Jornal do Brasil

Quarta-feira, 23 de Abril de 2014

Esportes

Há 14 dias no cargo, técnico tira Raja da crise e recebe até ligação do rei

Portal Terra

Surpresa do Mundial de Clubes de 2013, o Raja Casablanca começou a competição desacreditado: a equipe vivia uma situação delicada depois de perder a final da Copa do Trono e amargar uma sequência ruim no Campeonato Marroquino e trocou de técnico cinco dias antes de estrear contra o Auckland City. Duas semanas depois, o time comandado hoje por Faouzi Benzarti é a grande sensação do país africano.

Tunisiano de 63 anos, Benzarti foi contratado pelo Raja em 6 de dezembro – sim, de 2013: apenas cinco dias antes da estreia no Mundial, contra o neozelandês Auckland City. Ele assumiu uma equipe que passava por um momento delicadíssimo, sem comemorar uma vitória desde o início de novembro.

Nas quatro partidas que antecederam o Mundial, o Raja havia sofrido duas derrotas e um empate no Campeonato Marroquino e perdido a decisão da Copa do Trono para o Difaa El Jadida, nos pênaltis. A última vitória havia sido em 9 de novembro, por 2 a 1, sobre o AS Salé.

Diante dessa sequência, a diretoria do Raja tomou uma decisão surpreendente às vésperas do Mundial, demitindo o treinador Mohamed Fakhir. A solução encontrada pelo presidente Mohamed Boudrika foi Benzarti, treinador experiente que já havia comandado a seleção tunisiana em duas ocasiões.

Benzarti conseguiu trabalhar sobretudo o psicológico dos jogadores do Raja, que alcançaram três vitórias seguidas e se classificaram de forma impressionante à final do Mundial. O bom trabalho do treinador teve um reconhecimento especial: Mohammed VI, rei do Marrocos, telefonou para o tunisiano e para outros atletas da equipe para parabenizá-los pela vitória por 3 a 1 sobre o Atlético-MG, na última quarta-feira.

"Não sou capaz de relatar a minha felicidade. Fico muito honrado por essa ligação. O reconhecimento da majestade é a maior honra em toda a minha carreira", comemorou Benzarti, em entrevista à emissora Al Oula.

A ligação de Mohammed VI reforça a comoção que o time de Benzarti causou em todo o Marrocos com a vitória sobre o Atlético-MG. Não apenas pelo fato de o monarca ser torcedor do Wydad Casablanca (e arquirrival do Raja), mas pelo fato de toda a população do país africano estar unida e ansiosa para a partida de sábado, contra o Bayern de Munique, na decisão do Mundial.

As chances do Raja são remotíssimas, há de se convir. Mas a expressão “pourquoi pas?” (por que não?, em francês) tem se alastrado entre jogadores e torcedores não apenas do time de Casablanca, mas de todo o Marrocos. Por que não?

Tags: decisão, futebol, marrocos, Mundial, Vitoria

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