Jornal do Brasil

Sexta-feira, 29 de Agosto de 2014

Esportes

Futebol de Brasília tenta crescer em meio à briga política

Portal Terra

Quase ninguém esperava: o pouco conhecido Brasília superou o famoso Paysandu na final da Copa Verde e garantiu uma vaga na Copa Sul-Americana de 2015. O título, que pode parecer pouco relevante para alguns, significa muito para a capital federal: nunca houve um Campeonato Brasiliense tão forte quanto deveria existir em um lugar tão importante. Na prática ainda não existe, principalmente porque brigas políticas impedem. Mas o título do Brasília pode representar o começo de um crescimento.

É possível perceber a fraqueza do Campeonato Brasiliense apenas pelos problemas ocorridos na competição deste ano. Houve até um jogo em que o Formosa apareceu sem chuteiras e por isso sofreu WO - apenas depois o duelo foi remarcado, com vitória do Brasília por 3 a 2. Outro problema curioso foi o fato de o Luziânia ter viajado 81 km para enfrentar o Sobradinho, mas descobrir apenas no estádio que a partida estava cancelada.

E o problema mais grave foi o atraso na competição: a final seria em 12 de abril, mas agora está prevista para 18 de maio. A causa é grave: dois times que iriam se enfrentar, Brasiliense e Unaí, foram para estádios diferentes no dia 27 de março. Eles ficaram a 180 km de distância, em uma situação que refletiu a grande briga política existente no futebol candango.

Presidente da Federação Brasiliense de Futebol, Jozafá Dantas não esconde que o problema foi meramente político: "a administração anterior abriu nosso campeonato para times de estados do entorno (o mineiro Unaí e os goianos Luziânia e Formosa), mas o grupo desses times perdeu a eleição e agora quer brigar". Jozafá não quis dizer quem exatamente lidera esse grupo, mas é sabido que times como Unaí, Bolamense, Brazlândia, Ceilândia, Dom Pedro, Legião e Planaltina não aceitaram a eleição dele e ainda tentaram o impeachment na Justiça.

Outro problema do Campeonato Brasiliense é a baixa média de público nas partidas. Normalmente poucos torcedores comparecem (a média do Estadual tem sido sempre abaixo de mil torcedores), mas um recorde assustou: apenas nove torcedores foram ao Estádio Bezerrão para ver a vitória do Ceilandense sobre o Legião, por 2 a 1. Jozafá tenta explicar: "o jogo foi marcado para uma quinta-feira, às 10h30 (de Brasília). Isso não se faz, nem time peladeiro faz isso. É uma clara pré-disposição em prejudicar o campeonato", denunciou.

Por fim, o Campeonato Brasiliense convive com mais uma sombra: a desconfiança da participação de deputados e senadores na gerência dos times. O caso mais clássico aconteceu com o ex-senador Luiz Estevão, denunciado por lavar dinheiro quando comandava o Brasiliense. "Realmente existem políticos no futebol brasiliense. Eles vêm para ajudar, mas alguns acabam atrapalhando", admitiu Jozafá.

Com a intenção de provar que o futebol está crescendo no DF, o principal argumento de Jozafá é exatamente o título do Brasília na Copa Verde. "Isso mostra como nosso futebol está melhor, porque o Brasília está fazendo um trabalho observado por outros clubes daqui. O Gama, que tem muita torcida, está retomando a atenção nas categorias de base, que foi o que o Brasília fez". De fato o time campeão da Copa Verde já tinha feito uma boa Copa São Paulo em 2014, sendo eliminado apenas nas oitavas de final, pelo São Paulo, nos pênaltis.

Outro ponto forte para o Campeonato Brasiliense crescer seria o Estádio Mané Garrincha. Reformado, ele pode ser o palco de grandes jogos. Porém, tem sido pouco utilizado no campeonato estadual. Nem a final da competição está confirmada no local - só haverá uma decisão sobre isso na próxima segunda-feira, quando os finalistas forem decididos. O vencedor de Sobradinho x Luziânia vai enfrentar quem ganhar em Brasiliense x Brasília.

"Jogar no Mané Garrincha é uma coisa que tem que se pensar, porque o custo é muito alto. A lei exige que, para cada 100 torcedores, exista um segurança. E para cada 1000 torcedores precisa ter um brigadista. E tem que colocar catraqueiros, limpeza, enfim... o custo é muito alto, tem que ser usado para jogos pontuais", afirmou Jozafá, entregando que nem os clubes querem jogar lá e só aceitam mediante apoio financeiro da federação.

Entre as dificuldades, brigas políticas e o potencial de crescimento, fica a esperança que o ano que vem será melhor para o futebol de Brasília. Jozafá promete que, a partir de 2015, tudo já será diferente: "não teremos um calendário apertado por causa da Copa do Mundo e seguiremos estritamente o Estatuto do Torcedor e a Lei Pelé. Temos que pegar credibilidade  para que o campeonato consiga patrocinadores, porque, do jeito que está, quem vai querer investir?", questionou, em retórica, o presidente da Federação Brasiliense de Futebol, deixando claro que o estadual candango precisa melhorar muito.

Tags: Brasília, custos, estádio, futebol, politicagem

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