Jornal do Brasil

Quinta-feira, 24 de Julho de 2014

Esportes

Galáctico anônimo, brasileiro é camisa 9 no Real Madrid B

Portal Terra

Atacante do Real Madrid B desde o início desse ano, o pouco conhecido Pablo Felipe, brasileiro, vai correr em campo e fora dele neste domingo.

Primeiro, no pequeno Estádio Alfredo Di Stéfano, deve estar no banco de reservas em jogo contra o Mallorca que começa às 14h15 (de Brasília), pela segunda divisão espanhola. Assim que a partida acabar, Pablo também vai correr. Logo ao lado, para o Santiago Bernabéu, onde o time principal do Real recebe o Barcelona para o clássico que para o mundo do futebol nas últimas temporadas.

"É o jogo do ano e eu vou, claro. Aqui em Madri só se fala desse jogo e quero muito assistir. É muito importante para o Real e, fora da Champions (League) é o jogo da temporada", conta Pablo Felipe, em entrevista ao Terra. 

Na capital espanhola em que vive com os pais e a namorada, Pablo desfruta de um anonimato raro entre jogadores de futebol, sobretudo os que vestem a camisa do clube mais vencedor do século XX. Pode passear pelas ruas que dificilmente é notado, exceto quando é visto por um torcedor fanático do clube. "Há uma galera que reconhece, mas por enquanto dá para andar tranquilamente. No estádio te reconhecem mais, sempre há uns torcedores que acompanham a base", diz. 

Habitualmente conhecido como o último degrau para os pratas da casa antes de aspirarem uma chance na equipe principal, o Real Madrid Castilla, o Real B, tem adaptado seu projeto esportivo nos últimos dois anos. Com um olheiro brasileiro para mapear o mercado sul-americano, Júnior Calafat, buscou jogadores um pouco mais velhos para dar mais rodagem à equipe. Foi assim que Pablo Felipe, 21 anos, saiu do Figueirense para o Real Madrid em janeiro.

Acompanhado de Willian José, ex-Santos e ex-São Paulo, ele chegou e recebeu a camisa 9 para tentar tirar a equipe das últimas posições da segunda divisão da Espanha. De quebra, para tentar repetir Casemiro, que chegou de surpresa à equipe B há um ano, se destacou, foi contratado em definitivo e hoje atua no time A. Na prática, o Castilla se aproveita do prestígio do Real para contratar apostas a custo zero. Se der muita sorte, reforça o time principal por um preço baixo para os padrões madrilenos. 

Se Willian José dá bons sinais no início de sua aventura em Madri, com três gols anotados no último fim de semana, Pablo ainda não tem levado sorte e teve mais lesões (duas) que jogos (um). São só 23 minutos com a camisa que ele sonhava vestir, mas o atacante trabalha duro para tentar impressionar e permanecer. Seu contrato de empréstimo com o Real acaba daqui 12 jogos. 

"Estar aqui é um sonho de criança. Todos jogadores pensam em estar um dia, é um clube maravilhoso, então também tenho esse sonho (de ficar). Quero mostrar meu trabalho para ficar", afirma Pablo, capaz de falar um espanhol quase fluente mesmo depois de apenas três meses na Espanha. Período em que ele também percebeu que há pressão até no Real Madrid B, acostumado a jogar para 3 mil pessoas por jogo. 

"Há cobrança sim. Falamos do maior clube do mundo. Começamos mal no campeonato, começou a cobrança e, como somos um time jovem contra mais experientes, é preciso lidar com isso. Há pressão da diretoria, da comissão técnica, a torcida que vem ver os jogos é a mesma do Real", explica Pablo.  

Proibido pela diretoria de falar sobre suas chances de renovação, o brasileiro sabe que precisará jogar no limite para seduzir o Real Madrid a comprá-lo de maneira definitiva, como foi com Casemiro. Atuar em grande nível, porém, é algo que ele só conseguiu no empréstimo ao Figueirense. Na última Série B, foram oito gols, duas assistências, bons índices em desarmes, passes e o acesso à primeira divisão. Nada tão incrível quanto a chance de vestir a lendária camisa merengue. 

Tags: atacante, Espanha, futebol, pablo, Real

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