Jornal do Brasil

Terça-feira, 29 de Julho de 2014

Esportes

Financial Times destaca que agitação e preocupações econômicas ameaçam a Copa

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Na sua edição desta terça-feira (25/2), o Financial Time (FT) volta a publicar uma análise da Copa do Mundo no Brasil. Desta vez, o veículo aborda a "corrida" para finalizar os estádios que irão receber os jogos a tempo do primeiro apito do campeonato mundial. A abertura da matéria já cita os trabalhos no estádio Itaquerão, em São Paulo, após o acidente que deixou o saldo de dois operários mortos, atingidos por uma viga - "lançando uma cortina de fumaça sobre os preparativos do Brasil para a Copa do Mundo de futebol deste ano", avalia o jornal. Paulo Armínio, que vende lanches para os trabalhadores da construção civil em uma van estacionada ao lado de estádio e testemunhou o acidente, disse ao jornal que - "as pessoas que trabalham lá dizem que não estará pronto a tempo para a Copa do Mundo". 

Reportagem avalia realização da Copa do Mundo no Brasil
Reportagem avalia realização da Copa do Mundo no Brasil

O FT comenta que o governo brasileiro e a Fifa, órgão máximo do futebol mundial, insistem que o estádio estará pronto para o evento esportivo mais popular do mundo, que começa em junho. Mas os problemas no Itaquerão, que veio poucos meses depois de milhões de brasileiros saíram às ruas para protestar contra o transporte público deficiente e infraestrutura, melhores serviços públicos e corrupção, definiu o cenário como sendo um ano difícil para a presidente Dilma Rousseff.

Segundo o FT, o torneio pode ser o coroamento para o Brasil, o país do futebol, das comemorações de suas conquistas econômicas ao longo da última década, quando o país construiu uma classe média e consolidou o seu papel como um dos líderes do Brics das nações emergentes. No entanto, os brasileiros parecem poucos animados para comemorar e a possibilidade de novas manifestações associadas a Copa do MUndo volta a assombrar o campeonato. Além disso, o jornal cita as tensões sobre a economia brasileira. A partir desse contexto, o FT afirma que será um desafia para a presidente Dilma garantir a Copa sem problemas e, ao mesmo tempo, convencer os investidores cada vez mais céticos de que a economia do Brasil pode voltar aos seus níveis mais elevados. Esse esforço da presidência, segundo o FT, pode ser determinante para provar que os últimos 10 anos de governo conquistou um lugar de liderança na América Latina.   

Para o diretor do Instituto Brasil do Centro Internacional Woodrow Wilson para Acadêmicos em Washington, Paulo Sotero, - "a combinação de um cenário econômico negativo ou preocupante e os atrasos na construção e reforma de estádios e sistemas de transporte público para a Copa do Mundo têm impedido o Brasil de usar um enredo que este é um evento positivo". O FT comenta que um dos casos mais preocupantes é da Arena da Amazônia, em Manaus, que será equipado com alta tecnologia, mas o cronograma de construção está "perigosamente" atrasado, depois de falhar com o prazo estipulado para entrega, em dezembro. Durante uma inspeção realizada este mês, Jérôme Valcke, secretário-geral da Fifa, pareceu aliviado quando confirmou que o estádio está em fase de conclusão.

A reportagem do FT destaca um relacionamento "rochoso" entre a Fifa e o Brasil e que, no ano passado, Sepp Blatter, presidente da Fifa, questionou se a organização tinha tomado a decisão errada ao conceder os jogos para o país latino-americano, logo após as manifestações populares no Brasil, em junho. O cenário no Brasil no ano de 2007, descrito na reportagem do FT, é completamente favorável à realização da Copa do Mundo em 2014, a partir de um crescimento considerável, economia estabilizada e infraestrutura eficiente para receber o torneio. No entanto, o público amante do futebol tornou-se hostil e ameaçou inviabilizar a Copa das Confederações, um ensaio da Fifa para a Copa do Mundo, realizado em junho. O texto do FT esclarece que as primeiras manifestações no Brasil era pelo aumento anunciado nas tarifas de ônibus, mas logo se expandiu para a infraestrutura dos serviços públicos e altos gastos com a Copa no país. "O movimento tornou-se o palco de uma nova mistura de ativistas de esquerda e anarquistas radicais que usam a chamada tática 'black bloc', usando máscaras e atacando os símbolos do estado e do corporativismo, como prédios do governo e bancos", explica a reportagem.

O FT cita que a Capital Economics, uma entidade de pesquisa com sede em Londres, este mês criticou o que chamou de "a década perdida" no Brasil. Em vez de investir, muitos países da América Latina, incluindo o Brasil, desperdiçou a maior parte do financiamento barato disponível em um boom de consumo. Investimento em percentagem do produto interno bruto no Brasil caiu entre 2008 e 2013 de mais de 20% para cerca de 18%. O resultado foi um crescimento abaixo do esperado para os últimos três anos no país: 2,7% em 2011 e 0,9% em 2012; e o estimado para 2013 é abaixo de 2%.

Em janeiro, comenta o FT, a presidente Dilma Rousseff fez a sua primeira viagem ao Fórum Econômico Mundial, em Davos para dizer que o Brasil está aberto aos negócios. O banco central aumentou as taxas de juros para enfrentar a inflação. O governo avançou com a privatização de infraestrutura e havia prometido medidas para conter a despesa do orçamento em uma tentativa de evitar o rebaixamento do rating de crédito pela Standard & Poors. Por outro lado, o jornal ressalta que alguns funcionários do governo argumentam que a crítica é exagerada. O crescimento do Brasil no ano passado, provavelmente vai ultrapassar o do mercado do México, que conseguiu apenas 1,2%. O desemprego está em níveis recordes. Brasil tem resistido várias crises econômicas globais, incluindo as recentes mercados emergentes sell-offs, melhor do que muitas outras economias.

O FT avalia que o mais importante para o Partido dos Trabalhadores (PT) é que Dilma permaneça popular, informando que uma pesquisa divulgada em 18 de fevereiro mostrou que ela lidera a preferência dos eleitores para o plebicisto deste ano, e deve ganhar no primeiro turno, com 43,7% das intenções de voto contra 17% para Aécio Neves, 9,9% para Eduardo Campos do Partido Socialista Brasileiro. 

Tags: Copa, estádio, Fifa, itaquerão, Mundo, rousseff

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