Em amistoso da discórdia, Brasil pega Bolívia e Felipão caça novidades
Uma semana inteiramente chuvosa, em Santa Cruz de la Sierra, se completa neste sábado com o encontro entre a Bolívia e a Seleção Brasileira, às 16h30 (de Brasília), no Estádio Ramon Aguilera. Para seu quarto jogo desde a volta ao cargo, Luiz Felipe Scolari só terá jogadores que atuam no Brasil, e ainda assim mais desfalques. Além disso, quatro garotos Sub-20 em um banco de reservas incompleto e nenhum treinamento realizado. E este não é o maior problema do amistoso da discórdia entre os bolivianos...
Anunciado por José Maria Marin, presidente da CBF, como beneficente à família do jovem morto - em duelo entre San José-BOL e Corinthians em fevereiro - Kevin Espada, o confronto é encarado de outra maneira pela Federação Boliviana. Segundo seu presidente, Carlos Chávez, os recursos serão divididos com os campeões da Copa América de 63, mas a Federação irá absorver ainda o dinheiro gasto para a realização. A CBF afirma ter abdicado do cachê de R$ 2 milhões que normalmente cobra.
As informações veiculadas revoltaram a família Espada que, só na última quarta-feira, recebeu convite para ir de Cochabamba até Santa Cruz de la Sierra acompanhar o jogo. Limbert Beltrán afirmou que não pretende assistir ao amistoso e protestou publicamente. "Estão usando o nome de meu filho para promover a partida", reclamou o pai de Kevin.
Em meio à situação desconfortável, Luiz Felipe Scolari terá um adversário acessível em busca da primeira vitória na volta ao cargo - até aqui, tem derrota para a Inglaterra e empates com Itália e Rússia. Felipão, que só convocou jogadores que atuam no Brasil, admitiu uma dose de superstição na partida, sua penúltima até a convocação da Copa das Confederações. Em janeiro de 2002, enfrentou a mesma Bolívia em jogo semelhante e, a partir dali, resolveu apostar em Gilberto Silva e Kléberson, destaques no pentacampeonato.
Sem muito tempo para definir a lista final para o torneio a ser disputado em junho, Felipão vai tentar encontrar, no grupo formado por atletas do futebol brasileiro, algumas novidades. Por isso, até abdicou de nomes que já considera realidade para a Copa das Confederações, casos do gremista Fernando e de Fred, do Fluminense. Depois de adiar a convocação por duas oportunidades, terá na Bolívia só 17 jogadores - mas ainda assim a chance de reunir Neymar, Ronaldinho e Alexandre Pato.
Será a décima vez na história que a Seleção Brasileira vai a campo contra a Bolívia em seu país, mas desta ocasião longe da altitude. Em La Paz (3660 metros) ou Cochabamba (2500 metros), o retrospecto é bem ruim: uma vitória, um empate e seis derrotas. Em Santa Cruz de la Sierra, como neste sábado, venceu na visita realizada em 1981.

