Jornal do Brasil

Quarta-feira, 19 de Junho de 2013

Esportes

Pedrinho se despede com festa e cobranças da torcida para Dinamite

Portal Terra

O dia era de festa. Afinal, Pedrinho, um dos ídolos do Vasco, tinha sua despedida. E a torcida soube homenagear o campeão de um dos maiores títulos do clube, a Copa Libertadores de 1998. Com fogos, palmas, gritos e boa presença (9.662 foram ao Estádio São Januário), viu 63 minutos de bom futebol do atleta contra o Ajax. O clube cruzmaltinho venceu por 1 a 0, e o jogador apagou a imagem de sua retirada anterior - quando o clube foi rebaixado para a Segunda Divisão do Campeonato Brasileiro, em 2008. E ouviu cobranças à direção que dispensou seu amigo Felipe.

Pedrinho ouviu pedidos para ficar. Deu vontade de voltar outra vez. Mas passou. "Meu carinho pelo Vasco é muito grande. Não tenho nem palavras para descrever tanta emoção. Acho que não sou capaz de representar o Vasco à altura mais. Bate vontade de ficar, mas não parei agora apenas, já faz uns quatro anos. Acabou", afirmou Pedrinho, bastante emocionado.

A festa foi comandada pela cantora Fernanda Abreu, vascaína de carteirinha. Ela chamou o ex-jogador ao campo para que ele vestisse a camisa 98. No centro do campo ele recebeu homenagem de Edmundo e outros companheiros daquele time que disputava todos os títulos de campeonato - não levou o Mundial quando Pedrinho se lesionou e não pôde disputar a partida contra o Real Madrid.

Por um tempo, Pedrinho foi encoberto pela fumaça de fogos de artifício que o Vasco estourou em sua homenagem. Recebeu uma placa comemorativa do presidente Roberto Dinamite, enquanto o telão de São Januário mostrava uma imagem sua e um agradecimento: "obrigado, Pedrinho".

O resto foram arrancadas, passes com categoria e velocidade, tudo que o jogador sempre mostrou em campo, mas não tem mais condições físicas de fazer durante uma sequência de jogos em nível profissional. Seus melhores momentos, por incrível que pareça, ocorreram no segundo tempo, quando o desgaste dos 35 anos já devia aparecer. No início da etapa, uma bela jogada que Thiaguinho colocou nas redes em impedimento. Um pouco depois, lençol no holandês Eriksen, o craque do Ajax. Mereceu cumprimento até do árbitro Marcelo de Lima Henrique. "Às vezes a torcida gosta mais de uma jogada bonita do que um gol", disse.

O que Pedrinho não merecia era se despedir em um campo tão judiado. O gramado de São Januário mostrou descaso. Cada passe, dividida, levantava areia. Reflexo de ações de uma diretoria que soube valorizar alguns de seus ídolos - além de Pedrinho, Edmundo também teve direito a uma despedida recentemente -, brigou com outros, como Romário e Felipe, e ainda não descobriu a fórmula para minimizar os efeitos de um endividamento alarmante.

A torcida vibrou com Pedrinho, um ídolo dos anos recente, mas não poupou críticas a Dinamite, o maior de todos os vascaínos dentro de campo e o mais recente vilão da história do clube. "Ôôô, queremos jogador" e "Felipe, Felipe" foram os principais gritos entoados em um São Januário que devia ser apenas de festa e tranquilidade no início de temporada.

Aplaudido pela torcida, Pedrinho foi substituído aos 17min do segundo tempo por Felipe Souto. Sua carreira terminou oficialmente aos 45min, quando ele voltou ao campo apenas para dar um adeus no gramado. Agora o Vasco depende de Bernardo, o melhor em campo, e Thiaguinho, jogadores formados nas categorias de base assim como Pedrinho e Felipe, para sair de fase difícil dentro e fora de campo. Foi do primeiro o passe para o único gol do jogo, de Wendel, aos 17min da primeira etapa.

Tags: ajax, Campeonato, de, Esportes, futebol, janeiro, pedrinho, Rio, vasco

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