, disse que decidiu tirar o time de campo durante o jogo contra o Joinville pela Série B por medo de desobedecer a decisão da Justiça.

Lico, ouvido na condição de prova, contou que estava na casa do filho quando foi avisado da liminar. Sem saber como reagir, conversou com o conselheiro do time, Fernando Guimarães, que disse que ele poderia até ser preso caso descumprisse a decisão, o que teria deixado ele e a família em pânico.

“Disseram que eu poderia ser penalizado, até preso, foi um terror”, afirmou o presidente, que rogou ao tribunal que não puna o time nem o treinador Arge Fucks. “Se alguém tiver que ser penalizado sou eu, não o Argel, que é um profissional, nem meu filho, nem a Portuguesa. Se tiver que entregar o cargo, eu entrego, mas não punam a Portuguesa”, afirmou.

Lico disse ainda que imaginava que a liminar já havia sido derrubada e por isso autorizou a viagem a Santa Catarina. Ele se descreveu como uma pessoa simples, que não entende muito de legislação, e disse que se viu impelido a tomar a decisão de deixar o campo sem consultar o jurídico por ser feriado e não ter conseguido entrar em contato com outras pessoas do time.

O julgamento pode resultar na exclusão do clube da competição e automático rebaixamento à Série C. As penalidades ao time rubro-verde estão baseadas no artigo 205 do Código Brasileiro de Justiça Desportiva, que se refere a abandono. E, também, no artigo 69 da Fifa, o qual indica rebaixamento a quem manipular, de qualquer maneira, o resultado de uma partida.

Além da Portuguesa, o técnico Argel, que segundo a procuradoria agiu contra a ética desportiva, também pode ser enquadrado no artigo 243-A. Lico e o filho Marcos Lico foram denunciados pelo mesmo motivo. Marcos ainda terá que responder ao artigo 258-B, por ter invadido a área específica para o trio de arbitragem. Os três poderão ser suspensos.

Aos 17min do primeiro tempo, os jogadores da Portuguesa abandonaram o campo de jogo. A direção do clube paulista alega que uma liminar concedida a um torcedor na Justiça de São Paulo impedia que a equipe disputasse a partida.

No entanto, o Superior Tribunal de Justiça (STJ), indica a 2ª Vara Cível do Rio como única instância capaz de cuidar da decisão sobre a queda da Portuguesa na Série A de 2013. O clube também terá de responder pela perda do valor dos ingressos da partida contra o Joinville, já que o dinheiro teve de ser devolvido.

Tags: direção, lusa, rebaixamento, suspensão, técnico

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