Em busca de mais medalhas, COB faz programa de testes em atletas
Fúlvio Melo, Jornal do Brasil
DA REDAÇÃO - Tecnologia a serviço da excelência. Esse é o lema do Comitê Olímpico Brasileiro. Por meio de um novo programa de acompanhamento dos atletas, a entidade máxima do esporte no país busca melhorar a performance dos principais competidores brasileiros. Com o fim das comemorações pela escolha do Rio como sede dos Jogos de 2016, o momento é de melhorar o desempenho de medalhas já na próxima Olimpíada, em Londres-2012.
Não podemos projetar só 2016. Temos competições importantes e esse projeto é pioneiro no país afirmou Maurício Rodrigues, supervisor da área de Ciência do COB, responsável pelo projeto pioneiro no país.
Implementado desde o início do ano, o principal objetivo é detectar carências nos atletas e, ao lado dos técnicos, melhorar o desempenho dos atletas de ponta, fazendo com que muitos deixem de ser meros coadjuvantes e passem a ser expoentes no cenário mundial.
A primeira etapa é levar o projeto ao atleta Jhonatan Longhi, brasileiro classificado para os Jogos Olímpicos de Inverno e principal nome do esqui alpino em um país assolado pelo calor. Morando na Itália desde pequeno, o esquiador já colhe os frutos do trabalho.
Estamos atingindo rapidamente os nossos objetivos: mais resistência, mais velocidade e melhor recuperação após os treinamentos explicou Lorenzo Longhi, pai e gestor da carreira do esquiador, que aceitou a iniciativa do COB.
Uma bateria de exames, incluindo análises de gases respirados, testes metabólicos, percentual de gordura, realizada geralmente em dois dias, é feita para testar o nível dos atletas. A partir daí é comparada aos resultados dos principais adversários da modalidade. No caso de Jhonatan, a seleção italiana de esqui, uma das potências, foi escolhida.
Com os resultados em mãos, os supervisores se reúnem com os técnicos e equipes envolvidas para traçarem um novo planejamento de treinamentos, para aumentar o potencial do atleta e diminuir os riscos de lesões.
No caso de Jhonatan, o programa já mostra benefícios. Em julho, o atleta foi submetido aos exames em um laboratório da Itália, modificou alguns pontos do treinamento. Em outubro, passou novamente pela série de exames e já apresentou melhoras.
O nível aeróbico de Jhonatan evoluiu em 8%. Sua absorção de ácido lático cresceu em 30%, assim como diminuiu a porcentagem de gordura corporal e ganhou massa muscular. Os gastos com Jhonatan, ultrapassaram US$ 22 mil. Os gastos foram pagos pela Solidariedade Olímpica do Comitê Olímpico Internacional. A proximidade dos Jogos de Inverno, em Vancouver, entusiasma o competidor dos trópicos.
O objetivo para Vancouver é ser um dos mais rápidos competidores dos países não alpinos e alcançar uma posição no mínimo próxima ao top 30 revelou ele.
Outros importantes nomes do esporte nacional já desfrutam do programa. O velejador Ricardo Winicki, o Bimba, aceitou fazer parte do projeto. Marcado por deixar escapar a medalha olímpica em 2004, nos Jogos de Atenas, Bimba tenta o plus para medalhar em Londres-2012.
Gastamos com o Bimba cerca de R$ 120 mil, em 10 meses. Trouxemos preparadores físicos e um personal trainer , para acompanhá-lo explicou Maurício.
Mas o benefício pode ter prazo de validade. Se os esportistas não apresentarem melhoras nas competições, o programa pode ir para outro atleta.
Após um ano, os dados são analisados e, se não houver melhoras, podemos cancelar o projeto para determinado atleta assegurou Maurício.
Por sinal, outros esportes já estão previstos para entrar no programa. A Confederação de Desporto Aquáticos tem reunião prevista para acertar os detalhes do projeto com os atletas da maratona aquática Poliana Okimoto, Alan do Carmo e Ana Marcela Cunha. O taekwondo, com Natália Falavigna, principal nome do esporte no país, e o judô serão os próximos beneficiados.
Como a seleção dos atletas para os Jogos mudou, vamos fazer uma triagem no judô para escolhermos os principais atletas e desenvolvermos o projeto.
Ainda em fase experimental, o projeto já foi copiado. O Comitê Olímpico Britânico lançou um programa semelhante, com uma verba maior de investimento para atender seus atletas. Trabalho digno de James Bond.
É muito semelhante. Só que a verba deles é muito maior que a nossa concluiu Maurício.
