Jornal do Brasil

Quarta-feira, 27 de Agosto de 2014

Esportes

'El País' sobre Copa do Mundo: Brasil brinca com o fogo

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O jornal espanhol El País faz um balanço do ritmo das obras de infraestrutura nos estádios brasileiros que vão receber os jogos da Copa do Mundo da Fifa, avaliando que nunca um país demorou tanto tempo para organizar o campeonato e o fato soa como um alarme a 116 dias da partida de abertura. Metade dos estádios de futebol estão em construção e o caso mais grave é o de Curitiba, onde a Espanha vai jogar, e que pode ser excluído ainda nesta terça-feira (18/1).

Segundo a reportagem, a cidade que tem 1,8 milhão de habitantes está em "xeque". E explica - "o caminho do aeroporto e a Arena da Baixada, uma grande ponte inacabada domina a paisagem. Cones de trânsito para desviar emaranhados de tráfego entre máquinas e tratores". O texto destaca que as outras cidades sede da Copa estão nessa mesma condição e questiona se as obras serão encerradas até 12 de junho. O El País afirma que o sentimento da população é de que pouco coisa mudou desde 2007, quando o país recebeu outro grande torneio. "A eleição de 2007 foi um teste não só de capacidade do Brasil para sediar um grande evento esportivo internacional, mas o país também assumiu a responsabilidade de confirmar o seu status como potência emergente. O crescimento econômico sustentado foi superior a 5%, o Brasil teve tempo suficiente para preparar dentro e fora dos estádios", diz o texto.

El País destaca obras dos estádios brasileiros perto da Copa
El País destaca obras dos estádios brasileiros perto da Copa

A reportagem destaca que em Porto Alegre, no sul do país, houve um recorde de projetos que foram lançados para as estradas, que ainda esperam por dias melhores. Em São Paulo e Manaus, o jornal espanhol citou o projeto do monotrilho, além do trem-bala que liga São Paulo ao Rio de Janeiro,que também foi anunciada nos dicursos oficiais. As melhorias foram planejadas abrangendo 13 aeroportos, com um investimento de mais de 6.000 milhões de reais (1,76 mil milhões de euros). Dois projetos já foram adiados e outros estão atrasados.

O secretário-executivo do Ministério do Esporte, Luis Manuel Fernandes, disse ao El País que o governo não tem dúvida de que todas as obras consideradas "essenciais" serão concluídas antes do campeonato. Ele acrescentou que aquelas que não forem finalizadas da tempor, serão absorvidas pelo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) do governo federal. O El País destaca que os gastos com as reformas dos estádios serviram "como combustível" para alimentar as manifestações pelas ruas do país, desde o ano passado, durante a Copa das Confederações da Fifa. Informa ainda que as estimativas mais conservadoras dos custos com a Copa no Brasil totaliza cerca de 25,5 bilhões de reais - "em um país que ainda luta para prestar serviços públicos de qualidade". 

Somente a construção ou renovação de 12 estádios excedeu oito milhões de reais, superando o orçamento da Alemanha (2006) e África do Sul (2010) juntos. Em 2010, a previsão era de gastar cerca de 5,5 milhões de reais, um aumento de 45%, pelo menos, segundo os calculos apresentados pelo El País, que ainda prevê que esses números podem aumentar com a proximidade do torneio. A matéria diz que os atrasos em todos os estádios que vão sediar os jogos, são atribuídos a dificuldades financeiras ou às greves dos funcionários por melhores salários e condições de trabalho, comentando que trabalhadores já morreram nas obras. 

Segundo o El País, o estádio de Brasília será o mais caro, com um pouco mais de 70 mil lugares, o Mané Garrincha deve custar 1,4 milhões de reais, o dobro do orçamento inicial de 696 milhões. "A região carece de tradição no futebol e não tem equipes nas duas primeiras divisões nacionais", destaca o jornal internacional.

"Mas o caso de Manaus é o mais emblemático", diz o jornal. Ressalta que perto da fronteira com a Colômbia, Peru e Venezuela, a cidade fica a quase 2 mil quilômetros de distância dos locais dos jogos tabelados para a Primeira Divisão brasileira. A Arena Amazônia só vai sediar quatro jogos da primeira fase, incluindo a partida entre Itália e Inglaterra, o que provocou declarações polêmicas dos treinadores ingleses, que temiam o clima quente e úmido da cidade e disseram que preferiam cair no grupo "da morte", ao invés de jogar lá. "Seu legado será certamente os milhares de lugares vazios", prevê o jornal espanhol. Enquanto isso, Curitiba luta agora contra a ameaça de ser removida da lista de sedes da Copa do Mundo. De acordo com o texto, na próxima terça (18/2) a cidade deve passar por um exame final para convencer a Fifa de que seu estádio está pronto para o torneio. Esse é o prazo estabelecido pelo secretário-geral da Fifa, o francês Jérôme Valcke, depois de um mês em sua última inspeção para a cidade. 

Após o ultimato emitido por Valcke na inspeção, foi contratado muitos trabalhadores que aderiram ao reforço. Trabalho progrediu e a Fifa terá "uma grande surpresa", afirmou ao jornal o secretário municipal de Curitiba para o assunto, Reginaldo Cordeiro. Porém, a reportagem diz que a atmosfera é de tensão em Curitiba. Muitas pessoas têm feito planos para se acerca do campeonato. "Os haitianos estão buscando uma oportunidade (...) após o terremoto. Cerca de 65 deles trabalham no estádio. E o Sindicato dos Trabalhadores na Construção (Sintracon) em Curitiba, disse que, a cada semana, cerca de 15 haitianos migram para a região, onde há queixas da corporação sobre os baixos salários, moradias precárias e da falta de segurança.

Tags: Copa, Fifa, haitianos, Obras, valcke

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