Jornal do Brasil

Terça-feira, 30 de Setembro de 2014

Esportes

Copa Popular reúne comunidades afetadas pelas remoções no Rio

Torneio terá como participantes pessoas que estão tendo seus direitos violados

Jornal do Brasil

Enquanto os últimos acertos no estádio do Maracanã seguem em ritmo acelerado para que seja entregue a tempo para a Copa do Mundo 2014, um outro campeonato começa nesse fim de semana no Rio de Janeiro, com o intuito de integrar as comunidades atingidas pelas intervenções para o torneio mundial. É a Copa Popular organizada pelo Comitê Popular da Copa e Olimpíadas, que no ano passado reuniu 14 times de comunidades prejudicadas pelas remoções. A partida inaugural das quatro etapas vai acontecer nesse domingo (27/4), no pico do Morro Santa Marta, em Botafogo, na zona sul da cidade. 

Com uma celebração de abertura popular, a Copa das comunidades terá início às 10 horas, com uma roda de samba e presença dos moradores históricos do Morro Santa Marta. Para os organizadores do evento, as partidas não vão reunir grandes nomes do futebol mundial, mas as pessoas que estão tendo os seus direitos violados pelos grandes eventos esportivos. Os grupos inscritos incluem, além dos moradores atingidos pelas remoções, camelôs, vítimas de violência policial e apoiadores da causa. O campeonato acontecerá em etapas em todas as regiões da cidade, para mostrar que as violações não são pontuais.

Copa Popular em 2013 reuniu 14 comunidades atingidas pelas remoções
Copa Popular em 2013 reuniu 14 comunidades atingidas pelas remoções

Segundo um dos organizadores da Copa Popular, Renato Cosentino, 10 times já confirmaram presença, representando comunidades de diversas áreas da cidade, entre elas Santa Marta, Estradinha, Chatuba e Terreirão. Grupos de movimentos populares contra os impactos causados pela Copa no Brasil também irão participar do campeonato, como a Frente de Torcedores.  

"Apesar de termos como tema principal as remoções, também vamos levantar durante as várias etapas da Copa Popular outros assuntos relacionados, como o direito ao trabalho, por isso que convidamos os camelôs. A elitização dos estádios explica a participação dos torcedores que não vão ter dinheiro para comprar ingressos. E ainda vamos realizar exposições de fotografias e oficinas de camisetas usando como estampado o mascote do movimento popular, o Saci. Mas entendemos que o maior impacto de todas as violações que estão sendo cometidas nessas comunidades vem das remoções.", disse Cosentino. 

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No Rio de Janeiro, cerca de 20 mil famílias perderam as suas casas desde o ano de 2009, por causa das remoções para dar espaço para as obras da Copa do Mundo e Olimpíadas. No morro Santa Marta, 150 casas ainda estão ameaçadas de remoção, mas os moradores lutam pela urbanização. “Queremos desenvolvimento para essa área em todos os seguimentos, econômico, social e em infra-estrutura. Vamos fortalecer a luta pela preservação da parte alta do morro, onde começou a ocupação e a história da favela”, disse Vitor Lira, uma das lideranças do Santa Marta.

Tags: Copa, direitos, Favelas, moradores, Violação

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