Jornal do Brasil

Quarta-feira, 26 de Novembro de 2014

Esportes

COI esfria polêmica do luto, mas pede celebração em vez de manifestações

Portal Terra

As manifestações de luto na Olimpíada de Inverno de 2014, em Sochi (Rússia), têm se mostrado contraditórias. Embora o Comitê Olímpico Internacional (COI) tenha prometido homenagens a atletas mortos, a própria entidade vem torcendo o nariz quando as referências respeitosas partem de competidores.

O caso mais emblemático foi levado pelos canadenses, que usaram tarjas pretas no uniforme para homenagear a esquiadora Sarah Burke, morta em 2012 após um acidente durante treinos nos Estados Unidos. Delegações como Noruega e Austrália também realizaram manifestações, embora a snowboarder australiana Torah Bright tenha dito em sua conta no Instagram ter sido proibida pelo COI de homenagear a própria Burke.

“Estou aqui (…) em honra à minha grande amiga Sarah Burke, que deixou este mundo há dois anos. Sempre compito com um adesivo de Sarah em minha prancha e em meu capacete. O COI, no entanto, considerou os adesivos ‘manifestações políticas’ e os proibiu”, lamentou. “Sarah é uma mulher bonita, talentosa e poderosa, cujo espírito continua a me inspirar. Ela é um grande motivo para que o slopestyle sejam agora eventos olímpicos”, completou.

Curiosamente, na última segunda-feira (3), o presidente do COI, Thomas Bach, foi questionado a respeito de manifestações de luto em entrevista coletiva. Ao ser perguntado a respeito de uma possível homenagem ao georgiano Nodar Kumaritashvili, atleta do luge que morreu em acidente em Vancouver (Canadá) às vésperas da Olimpíada de Inverno de 2010, Bach assegurou que o atleta poderia ser homenageado, dando a entender que algum cerimonial poderia ser realizado em Sochi.

“Nós nos lembraremos de Nodar Kumaritashvili. Isto acontecerá com a Federação Internacional de Luge, em um encontro que teremos com as federações de esportes de inverno nos próximos dias”, disse o alemão. “Haverá também um encontro com representantes com o Comitê Olímpico Nacional da Geórgia. Também teremos um encontro onde não apenas nos lembraremos de Nodar, como também iremos discutir como esta homenagem poderá ser feita na Geórgia e como o Comitê Olímpico da Geórgia pode celebrá-lo em seu país”, acrescentou.

Os protestos dos atletas diante do veto oficial, no entanto, foram rapidamente respondidos nesta segunda-feira, uma semana depois do pronunciamento de Thomas Bach. Questionado sobre as homenagens de atletas a Sarah Burke, o porta-voz do COI, Mark Adams, afirmou que nenhum sinal de respeito é proibido, mas pediu para que os competidores se lembrem da Olimpíada de Inverno como uma possibilidade de celebração.

“Ela (Sarah Burke) precisa ser lembrada, e queremos ajudar os atletas a lembrar dela de alguma forma. Há vários tipos de coisas que podemos fazer. Da nossa parte, diríamos que as competições, que são um local de celebração, provavelmente não são o lugar ideal para isso. Gostaríamos de manter isso separado”, disse Adams em entrevista coletiva. “Mas nós absolutamente apoiaremos. Queremos qualquer tipo de lembrança que os atletas queiram promover”, acrescentou.

Tags: atletas, Inverno, jogos, mortos, russia, sochi

Compartilhe:

Postar um comentário

Faça login ou assine para comentar.