Jornal do Brasil

Domingo, 31 de Agosto de 2014

Esportes

Laís Souza: COB faz "vaquinha" para ajudar ex-atleta

Campanha confusa leva COB a se pronunciar oficialmente

Jornal do BrasilLouise Rodrigues*

Uma campanha lançada pelo Comitê Olímpico Brasileiro (COB) neste sábado gerou confusão pela falta de informações. O objetivo seria auxiliar na adaptação da ex-ginasta Lais Souza. Sem especificar o destino das doações, no dia 15 de março, uma página foi criada no Facebook para divulgar a campanha.

Diante das críticas, o COB se pronunciou em uma nota de esclarecimento.  O Comitê justificou que o dinheiro arrecadado seria utilizado para garantir independência, mobilidade e conforto para a ex-atleta: “Inclui, desde contratar um professor de inglês para ela ainda em Miami, como custear parte de uma bolsa de estudo em uma Universidade no Brasil, conseguir um coaching para prepará-la para dar palestras sobre suas experiências, até criar uma Fundação ou Instituto para a Lais. Da mesma forma, a campanha visa a compra de equipamentos para a mobilidade e o conforto da Lais, itens não previstos na cobertura dos seguros contratados pelo COB”.

O Comitê alega que, no momento do acidente, Lais não participava de nenhuma delegação do COB ou eliminatória ou classificatória para os Jogos Olímpicos. Ainda assim, o seguro estaria cobrindo a atleta. Sobre o objetivo da campanha, o COB explicou que pretende garantir a continuidade e a qualidade do processo de recuperação de Laís.

Lais posou com equipe médica no hospital dos Estados Unidos
Lais posou com equipe médica no hospital dos Estados Unidos

A página criada no Facebook apresenta o número de uma conta no nome da ex-atleta. Ontem, os administradores informaram os rumos das doações: “Acreditamos no poder solidário do brasileiro. Até o momento já foram arrecadados 75 mil reais para adquirir a cadeira de rodas e o tablet para Lais”.  Segundo o COB um doador garantiu os recursos da compra dos equipamentos e o próximo objetivo seria a adaptação da casa e do carro da ex-ginasta para atender às suas atuais necessidades. Contudo, o processo de adaptação envolve itens não previstos na cobertura dos seguros contratados pelo COB.

Laís sofreu uma lesão na coluna durante um treinamento de esqui, nos Estados Unidos. A ex-atleta conta duas apólices de seguro, uma do COB e outra da Confederação Brasileira de Desportos de Neve (CBDN), que garantem toda a emergência, transporte entre os hospitais e o tratamento hospitalar. Hoje, ela segue uma rotina diária de sessões de fisioterapia motora, ocupacional, respiratória e acompanhamento psicológico, além de adaptação à cadeira de rodas elétrica. Segundo o COB, não há previsão de sua volta ao Brasil.

A campanha

Até o momento a página conta com 4.886 seguidores. Artistas e atletas foram fotografados mostrando apoio à Laís e reiterando o pedido de doações.

Um texto publicado na rede social, explica o acidente e convida os seguidores a doarem. “Atleta Olímpica de Ginástica Artística em Atenas 2004 e Beijing 2008, que se transferiu para esportes de Inverno na modalidade Aerials, onde se classificou para os Jogos Olímpicos Sochi 2014, mas não participou pois se acidentou esquiando, em 26/02/2014 . Hoje se encontra em tratamento no Hospital da Universidade de Miami. Este é um canal oficial para você acompanhar as noticias e poder ajudá-la nesta batalha. Contamos com você! Compartilhe”, diz o publicação.

Vaquinha para atletas

No país do futebol, outros atletas enfrentam problemas com dinheiro. Na internet, sites como “Pódio Brasil” e “Apoie um Atleta” foram criados para ajudar os esportistas em campanhas de arrecadação de dinheiro.

Com o objetivo de arrecadar fundos seus treinos, a saltadora Maurren Maggi também fez uma “vaquinha” na internet. Em um site, a atleta conta sua trajetória e diz que ainda não tem patrocínio esportivo para as Olimpíadas de 2016. Maurren pede a contribução dos fãs e anuncia recompensas exclusivas, como um almoço ou jantar na companhia da atleta; uma camiseta autografada; um vídeo ou agradecimento nas redes sociais; créditos no filme que pretende fazer sobre a campanha e fotos nos treinos.

“Muitas pessoas se surpreendem quando falo que não consegui patrocínio para meus treinos. Pensam que por eu ser a Maurren Maggi os patrocínios estariam batendo a minha porta”, escreveu a atleta no pedido de doações. A meta de Maurren é de R$ 100 mil reais, dos quais, até o momento R$ 33.191,00 foram arrecadados. Além de Maurren, outros atletas já tiveram que pedir dinheiro na internet.

Em fevereiro, seis dos 16 atletas da seleção brasileira de taekwondo fizeram “vaquinha” e venderam rifas para conseguirem viajar para a seletiva nacional da modalidade. Por conta de cinco meses de salários atrasados, os atletas de São Caetano do Sul quase ficaram de fora da competição.

Em 2013, os pais de Murilo Pontedura, atleta infantil de ginástica, também fizeram uma “vaquinha” para juntar a quantia de R$ 5.500, que pagou a viagem do garoto e um técnico à Colômbia. Murilo defendeu o Brasil no Sul Americano de Sogamoso. Para isso, os pais fizeram rifas, pediram doações aos amigos do trabalho e venderam comida e refrigerante durante um mês.

Também no ano passado, a amiga da atleta olímpica de esgrima e líder no ranking brasileiro no sabre, Élora Pattaro, fez uma “vaquinha” para ajudar a esgrimista. Por falta de patrocínio, Élora recebia apenas R$ 952 reais do bolsa-atleta da Petrobrás. O objetivo da esgrimista é treinar para competir as Olimpíadas de 2016.

*Do Projeto de Estágio do Jornal do Brasil

Tags: bolsa atleta, campanha, cob, doações, Facebook, laís souza

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