Jornal do Brasil

Sexta-feira, 24 de Maio de 2013

Esportes

Pressionado por Marin, Gallo se desdobra por sonho com Rio 2016

Sua missão, segundo o presidente da CBF: “É o título ou o título, custe o que custar"

Portal TerraDassler Marques

Uma semana. Foi esse o período que Alexandre Gallo teve para deixar o Náutico em meio ao Campeonato Pernambucano e convocar 28 jogadores que não conhecia para jornada de treinamentos da Seleção Brasileira Sub-17. Nesse meio tempo, conversou com Ney Franco e Marquinhos Santos, hoje no São Paulo e no Coritiba, mas que passaram pela base da CBF até o último ano. Ouviu as pessoas da própria Confederação, também. Mais alguns dias depois, outra convocação importantíssima: a definitiva para o Sul-Americano Sub-17. 

Os primeiros objetivos do novo cargo, Gallo acredita, foram atingidos. Fazer uma convocação o mais justa e segura possível para o Sul-Americano e deixar claro aos jogadores que indisciplinas como aquelas que ocorreram no Sul-Americano Sub-20, em janeiro, não serão toleradas. Mas isso não significa que é fácil a vida de quem trabalha na base da CBF. Na realidade, é o oposto.

Gallo acredita que os primeiros objetivos do novo cargo foram atingidos
Gallo acredita que os primeiros objetivos do novo cargo foram atingidos

De José Maria Marin, apurou o Terra, ele ouviu a seguinte missão: “é o título ou o título, custe o que custar. Precisamos apagar o vexame da Sub-20?, disse o presidente da CBF. Na útlima sexta-feira, o treinador viria a saber pela imprensa que seu coordenador, Bebeto, havia se demitido sem explicações muito convincentes. Foi mais um, entre tantos, sem projeto de longo prazo para trabalhar com a formação de jogadores. 

Gallo promete que com ele será diferente e já mostrou serviço. Nos últimos dias, se desdobrou para visitar uma série de clubes, estreitou relacionamento com treinadores da base e deu início à montagem de um banco de dados que tem objetivo claro: os Jogos Olímpicos de 2016, no Rio de Janeiro, para a cobiçadíssima medalha de ouro olímpica. “É um grande sonho”. 

Alexandre Gallo - Aumentei um pouco o leque de atletas para 28 nomes na primeira lista. Tive uma conversa interessante em Curitiba com o Marquinhos Santos, que iniciou essa base de atletas, e também com o Ney Franco. Aumentei o número até 28 para conhecê-los. Desses 28, ficam 25 para que saia a lista definitiva para o Sul-Americano, com 23. Foram dez dias de treinos técnicos, exclusivamente sem parte física, para ter um conceito mais firme de cada atleta.

Terra – Como foi convocar o Mosquito, que não joga há muitos meses? Isso foi levado em conta?

Gallo - Para essa idade se antecipam muitas fases da preparação física. Em dois jogos amistosos que teremos, podemos dar uma cancha para ele. O Mosquito tem um histórico positivo de Seleção. Ele treinou com o time Sub-23 do Atlético-PR e, pelo que soubemos, tem boas condições físicas. A gente confia que pode ser extremamente importante pelo jogador que é. Na lista anterior, não foi convocado a pedido do Vasco, pelo litígio, e a CBF realmente entendia que deveria haver um consenso.

Terra – Há um jogador interessantíssimo na posição, com recordes de gols e que treina muitas vezes no Manchester United, que é o Bruno Gomes, do Desportivo Brasil. Esse jogador praticamente nunca foi chamado. Há algum motivo?

Gallo - O Brasil é um celeiro muito grande. Sei que o Bruno teve participações muito boas, se destacou na categoria e teríamos vários outros atletas. Como na função de volante também. São escolhas pelo histórico do Mosquito e pelo momento do Kennedy. Talvez no futuro próximo ele possa estar em condições. Mas para iniciar o trabalho, preciso de um norte e fizemos a escolha em função desse lastro de Seleção, que conta bastante.

Terra – Como tem sido sua ambientação ao trabalho de base? Você estava em um contexto totalmente diferente, na Série A e com profissionais.

Gallo - Foi bem tranquila, até porque a ideia do presidente foi de trazer um pouco mais de profissionalismo. Mesmo na categoria Sub-17, há jogadores perto dessa condição. Fiquei muito contente e lisonjeado pelo convite, de poder trazer um lado mais profissional do futebol, de seriedade e comprometimento. Em função da Lei (Pelé), tivemos algumas fases antecipadas e o profissionalismo é necessário.

Terra – Você tem viajado muito, buscado conhecimento de pessoas que acompanham mais a base. Como tem sido esse processo?

Gallo - É dentro de algo que queremos. Daqui para a frente, vamos estreitar essa relação entre a CBF e os clubes. Trazer os clubes mais próximos, ter relação com os treinadores de cada categoria para saber o momento de cada atleta. Eles estão contentes com isso. Vamos ter todos os cronogramas e fichas de treinamento. Os clubes vão nos abastecer para minimizar erros em convocações de atletas.

Terra – É um banco de dados abastecido pelos clubes? Como funcionará?

Gallo - Por exemplo, às vezes você tem um atleta parado no departamento médico por 15 dias e aí volta, trabalha por cinco dias. Você telefona para convocar e o clube diz que está apto, mas não para ter um alto rendimento. Precisamos de certezas e vamos ter a condição de estreitar o contato com os treinadores. É de interesse comum. Se eu fosse treinador do clube, ia querer passar tudo para a CBF. Se o jogador bate na Seleção e volta, não é bom para ninguém.

Terra – Seu contrato com a CBF é de carteira ou tem vigência? Qual seu plano de carreira no cargo? Olimpíada é a meta?

Gallo - É de carteira, como com o Felipão e outros hoje na CBF. Sem dúvida que a ideia é realizar o sonho pessoal de poder disputar a Olimpíada no Brasil. É um grande sonho. Vai depender de tudo que aconteça no trabalho, mas é um objetivo nosso e da CBF, do presidente Marin. Para isso estou mapeando todas as categorias no ano e para 2014 o plano é ter comissões técnicas em todas.

Terra – Há notícias antigas que dão conta de um possível desentendimento entre o Caio Zanardi, novo treinador da Seleção Sub-15, e você. Ainda nos tempos de Santo André, em 2009, quando você era treinador e ele dirigente. Houve isso?

Gallo - Se tivesse ele não estaria aqui (na Seleção). Isso é notícia falsa. O Caio é um amigo de longa data e sempre tentamos trabalhar juntos, pelo conhecimento que já tínhamos um do outro. Estive nos Emirados Árabes por um ano e acompanhei o trabalho dele quando estava por lá, os processos que criava nas categorias de base. Não foi fácil tirá-lo de lá. Sei do potencial, do entendimento dele, e da minha extrema confiança nele. A situação é falsa.

NR.: A discussão, na realidade, foi entre Gallo e os superiores de Caio Zanardi, então diretor de futebol do Santo André e que serviu de interlocutor. Gallo acusou ingerência em seu trabalho e pediu demissão.

Terra – Qual sua expectativa em termos de resultados para o Sul-Americano Sub-17?

Gallo - A perspectiva sempre do Brasil tem que ser de título. Respeitar os adversários independente da bandeira, mas ter os pés no chão.

Terra – Você será mais exigente com o comportamento dos atletas? Há essa orientação?

Gallo - Sim. Minha conversa é olho no olho com os atletas. Já tivemos uma conversa bem franca na minha chegada, todos tiveram um ótimo comportamento. Não houve uma vírgula de problema. Precisa haver parceria, mas do comprometimento não vamos abrir mão.

Tags: base, dirigente, JB, olho, Parceria

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