Após recuperação do filho, campeão olímpico Dante volta à vida normal
Jornal do Brasil
RIO - Ouro nos Jogos Olímpicos de Atenas, em 2004, e prata em Pequim, em 2008, Dante está de volta ao vôlei europeu. Após um período defendendo as cores do São Bernardo, o jogador de 29 anos também marcou o reencontro com a seleção brasileira. Tudo isso por causa da recuperação do pequeno Antônio, seu filho caçula de dois anos, que conseguiu se recuperar de uma grave operação no coração. Agora, Dante leva sua mulher e os dois filhos (além de Antônio, é pai da pequena Giovanna, de cinco anos) para Moscou, onde enfrentará o rigoroso inverno. "É difícil acostumar com o frio que, muitas vezes, chega até os - 30 C", admite.
Depois de seis meses no Brasil, você retornou à Rússia. Por que decidiu retornar à Europa?
Voltei para o Brasil por causa do meu filho, Antônio (2 anos), pela necessidade dele estar no Brasil para que pudesse se recuperar. Antônio teve problemas de saúde quando nasceu e precisou de cuidados especiais. Precisava retornar e encontrei uma equipe que me deu as melhores condições para isso, por isso sou grato ao São Bernardo, que me acolheu e me deu a oportunidade de voltar para jogar num grande clube, onde ganhamos títulos e pude estar perto do meu filho. Hoje, ele está bem, saudável e forte. Antônio é um guerreiro. Venceu uma batalha longa pela vida e merece toda a felicidade do mundo por ter passado por tanta coisa em tão pouco tempo.
Qual foi o problema de saúde dele? Ele está totalmente recuperado?
Sim, está recuperado, saudável e é uma criança feliz. Antônio nasceu com uma má formação no coração, com os ventrículos trocados, e precisou passar por uma cirurgia com semanas de vida na Grécia, porque eu estava jogando no Panathinaikos, em Atenas. Esta intervenção foi batizada como 'Operação de Jatene', por ter sido desenvolvida pelo Dr. Adib Jatene, e quem nos ajudou muito nesse momento em que não sabíamos exatamente o que poderia acontecer. Foi o Dr. Marcelo Jatene, filho do Dr. Adib, que conversou com os médicos da Grécia, e nos tranquilizou muito. Encontrei o Dr. Marcelo meses depois no Brasil e levei o Antônio para conhecê-lo pessoalmente, ele foi um anjo da guarda para o Antônio.
E em 2010, você estará de volta à Seleção Brasileira?
Sim, com certeza, já estou com saudade de vestir a camisa do Brasil. Precisei ficar fora em 2009 para poder dar atenção ao meu filho. Todos na equipe me deram muita força, muito apoio, e isso me ajudou a ficar tranquilo, a ficar mais confiante de que tudo daria certo.
O que esperar da Seleção Brasileira na próxima temporada?
Vamos entrar para brigar pelo título em todas as competições, é esse o nosso objetivo. É isso que o torcedor quer e é para isso que treinamos forte o ano todo. O vôlei mundial está muito nivelado. Há seleções renovadas, que estão ganhando muito em altura, e jogando num ritmo forte. O Brasil também está renovando, esta renovação já está sendo feita. E, pela qualidade dos que estão chegando e dos que estão na equipe, a seleção brasileira segue vencendo, segue vitoriosa. Tenho certeza de que 2010 será um ano muito bom para o vôlei brasileiro.
E como é o vôlei na Rússia? Qual foi a maior dificuldade para se adaptar?
O nível é muito bom, uma liga equilibrada, onde as equipes investem bastante e há jogadores de vários países. A minha adaptação não foi muito complicada, não. Já morei em vários lugares, em cidades diferentes, então já estou acostumado. Mas entender o russo e suportar o frio são coisas que assustam um pouco. Joguei aqui um ano, do meio de 2008 ao meio de 2009, e retornei tem um mês. Aprendi um pouco de russo, mas é difícil acostumar com o frio que, muitas vezes, chega até os - 30 C.
O Rio de Janeiro foi escolhida sede dos Jogos Olímpicos de 2016. Você se vê competindo no Brasil?
Tenho 29 anos, em 2016 vou estar com 36 anos e não sei como vou estar até lá, se ainda vou estar jogando em alto nível, se ainda vou estar jogando, se vou continuar na Seleção Brasileira. Gostaria muito de disputar os Jogos do Rio de Janeiro, mas se não estiver em quadra, estarei por perto. não vou ficar de fora desse momento histórico do nosso esporte. Disputei três Olimpíadas e vi o quanto o país cresce com essa oportunidade. Scho que não só o Rio de Janeiro, mas o Brasil vai se transformar com os Jogos Olímpicos. Vamos organizar uma competição que o mundo inteiro jamais vai esquecer.
