Jornal do Brasil

Terça-feira, 30 de Setembro de 2014

Esportes

Com menos de 30 anos, jovens estrelas mudam perfil do curling em Sochi

Portal Terra

Elas têm 20 e poucos anos, estampam ensaios sensuais e são atletas olímpicas. Poderiam disputar modalidades como patinação ou esqui, mas optaram por disputar o curling – aquele esporte conhecido como “o jogo da vassourinha” ou “a bocha no gelo”. Capitãs de suas seleções na Olimpíada de Inverno de 2014, em Sochi (Rússia), as estrelas do curling representam uma inesperada direção na modalidade, disputado cada vez mais por jovens esportistas.

Há casos bastante sintomáticos na modalidade, especialmente entre as mulheres. No Canadá, a skipper da Olimpíada de 2010, Cheryl Bernard (47 anos) perdeu lugar para Jennifer Jones (39) em 2014. Na Suécia, a aposentada Anette Norberg (hoje com 47) cedeu o lugar para Margaretha Sigfridsson (38). Hoje, porém, ver atletas abaixo dos 40 anos no curling – e até mesmo abaixo dos 30 – é bastante comum.

No entanto, nenhuma equipe representa tanto a renovação do curling feminino como a própria Rússia. O time de 2014 tem média de idade de 23 anos, e já atua junto há cerca de quatro anos – em 2010, o quarteto era formado pela skipper Liudmila Privivkova (então com 23), pela lead Ekaterina Galkina (21), pela segunda Nkeirouka Ezeh (26) e pela third Anna Sidorova (19). Passados quatro anos, Ezeh virou alternate (reserva do time), e Sidorova substituiu Privivkova, promovendo a entrada de Margarita Fomina (23). Alexandra Saitova (21) completa o time.

A explicação, segundo a própria Ekaterina Galkina, é a mudança do perfil da modalidade. Nos últimos anos, o curling se tornou menos técnico e mais físico. “Acho que é isso. Era um jogo para gente mais velha. Agora, vemos muita gente jovem. Também, é algo muito físico”, diz ela, que brincou ao afirmar torcer para que sua skipper, Sidorova, seja melhor do que a experiente Cheryl Bernard.

Tradição jovem

Entre as russas, não é de hoje que o curling é um esporte disputado por jovens. Na Olimpíada de Inverno de 2006, em Turim (Itália), a equipe já foi capitaneada por Liudmila Privivkova, então com 19 anos, tendo ao seu lado Nkeirouka Ezeh (com 22) e Ekaterina Galkina (com 17) – Olga Jarkova, então com 27, completava o quarteto titular. Passados oito anos, Galkina segue no time, com currículo e idade suficientes para pensar em jogar pelo menos mais duas Olimpíadas de Inverno.

São grandes as chances até mesmo de o quarteto ser mantido até lá, tendo em vista que Sidorova, Galkina, Fomina e Saitova já atuaram juntas antes, com relativo sucesso – em 2013, elas conquistaram a medalha de ouro na Universíade de Inverno de Trentino, na Itália. Na final, venceram a Coreia do Sul, que contava com a capitã Ji-Sun Kim, a mesma que lidera a equipe sul-coreana na Olimpíada de Inverno de Sochi.

“Acho que o curling está mudando, evoluindo nos últimos anos. Os mais jovens estão se classificando”, analisou Anna Sloan, 23 anos, third da equipe da Grã-Bretanha que disputa a Olimpíada de Sochi. “Há um novo nível de forma física, porque uma partida pode durar até três horas. Definitivamente, o curling está se tornando mais jovem. Acho ótimo para as pessoas que estão chegando agora”, completou.

Sloan é mais uma que pode falar com autoridade sobre o assunto. Em 2010, o time britânico no curling feminino tinha Jackie Lockhart (third, 44 anos), Kelly Wood (second, 28 anos) e Lorna Vevers (lead, 29 anos). A mais jovem era justamente a capitã, Eve Muirhead, que tinha 19 anos e era a mais jovem capitã da Olimpíada de Vancouver – acabou superada na mesma edição dos Jogos quando Anna Sidorova foi promovida ao posto na Rússia.

Hoje aos 23, Muirhead capitaneia um time que, além de Sloan, tem a second Vicki Adams (24) e a third Claire Hamilton (25). “Acho que há muitos jovens jogadores por ai. Talvez o mundo do curling esteja se tornando mais jovens. Acho que é bom ver sangue jovem aparecendo no esporte”, destacou a própria Muirhead ao Terra.

Tags: curling, Inverno, jogos, musas, olímpicos

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