Jornal do Brasil

Sábado, 20 de Setembro de 2014

Esportes

Estádio para a Copa estaria sendo construído com trabalho escravo de haitianos

'Mirror News' faz denúncia envolvendo a Arena Amazônia

Jornal do Brasil

A Ordem dos Advogados do Brasil, ao Ministério Público, ao Ministério dos Esportes, à Procuradoria-Geral da República, à Comissão de Direitos Humanos da ONU e do Brasil, ao Ministério da Justiça e ao governo da Amazônia:

Isso pode ser verdade?

Além do povo não assistir aos jogos da Copa do Mundo no Brasil, devido aos altos preços dos ingressos, o povo agora vira mucama dos senhores feudais?

Isso pode ser verdade?

Reportagem do 'Mirror News' denuncia trabalho escravo na construção de estádio da Copa no Brasil
Reportagem do 'Mirror News' denuncia trabalho escravo na construção de estádio da Copa no Brasil

Reportagem publicada no Mirror News, no último domingo, denuncia que o estádio onde a Inglaterra jogará a Copa do Mundo, na Amazônia, está sendo construído por haitianos com mão de obra escrava.

>> Veja a reportagem

De acordo com a reportagem, centenas de sobreviventes do terremoto no Haiti estão sendo usados nas obras, trabalhando 10 horas por dia numa corrida contra o tempo para deixar a Arena Amazônia pronta para a competição.

Ainda de acordo com o texto, os poucos que recebem alguma remuneração têm de se contentar com 5 libras por dia, o que corresponde a cerca de R$ 20. Segundo relatam alguns dos haitianos, eles enviam o que conseguem  juntar para suas famílias, no Haiti.

Os haitianos vieram para o Brasil em busca de oportunidades, após o devastador terremoto que destruiu o país, em 2011. Cerca de 5 mil haitianos chegaram a Manaus sonhando em fazer dinheiro para ajudar a reconstruir suas vidas no Haiti.

Contudo, de acordo com a reportagem, muitos afirmam que foram enganados e acabaram sendo recrutados por empresas "desonestas".

"A empresa apareceu em um abrigo e recrutou 18 haitianos para trabalhar no estádio", afirmou o padre Felimon Rodriguez, que trabalha com haitianos refugiados. "Eles trabalharam um mês inteiro para descobrir que não havia salário para eles". De acordo com Felimon, a empresa que está construindo o estádio, Andrade Gutierrez, terceiriza o trabalho para outras empresas, que por sua vez contratam empresas de recrutamento.

Ainda de acordo com a reportagem, muitos haitianos não sabem falar português e nem conhecem seus direitos. Por isso, quando não recebem seus salários, não sabem o que fazer.

De acordo com a reportagem, um porta-voz da Andrade Gutierrez afirmou: "Nós não temos conhecimento de maus-tratos ou atrasos de pagamento a funcionários. O pagamento de um empregado terceirizado é de responsabilidade direta da empresa que o contratou." A construtora acrescentou ainda que, se foram provadas as acusações, serão exigidas soluções imediatas.

Por sua vez, um porta-voz do estado do Amazonas afirmou ao Mirror que as autoridades "não têm conhecimento desta prática", acrescentando que a maior parte do trabalho no estádio é terceirizado e que é "difícil identificar se há alguma verdade nessas afirmações."

O uso de mão de obra escrava na construção de estádios para a Copa do Mundo é um escândalo de proporções internacionais. As autoridades, aqui e lá fora, devem se pronunciar o mais rapidamente possível, e tomar providências para pôr fim a esta prática desumana e cruel.

A OAB, o Ministério Público, o Ministério da Justiça e a Procuradoria-Geral da República precisam agir, no campo da Justiça, para punir exemplarmente os culpados. A Comissão de Direitos Humanos, no Brasil e na ONU (já que se trata de uma grave irregularidade envolvendo estrangeiros), precisam se pronunciar, a garantir o resgate da dignidade a estes haitianos. O Ministério dos Esportes deve exigir esclarecimentos, já que a denúncia envolve a construção de estádio da Copa do Mundo, e o governo da Amazônia não pode se contentar em afirmar que as autoridades "não têm conhecimento desta prática." 

Tags: . estádio, brasil, Copa, escravo, haiti, Mundo

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