Jornal do Brasil

Sexta-feira, 24 de Maio de 2013

Esportes

Em SP, argentino conta como equipe encordoou 490 raquetes em um dia

Portal Terra

Luis Pianelli demora bastante para dizer ao Terra qual é a história mais curiosa que já viveu no circuito da Associação dos Tenistas Profissionais (ATP). Aos 45 anos, o argentino não é atleta, mas cuida no Brasil Open de uma parte fundamental para o jogo: o encordoamento das raquetes.

“São muitas anedotas”, responde Pianelli, que após bastante pensar elege uma. “28... de agosto... de 2011”, afirma, pausadamente. Nesse domingo, um furacão em Nova York impediu que a equipe de encordoadores do Aberto dos Estados Unidos saísse do hotel onde estava hospedada, em Manhattan, e se dirigisse ao complexo que abriga a competição, em Flushing Meadows.

Argentino Luis Pianelli lidera equipe de encordoadores do Brasil Open
Argentino Luis Pianelli lidera equipe de encordoadores do Brasil Open

No dia seguinte, na abertura da chave principal do torneio, os encordoadores correram para compensar o atraso, chegando à sede da competição às 6h30 e saindo de lá à meia-noite. No total, 490 raquetes foram encordoadas, um recorde diário na história dos Grand Slams segundo a contabilização da Wilson, que tem acordo para fornecer o serviço também no Brasil Open.

Usando o celular, o argentino exibe uma foto da placa recebida como lembrança pelo recorde. Ele não trabalhou em 490 raquetes sozinho – era o único sul-americano da equipe formada por 12 pessoas. Cada unidade toma cerca de 20 minutos para ser finalizada – o que daria uma média de mais de 13 horas de serviço para cada funcionário.

Pianelli vive em Arroyo Seco e começou a encordoar raquetes aos 13 anos de idade em uma máquina manual, “pequenininha”, como relata, pela qual o pai pagou cerca de US$ 100 (R$ 197, segundo a cotação atual). Na época, o garoto jogava tênis e precisava ir até Rosário, cidade localizada a 30 km de distância, para ter o equipamento aparelhado.

Hoje advogado, ele encordoa raquetes profissionalmente. Começou nos Grand Slams em Roland Garros, em 1999, e já o fez em três dos quatro maiores torneios do mundo – a exceção é Wimbledon, onde diz que sua participação é vetada devido à exigência do passaporte europeu.

Pela primeira vez trabalhando no Brasil, ele conta com uma máquina automática de última geração, avaliada em R$ 25 mil, que a um toque se ajusta à altura do encordoador para melhor manuseio. A equipe do torneio sediado no Ginásio do Ibirapuera tem outros três encordadores, os únicos brasileiros no mundo a ostentarem o Master Racquet Technician, certificado fornecido no curso da Associação dos Encordoadores de Raquetes dos EUA (USRSA, na sigla em inglês).

São eles Ricardo Dipold, 35 anos, Francisco Bruni, 41, e Andrea Amaral, 47, que possuem estabelecimentos de tênis respectivamente em Serra Negra, Sorocaba e Vassouras. Dipold destaca que a maioria dos tenistas do Brasil Open utiliza tensão abaixo de 50 libras (o equivalente a 22,68 kg) – na contramão de muitos amadores que preferem números mais altos. Os dados se referem à “tensão real” oferecida pela máquina do torneio, havendo variações para equipamentos diferentes usados em lojas comuns.

Até a noite desta segunda-feira, a equipe do torneio havia trabalhado em 211 raquetes desde o início do qualificatório, no último sábado. A corda mais rígida foi a do alemão Dustin Brown, com 66 libras, tensão não recomendada para amadores; a mais frouxa foi a do italiano Filippo Volandri, com 24,2 libras. Durante o Brasil Open de 2012, o fisioterapeuta da Confederação Brasileira de Tênis (CBT), Ricardo Takahashi, destacou a baixa tensão usada por Volandri como um exemplo para amadores – especialmente crianças e idosos – evitarem dores no braço.

Cabeça de chave número 1 do ATP de São Paulo, Rafael Nadal utiliza uma tensão de 55 libras, segundo Pianelli, mas utiliza uma corda mais grossa que o comum, de espessura de 1,35 mm, para aumentar o controle.

Em São Paulo, a altitude modifica o equipamento dos tenistas. Não à toa há um aviso na parede da sala de encordoamento destacando os 760 m de altura da cidade. Com a bola andando mais rapidamente, os atletas fazem ajustes para ganhar controle. O brasileiro João Souza, o Feijão, por exemplo, treina no Rio de Janeiro e diz aumentar três ou quatro libras para atuar na capital paulista. Suas últimas raquetes saíram da sala com 44, 45 e 49 libras.

Os atletas têm seus próprios rolos de corda e é normal levar à quadra materiais com tensões diferentes, adaptando-se às condições de cada partida, e pedir um novo encordoamento mesmo no decorrer dos jogos. Cada troca custa US$ 20 (R$ 39), valor que pode ser pago em dinheiro, cartão ou ser descontado do prêmio em dinheiro recebido pelo jogador. O Brasil Open paga US$ 4.670 (R$ 9.214) ao perdedor da primeira rodada e US$ 82.300 (R$ 162 mil) ao campeão.

Tags: Argentina, ATP, brasil open, raquetes, tênis

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