Jornal do Brasil

Quarta-feira, 16 de Abril de 2014

Esportes

Mudança drástica na regra de motores promete reviravolta na F1 em 2014

Motores V8 utilizados até este ano serão substituídos por V6 com turbo

Portal TerraEmanuel Colombari

A Fórmula 1 espera por grandes mudanças na temporada 2014 - e quem diz isso são as próprias equipes. O motivo: a mudança no regulamento de motores. Anunciada ainda em outubro de 2011, a nova regra tem obrigado os engenheiros a trabalhar, e pode criar resultados imprevisíveis nas primeiras corridas do calendário.

Para continuar cortando custos, a categoria determinou que os motores V8 de 2,4 litros, usados até o final de 2013, sejam substituídos por motores V6 de 1,6 litros dotados de turbo. Com motores menores, os carros passarão a adotar o Sistema de Recuperação de Energia (ERS, versão atualizada do Kers), capturando força das frenagens. O ERS, porém, terá o dobro de potência da versão anterior, fornecendo mais energia aos carros.

Em resumo, os carros de 2014 serão "mais elétricos", movendo-se com combustível fóssil e um sistema complementar de energia. Para deixar claro o caráter "híbrido" dos carros, os tanques de combustível terão as capacidades reduzidas, de 140 kg para 100 kg.

E é com isso que as equipes têm que se virar nos últimos dois anos - sem exagero, é o tempo que alguns engenheiros têm trabalhado nos projetos para 2014. Para Guy Lovett, gerente de tecnologia da Shell para a Ferrari, o desafio das equipes será equilibrar essa conta: ter carros econômicos, potentes, duráveis e competitivos. Tudo ao mesmo tempo.

"Não se trata apenas do combustível, mas de toda a energia do carro. Os pilotos terão que adaptar seus estilos a isso", afirmou Lovett, sem saber precisar se o resultado da conta será o ideal. "Uma das experiências que as pessoas mais gostam na F1 é ouvir o barulho dos motores. E sim, o som vai mudar", previu.

Segundo Lovett, a Ferrari e a Shell têm trabalhado no carro de 2014 há um ano e meio. Parece muito? Na Lotus, o trabalho começou antes, há dois anos. Na equipe de Enstone (Inglaterra), cerca de 5,5 mil funcionários trabalham para tirar o carro do papel desde 2012, utilizando dados de telemetria colhidos desde então. O desafio no time agora é colocar na pista um carro construído desde o início em conjunto com o motor.

"No próximo ano, vamos trocar os motores. Com o turbo, teremos uma tecnologia diferente. Iremos utilizar tecnologia inutilizada (ERS). Será uma tecnologia nova. Iremos criar o carro já com o motor. Será algo novo", explicou Fleur Foster, gerente de parcerias da Lotus. "Sei que os dados serão usados, mas não sei o quanto. Afinal, começamos o carro do papel", completou.

Nem todo mundo resistiu a essas exigências. A Cosworth, que equipava os carros da Marussia, deixará a categoria mais uma vez ao fim de 2013 - os carros da equipe russa serão equipados pela Ferrari. Paralelo a isso, a Honda trabalha para voltar dentro das exigências em 2015.

A Toro Rosso terá motores Renault (assim como a Red Bull) em 2014, enquanto a Williams será empurrada por motores Mercedes. Diante da exigência de planejamento e da restrição de testes, as trocas de fornecedoras de motores são um risco a mais para as equipes que buscam evolução.

"Há uma limitação no número de testes, então isso compromete o trabalho das equipes. Mas a limitação é a mesma para todas", despista Guy Lovett, que vê um "processo de desenvolvimento contínuo" nos motores a partir do início da temporada. A opinião é semelhante à de Lewis Hamilton, piloto da Mercedes.

"Os caras têm trabalhado duro. Desde que cheguei à F1, este tem sido o período mais difícil para as equipes. Estamos dando 110% de cada um de nós para termos o melhor", apontou o britânico, que aposta em um bom começo de temporada da Mercedes para poder desafiar o domínio da Red Bull nas novas regras.

Tags: 1, Formula, motores, Novos, reformulação

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