Jornal do Brasil

Sexta-feira, 24 de Outubro de 2014

Esportes

Portuguesa diz ao STJD que saiu de campo por medo de prisão

Portal Terra

Em depoimento ao Superior Tribunal de Justiça Desportiva, o presidente da Portuguesa, Idílio Lico, disse que decidiu tirar o time de campo durante o jogo contra o Joinville pela Série B por medo de desobedecer a decisão da Justiça.

Lico, ouvido na condição de prova, contou que estava na casa do filho quando foi avisado da liminar. Sem saber como reagir, conversou com o conselheiro do time, Fernando Guimarães, que disse que ele poderia até ser preso caso descumprisse a decisão, o que teria deixado ele e a família em pânico.

“Disseram que eu poderia ser penalizado, até preso, foi um terror”, afirmou o presidente, que rogou ao tribunal que não puna o time nem o treinador Arge Fucks. “Se alguém tiver que ser penalizado sou eu, não o Argel, que é um profissional, nem meu filho, nem a Portuguesa. Se tiver que entregar o cargo, eu entrego, mas não punam a Portuguesa”, afirmou.

Lico disse ainda que imaginava que a liminar já havia sido derrubada e por isso autorizou a viagem a Santa Catarina. Ele se descreveu como uma pessoa simples, que não entende muito de legislação, e disse que se viu impelido a tomar a decisão de deixar o campo sem consultar o jurídico por ser feriado e não ter conseguido entrar em contato com outras pessoas do time.

O julgamento pode resultar na exclusão do clube da competição e automático rebaixamento à Série C. As penalidades ao time rubro-verde estão baseadas no artigo 205 do Código Brasileiro de Justiça Desportiva, que se refere a abandono. E, também, no artigo 69 da Fifa, o qual indica rebaixamento a quem manipular, de qualquer maneira, o resultado de uma partida.

Além da Portuguesa, o técnico Argel, que segundo a procuradoria agiu contra a ética desportiva, também pode ser enquadrado no artigo 243-A. Lico e o filho Marcos Lico foram denunciados pelo mesmo motivo. Marcos ainda terá que responder ao artigo 258-B, por ter invadido a área específica para o trio de arbitragem. Os três poderão ser suspensos.

Aos 17min do primeiro tempo, os jogadores da Portuguesa abandonaram o campo de jogo. A direção do clube paulista alega que uma liminar concedida a um torcedor na Justiça de São Paulo impedia que a equipe disputasse a partida.

No entanto, o Superior Tribunal de Justiça (STJ), indica a 2ª Vara Cível do Rio como única instância capaz de cuidar da decisão sobre a queda da Portuguesa na Série A de 2013. O clube também terá de responder pela perda do valor dos ingressos da partida contra o Joinville, já que o dinheiro teve de ser devolvido.

Tags: direção, lusa, rebaixamento, suspensão, técnico

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