Jornal do Brasil

Quarta-feira, 17 de Setembro de 2014

Esportes

Atletas protestam contra CBV e pedem fim de ranking no vôlei

Portal Terra

?Além de enfrentar a polêmica relacionada à investigação de contratos que gerou a renúncia do presidente Ary Graça, a Confederação Brasileira de Vôlei (CBV) vai lidar com um protesto de grandes proporções promovido pelos atletas que disputam as Superligas Masculina e Feminina. A reclamação começou por meio da ponteira Jaqueline, após a reunião realizada entre os clubes do feminino para decidir a pontuação das atletas no ranking definido pela entidade.

Criado em 1992/93, o ranking visa gerar equilíbrio entre as equipes classificando os atletas de 1 a 7 pontos dependendo de seu status. Um time não pode ter um somatório de pontos inferior a sete ou superior a 32. A revolta de Jaqueline ocorreu pelo fato de ela ter ficado afastada durante toda a temporada, por conta do nascimento do seu filho com o ponteiro Murilo, e mesmo assim ter continuado com pontuação 7.

Além disso, a atleta se revoltou com o fato de o número de atletas por equipe com nível máximo ter diminuído de três jogadoras para duas.

Após as críticas de Jaqueline, diversos jogadores importantes que disputam a Superliga se pronunciaram pedindo o fim do ranqueamento dos atletas na competição. Nomes como os irmãos Murilo e Gustavo Endres, o casal Dani Lins e Sidão, além de outros jogadores que defendem ou defenderam a Seleção Brasileira como Lucão, Lipe, Dante e Riad, protestaram pelo Instagram ou Twitter, criando a hashtag #naoaoranking.

Em entrevista ao Terra, o meio de rede Gustavo explicou os motivos da revolta dos jogadores com a decisão da CBV e dos clubes. "Ontem teve reunião do feminino e o que desencadeou isso foi o fato da Jaqueline ter ficado com 7 pontos. Foi uma revolta geral, já que ela ficou um ano sem jogar e recebeu a pontuação máxima", disse o jogador do Canoas.  

"Só existe isso no Brasil, em nenhum outro campeonato do mundo tem um regulamento desses. Isso diminui o valor mercado dos jogadores, porque a equipe tem de se preocupar em fazer um cálculo e privilegiar um ou dois nomes de nível elevado. Acaba fazendo com que esses jogadores de maior expressão tenham que ir para uma equipe média, menor, quando poderia receber mais em uma equipe de ponta".

Gustavo afirmou que a ideia pode ter funcionado na época de criação do ranking, mas o objetivo principal que é equilibrar o poderio das equipes não vem funcionando nos últimos anos. O meio de rede citou o exemplo de que na Superliga Feminina, Molico Osasco e Unilever Rio de Janeiro mantêm a hegemonia da competição, disputando finais desde a temporada 2004/05. Outro caso citado pelo experiente jogador é que no vôlei masculino o time do Sada Cruzeiro ganhou tudo na atual temporada.

?"Talvez tenha funcionado para os primeiros anos, mas esse equilíbrio não tem mais. Se funcionasse ainda Osasco e Rio de Janeiro não decidiam a mesma final há anos. No masculino, o Cruzeiro ganhou tudo esse ano. Não tem porque manter este ranking", disse. O meio de rede alerta que a manutenção do ranking aumenta o risco de um êxodo dos principais jogadores para equipes do exterior.

"Sem espaço para jogar em grandes equipes, os jogadores acabam saindo do Brasil, vai na contramão do que todo mundo quer. Os atletas que deixaram a equipe do Rio de Janeiro, por exemplo, não podem correr o risco de ficar de fora do Brasil. O Bruninho é um jogador essencial para a Seleção. Assim como ele, coloco outros nomes que foram para fora do País e têm que voltar na próxima Superliga, como o Leandro Vissotto, Thiago Alves, Lipe...".

Gustavo cita ainda que os jogadores já se manifestaram por diversas vezes contra a manutenção do ranking, porém acabam não tendo suas reivindicações ouvidas por clubes e pela CBV. "A gente sempre dá nossa opinião, mas nunca somos ouvidos com relação a isso". O Terra entrou em contato com a CBV e aguarda uma posição oficial da entidade a respeito do assunto.

Tags: atletas, brasileira, confederação, ranking, vôlei

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