Jornal do Brasil

Quarta-feira, 27 de Agosto de 2014

Esportes

Wall Street: Brasil luta para preparar Olimpíadas de 2016

Jornal do Brasil

O jornal americano The Wall Street publica nesta quarta-feira (19/2) uma reportagem sobre o esforço do Brasil para conseguir manter os Jogos Olímpicos no país.  

As autoridades brasileiras estão correndo para se preparar para os Jogos Olímpicos de 2016, na esperança de evitar o constrangimento sofrido este mês em Sochi, na Rússia, com uma série de projetos que estão atrasados.  Com pouco mais de dois anos que restam ao Rio de Janeiro para sediar os Jogos de Verão, os 15 projetos que compõem Complexo Esportivo de Deodoro, onde serão realizadas várias provas, incluindo slalom de canoa, esgrima, pentatlo e tiro ainda se encontra sem definição quanto a realização das obras. Apenas quatro do total de 52 projetos de construção previstos no mês passado pela Autoridade Pública Olímpica estão completos.

Os organizadores do evento no Rio tem a chance de aprender com os Jogos Olímpicos de Inverno deste ano, em Sochi, onde atrasos na construção levou a uma espiral de orçamentos crescentes e uma publicidade indesejada de visitantes que chegaram aos  quartos inacabados de hotel. Jean-Claude Killy, presidente da comissão de coordenação do Comitê Olímpico Internacional para Sochi, disse esta semana que os organizadores dos Jogos de 2016 não têm nem um "décimo de segundo" para mais atraso.

Na terça-feira, a cidade brasileira de Curitiba evitou ficar fora da lista de locais para a Copa do Mundo em meio a atrasos na construção do seu estádio. Caso não desse tempo de construir o estádio completamente, teria sido o maior constrangimento para o Brasil, que sofre críticas periodicamente da FIFA, órgão máximo do futebol mundial, para atrasar os preparativos para a Copa do Mundo.

Ao contrário de muitos dos projetos para a Copa do Mundo, que deveriam ser concluídos até o final do ano passado para a partida de abertura do torneio, em junho, o prazo de conclusão para os projetos onde serão realizadas as provas das Olimpíadas estão com com data muito próxima dos Jogos. O centro de esportes aquáticos, a aldeia e o centro de mídia do hotel dos atletas - bem como uma linha de Metro que vai ajudar na ligação entre o Parque Olímpico até o centro do Rio - não há perspectiva para conclusão até o início de 2016.

O foco principal dos organizadores agora, no entanto, é o Complexo de Deodoro, na periferia norte do Rio de Janeiro. Esse complexo já começou atrasado desde que o Rio foi premiado com os Jogos em 2009. Funcionários municipais se encarregaram dos projetos de Deodoro no ano passado, num esforço para agilizar o processo. Eles prometem colocar os principais projetos para licitação até abril.

"Realmente, não há muito mais flexibilidade em termos de tempo", disse Fernando Azevedo e Silva, presidente da Autoridade Pública Olímpica, um consórcio formado por representantes dos três níveis de governo envolvidos no planejamento. "Mas isso não significa que não é possível, pelo contrário, é plenamente possível."

Uma das complicações para desenvolver os projetos é que nem todos têm a mesma estrutura de financiamento.Por exemplo, o centro de tênis, velódromo e handebol e o estádio Parque Olímpico estão sendo construídos pela prefeitura com recursos federais, enquanto que a vila dos atletas está sendo construída e financiada por um consórcio privado, e a infra-estrutura ao redor é uma mistura de esforços municipais e privadas .

"O orçamento está longe de ser transparente e não é ainda completo", disse Christopher Gaffney, professor visitante de urbanismo na do Rio de Janeiro Universidade Federal Fluminense.

Os projetos que cercam os Jogos do Rio têm uma semelhança com o que os organizadores tiveram de realizar Jogos Olímpicos em Sochi. Em ambos os casos, os Jogos têm sido comercializados como um catalisador para o desenvolvimento de um plano diretor para a região, e em ambos os casos, os organizadores tiveram que começar em grande parte, a partir do zero, construindo novas estradas e rodovias em expansão para permitir a mobilidade na cidade.

Além de instalações esportivas e infra-estrutura de transporte, o Rio está planejando adicionar 80 novos hotéis, praticamente dobrando sua capacidade. Esses projetos são financiados privadamente e pode enfrentar os mesmos atrasos e dificuldades que no início deste mês atormentaram Sochi. Os jornalistas chegaram em seus quartos de hotel para encontrar os banheiros sem instalações básicas, portas sem fechaduras e água corrente marrom saindo das torneiras.

No Rio, os organizadores estão construindo 31 prédios de apartamentos para os atletas e alguns membros da mídia perto do principal parque olímpico. A aldeia está prevista para ser concluído até o primeiro trimestre de 2016, mas numa recente visita à região apareceram apenas as plantas de três dos edifícios já concluídos.

Mas ao contrário de Sochi, o Rio está acostumado a receber grandes eventos. Cerca de dois milhões de pessoas aparecem todos os anos para a véspera de Ano Novo, com um adicional de 700 mil chegando para as festividades de Carnaval.

Tags: atrasados, jogos, olímpicos, país, projetos, sediar

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