Jornal do Brasil

Quinta-feira, 23 de Outubro de 2014

País - Eleições 2014

Cinco candidatos ao governo do Rio participam de debate na RedeTV

Tarcísio Motta lembrou dos "guardanapos em Paris" 

Jornal do Brasil

Violência, UPPs, milícias e transporte público estiveram entre os temas dos cinco principais candidatos ao governo do Rio de Janeiro, que se enfrentaram no debate produzido pela RedeTV e o Portal iG, com a participação do jornal O Dia. O encontro aconteceu no Teatro Oi Casa Grande, no Leblon. Participaram do evento Anthony Garotinho (PR), Luiz Fernando Pezão (PMDB), Marcelo Crivella (PRB), Tarcisio Motta (PSOL) e Lindberg Farias (PT).

Concorrendo à reeleição, o governador Luiz Fernando Pezão foi o alvo principal dos adversários. Mas Anthony Garotinho (PR), Marcelo Crivella (PRB), Lindberg Farias (PT) e Tarcisio Motta (PSOL) também trocaram farpas entre si.

As milícias tomaram grande parte do debate. Tanto Pezão quanto Garotinho foram acusados de serem tolerantes com esses criminosos, permitindo que suas ações ilegais se fortalecessem.

Momentos de ironia e descontração também fizeram parte do encontro, quando, por exemplo, o candidato Tarcísio Motta disparou: "O desenvolvimento está indo para as pessoas de guardanapos na cabeça em Paris", uma referência à "farra" protagonizada na capital francesa por vários secretários do governo Cabral e o empresário Fernando Cavendish.

Outro momento descontraído foi quando Garotinho se referiu ao secretário de Esportes, André Lazaroni: "Deve ser um mestre de frescobol".

>> Candidatos ao governo do Rio participam de debate na TV 

>> Ibope: Garotinho tem 27%, Pezão, 19%, e Crivella, 17%

No primeiro bloco, candidato pergunta a candidato.

Lindberg pergunta a Pezão: O senhor conta a sua história, mas oculta uma parte dela. Depois que deixou a prefeitura de Piraí, virou aliado de Anthony Garotinho, e trabalhou no governo Rosinha. Por que o senhor esconde essas informações?

Pezão responde: 'Senador, eu não escondi, está no meu site, você pode ver a minha trajetória, me orgulho muito dela. Fui prefeito de Piraí por 8 anos, fui reeleito com mais de 80% dos votos.(...) Eu me orgulho muito dessa minha trajetória. Vim ajudar o governo e me orgulho da minha trajetória', disse o candidato, que questionou o fato de Lindberg não ter ficado toda sua gestão na prefeitura de Nova Iguaçu. "Trazer um tema desse pro debate é lamentável. É lamentável que o senhor não traga para esse debate temas para resolver as questões do Rio". Pezão lembrou também do apoio que o petista recebeu na sua candidatura ao Senado, inclusive dos políticos citados em sua pergunta.

Réplica de Lindberg: Me desculpe, mas o eleitor tem o direito de conhecer a sua trajetória'. 'O seu slogan fala em mudança', diz Lindbergh. Ele ressalta que o governador 'está no mesmo governo da turma que comanda o estado há 16 anos'. 'Esconde até o ex-governador Sérgio Cabral'. Ele cita todos os governantes do Rio de Janeiro e os relaciona ao candidato do PMDB.

Tréplica de Pezão: 'É lamentável senador. O senhor que teve todo o apoio dessas pessoas que citou, e agora é graças a ele é senador'. Pezão lembrou que o candidato petista não cresceu nas últimas pesquisas de intenções de voto, e deve isso ao fato de não ter recebido o devido apoio dos líderes locais e prefeitos que o apoiaram durante suas outras campanhas. 'Infelizmente senador, o senhor não conheceu nem a sua cidade. Esse muro que você falou tanto, não o deixou conhecer a Rodilândia e outros bairros da sua cidade'.

Garotinho pergunta para Crivella: "Quero agradecer a você, eleitor do Rio, que tem me recebido com carinho, me colocando em primeiro lugar, reconhecendo um governo humano voltado para as pessoas. Diferente do governo atual, elitista. Minha pergunta é sobre mobilidade urbana: qual seu plano?".

Crivella responde a Garotinho: "Estou muito preocupado com a mobilidade. Temos há décadas um movimento pendular. Todos os dias precisamos trazer de São Gonçalo milhares de pessoas para onde estão os empregos formais. Precisamos melhorar a linha de trens. Precisamos comprar novos trens, cada composição com quatro custa US$ 10 milhões, precisamos de 200. Precisamos investir US$ 2 bilhões. Poderíamos diminuir o intervalo dos trens, levá-los com mais conforto. O governo atual dá subsídios para os ônibus mas não investe nos trens".

Réplica de Garotinho: Crivella em sua réplica afirmou:"Este governo atual é o governo das empresas de ônibus. São os grandes empresários que financiam a candidatura do candidato oficial. Por isso, deixou-se de investir no metrô, nos trens. Investiu contra o transporte alternativos, que está nas mãos de um Detro. Queremos levar o metrô de superfície para Baixada Fluminense e finalmente fazer a Linha 3. Aqui pularam. Foram 1, 2 e pularam para o 4."

Tréplica de Crivella: "Concordo. Gastamos 85% dos subsídios com os ônibus, o trânsito é caótico e as pessoas estão sofrendo muito. É preciso também humanizar as vans e tratar melhor os taxistas, que na capital não têm onde parar. E devemos evitar também indicações políticas nas agências reguladoras. Não tenho nada contra o Paulo Melo, mas a irmã dele está como conselheira de uma agência e isso traz um péssimo simbolismo".

Marcelo Crivella pergunta a Lindberg: "Vi e fiquei muito triste com uma propaganda na televisão que parecia desqualificar a gente do Nordeste, que vem trabalhar e ajuda no crescimento do Rio de Janeiro. O que senhor acha disso?".

Lindberg responde: "Eu agradeço a pergunta senador. Foi uma propaganda de rádio do programa de Pezão, que zombava do sotaque do nordestino. Sou nordestino, paraibano e tenho muito orgulho disso. Foi lamentável. (...) O senhor (Crivella), como eu, é vítima de telefonemas, de uma central telefônica que realiza ligações criminosas travestidas de pesquisas para me difamar, e difamar o senhor, candidato'(...).'Nunca vi uma campanha como essa no estado do Rio de Janeiro. Vou fazer uma campanha limpa, mostrando que é possível fazer uma campanha limpa nesse estado'. 'Quero um governo que olhe pra Zona Sul, Baixada, São Gonçalo... Resgate os Cieps do Brizola, escolas..."

Réplica de Crivella: "Eu fico imaginando o que você sentiu, e também milhares e milhares de pessoas'. 'Porque realmente nós não podemos prescindir do capital humano do Nordeste'. 'Não há uma obra que não exista o sangue e as lágrimas dos nordestinos'. Crivella critica a campanha de Pezão que, segundo ele, discrimina os nordestinos.

Tréplica de Lindberg: 'Eu acho que é importante o candidato Pezão se pronunciar, porque foi um programa de rádio da candidatura dele.(...) Mas ainda bem que com a ética a gente tem pulso firme. (...) Foram milhões de telefonemas, mas nós vamos por outro caminho, para esse Rio de Janeiro que foi palco das manifestações de junho', disse o candidato, que citou a 'velha política' e falou que vai trazer uma 'nova política para o estado'.

Tarcisio Motta pergunta para Garotinho: "Garotinho você governou por 4 anos, sua esposa por mais 4. Nesses 8 anos, a favela da Maré teve vários direitos negados. Agora recentemente, o TRE aprendeu uma série de material de campanha, cheque-cidadão nessa mesma favela, você não acha uma afronta a democracia?"

Garotinho responde a Tarcísio: "Primeiro lugar, Tarcisio, o TRE apreendeu dentro de uma associação de moradores eu não sou responsável. O Cheque Cidadão acabou faz sete anos, foi extinto pelo governo Cabral. Eu não sei o que estava fazendo material antigo. Depois fui candidato a deputado federal, tive mais votos na Maré que todos os outros candidatos somados. Um expoente da música, Naldo, foi um garoto que eu tirei do tráfico. Então, o povo da Maré me conhece muito bem. vamos voltar com todos os 60 programas sociais que o governo elitista, discriminatório de Sergio Cabral."

Réplica de Tarcisio: "Pois é, sabe aquilo que caracteriza um mentiroso profissional? É acreditar na própria mentira. Ali na Maré tem uma estação de tratamento ao lado, enquanto o esgoto corre a céu aberto. A favela não é lugar para comprar voto. A nova democracia é aquela que entende que a favela e a periferia são parte constituinte da cidade. Nós somos contra esse coronelismo disfarçado de assistencialismo".

Tréplica de Garotinho: "Sabe qual o pior político? Aquele que esquece de olhar os próprios defeitos. Quem vê o Tarcísio falando, pensa que o PSOL não tem problemas. Esquece que a deputada Janira responde no Conselho de Ética por tirar parte do salário de seus próprios funcionários. O prefeito com a pior avaliação do estado do Rio (Gelsimar Gonzaga) é do partido dele, foi corrido da prefeitura. O Tarcísio fala como se fosse um santo, como se no partido dele só houvesse anjinhos. Falar é diferente de governar. Um dia você vai ter essa experiência".

Pezão pergunta a Tarcísio Motta: "O estado do Rio precisa crescer cada vez mais economicamente. Nós conseguimos gerar empregos como nunca na história desse estado. Como o senhor vai fazer para gerar mais empregos?".

Antes de responder, o candidato do PSOL diz que não é 'nenhum santo'. "Sou professor do Colégio Pedro II, e tenho orgulho de ser filiado ao meu partido.(...) As pessoas têm que responder por aquilo que fazem da sua vida pública". Sobre a questão, Tarcísio respondeu: 'Desenvolvimento para quê e para quem? O Rio teve um crescimento no seu orçamento, mas a que custo socioambiental?' 'O estado do Rio é um estado caro, poluído e engarrafado', enfatizou. 'O desenvolvimento está indo para as pessoas de guardanapos na cabeça em Paris'.

Réplica de Pezão: "O estado atraiu nestes sete anos 320 empresas'. 'Dos 21 centros de pesquisa que o Brasil passou a receber, 18 estão vindo para o estado'. 'O mercado financeiro havia abandonado o Rio de Janeiro'. 'O Rio conseguiu sair dessa massa cinzenta'. 'Conseguimos concluir o arco metropolitano'. 'Tenho muito orgulho do desenvolvimento do Rio de Janeiro'.

Tréplica de Motta: Você fala em massa cinzenta, mas deixou a Uerj à míngua. Incentivar a economia é incentivar a economia solidária, o corporativismo. (...) Precisamos sair da lógica extrativista, trazer uma economia que gere direitos para as pessoas. O Rio pode ser um polo de industria cultural, industria criativa...'Não podemos deixar a capacidade criativa do cidadão, do nosso servidor. O desenvolvimento pode ser com responsabilidade socioambiental'.

Garotinho deu uma risada quando Tarcísio lembrou a história dos guardanapos na cabeça.

No 2º bloco, jornalistas perguntam:

Tales Faria (jornalista do portal Ig) pergunta a Lindberg: "A presidente Dilma tem participado da campanha e apoiado outros candidatos, como Garotinho, Pezão e Crivella. Eu queria saber, a presidente gosta menos do senhor ou se o senhor gosta menos da presidente?".

Lindberg responde: "Olha, primeiro deixa eu te falar. Presidente Lula já gravou nosso programa oficial de campanha. A presidente Dilma tem apoio de pelo menos quatro candidatos, a gente sabe que um, o PMDB, trai e está no Aezão. Aqui não tem ciumeira alguma. Houve uma grande relação com o governo do estado mas não foi aproveitada. Lula e Dilma deram grandes recursos. A grande obra feita por este governo foi o metrô da Lagoa-Barra. Esqueceram a Baixada. Então, sinceramente, houve uma grande parceria mas esse atual governo não aproveitou a parceria para melhorar a vida das pessoas. E ainda traem".

Comentário de Garotinho: "Eu não entendo bem desse assunto de traição. Esse assunto é um bate papo entre Lindberg e Pezão. Eu só tenho a esperar do próximo presidente, seja quem for, que tenha uma relação republicana".

Lindberg em seu comentário afirmou: "Quero fazer uma parceria grande com o governo federal para ajudar na vida das pessoas. Este governo fez obras suntuosas mas não investiram no que é básico. Na saúde, não tem médico especialista. O governo se perdeu nas suas prioridades. O PMDB não aproveitou e, agora, abandona a candidatura da presidenta Dilma".

Jornalista da RedeTV pergunta a Garotinho: Gostaria de saber se, caso o senhor seja eleito, políticos vão poder voltar a nomear delegados, chefes de polícia e diretores de escolas municipais?

Garotinho responde: 'Continuam sendo nomeados. Essa história de dizer que tinha e agora não há não é verdade', disse Garotinho. 'Eles dizem que há uma história de meritocracia. O que dizer então do Sr. André Lazaroni ser secretário de esportes? Deve ser um mestre de frescobol', brincou Garotinho, que ainda citou Tutuca, secretário da Ciência e Tecnologia, que ele chamou de 'amigo do Pezão'. 'Nós vamos usar o critério que usamos sempre, mesclar o técnico com o político, é isso', que disse que a 'história de dizer que não houve eleição para diretor de escola não existe'.

Lindberg comenta: 'Fui prefeito em Nova Iguaçu e fiz isso. Lá teve eleição direta para a direção de escolas'. 'Antes era nomeação de vereador. Ou deputado'. 'Isso não pode acontecer', diz o petista.

Jornalista Fernando Molica, do Dia, pergunta a Tarcísio Motta: "O senhor diz que vai acabar com a meritocracia, que é um bônus que os professores recebem. O senhor não acha que o melhor desempenho não merece uma recompensa? Se o senhor for eleito, não vai cobrar desempenho dos professores?".

Tarcísio Motta responde: "Excelente pergunta. Nós vamos acabar com a meritocracia e com o Saerj. Educação não se mede com índice numérico. É como se você colocasse uma Ferrari para disputar com o Fusquinha. No final, você vai beneficiar o motorista achando que ele ganhou. Você, em casa, poderá definir as metas das escolas do seu filho e cobrar do poder público para que elas sejam atingidas. É preciso investir mais, dar planos de carreira unificado para funcionários e professores. Tenho certeza que toda meta, assim, será atingida. É esse o prêmio do professor. O salário tem que ser para todos".

Pezão comenta: "A meritocracia é o que está permitindo ao estado sair dos últimos lugares (dos índices de educação). Já estamos em quarto lugar no Enem. Começamos o processo de climatização das escolas. Incorporamos uma gratificação que só era para 8% dos professores".

Tarcísio comenta: "Pezão você tinha que explicar porque seu governo fecha escola. Você fecha escola para aumentar o índice. O processo de climatização está na Justiça. A incorporação da Nova Escola teve uma greve para o seu governo começar a ouvir essa histórica. Índice numérico não mede ninguém e você continua levando o debate daí. No seu programa de governo, está lá o colégio Guadalajara que vocês atacaram e, agora, acham mil maravilhas".

Jornalista pergunta a Pezão: "A Agetransp multou o Metrô Rio por causa da péssima avaliação dos usuários. A Supervia é outra concessionária de péssima avaliação. Mas o governo renegociou contrato por 25 anos neste último caso. Jornalista também cita a avaliação das barcas. O seu governo vai continuar a premiar concessionárias com péssimos serviços?".

Pezão responde: 'Tales, nunca um governo fez tanto investimento no transporte público como fizemos. Pegamos tudo sucateado e o estado não tinha cumprido seus deveres com suas concessionárias. Tivemos que ouvir que não se comprou trem. Tínhamos 10 trens com ar condicionado e que não estavam pagos. Agora temos 120 trens que serão pagos até dezembro. (...) Novas barcas. (...) Com edital para comprar mais quatro barcas para Ilha do Governador e Paquetá. (...) Não se compravam carros do metrô desde a sua fundação. (...) Estamos fazendo o investimento da Linha 4, que meus adversários falam que é para rico, mas passa pela Rocinha e vem com o bilhete único.' (...) 'Sabemos que temos muito a fazer pelo transporte, mas fizemos mais que muitos outros governantes'.

Crivella comenta: 'Eu realmente não teria esse entusiasmo do Pezão'. 'As pessoas reclamam dos serviços todos os dias'. Candidato fala da necessidade de investimentos. 'E a esposa do governador (se refere à mulher de Sérgio Cabral) não pode defender interesses de concessionárias'.

Toni Vendramini, da Rede TV, pergunta a Crivella: "O senhor é bispo licenciado da Igreja Universal, que considera demoníacos os cultos de matriz africana. Ultimamente, tem havido ataques a locais desses cultos. Como garantir que em um eventual governo esses crimes serão investigados, e não acobertados?".

Crivella responde: "Basta você ver minha vida. Dez anos no Senado, apontado como quinto mais atuante pela Revista Veja. Pela Transparência Brasil, como terceiro. Fiz a lei do moto-boy que dá 30% pros motociclistas arcar com os riscos da periculosidade. Não persegui religião nenhuma. Não tive nenhum projeto de lei para beneficiar quem que seja. Sou evangélico, mas não prejudico quem quer que seja. Sou ficha-limpa".

Tarcísio Motta comenta: "A questão aqui, Crivella, é como vamos garantir a diversidade das religiões de matriz africana. E aí a gente não pode misturar política com religião. Precisamos incentivar o cumprimento da lei federal 10.639 (que inclui no currículo oficial das escolas o ensino de história e cultura afro-brasileira)".

Em seu comentário, Crivella afirma: Olha, quem mistura política e religião são os jornalistas e os demais debatedores. Vim aqui para falar de transporte, geração de empregos, educação... É preciso fazer um debate em cima de propostas, políticas públicas que melhorem a vida do nosso povo".

No 3º bloco candidatos perguntam a candidatos:

Marcelo Crivella pergunta a Garotinho: "Em 10 anos, as milícias passaram de 6 para 148 favelas. Se contar o estado inteiro, chega a quase 200 favelas. Em alguns lugares a população não pode nem ligar hidrantes. Como o senhor vai enfrentar isso?".

Garotinho responde: 'Nós éramos acusados de apoiar as milícias, e agora estão vendo que o governo que apoiou e fez as milícias crescerem no estado do Rio é o atual governo. (...) Vou tranquilizar você que está em casa. Vou colocar polícia na rua' (...) O cidadão sofre, porque não há policiamento ostensivo. (...) Combater milícia é muito simples. (...) Vamos intensificar uma corregedoria externa, porque as internas geralmente protegem e não punem de fato quem atua. (...) Não daremos trégua ao crime e vamos colocar de volta as ruas o Grupo tático móvel, que de 7h da manhã até 7h da noite e depois roda de madrugada, para manter as ruas seguras'.

Pezão pergunta para Lindberg: "Senador, o senhor vive falando que a saúde está um caos. Queria saber como o senhor vai administrar a saúde, se vai ser igual quando você foi prefeito de Nova Iguaçu onde tornou-se ingovernável a saúde em Nova Iguaçu."

Lindberg responde: "Vossa excelência fala com agressividade, eu governei Nova Iguaçu, fui reeleito com 65% porque fui um bom governante. A mortalidade infantil caiu de 22 casos para 15 por 100 mil habitantes. Em mortalidade materna, o estado do Rio é o segundo pior do Brasil. Nós dobramos o número de atendidos no programa Saúde da Família. O estado do Rio é o segundo que menos investe em saúde, só ganha de Mato Grosso. E o governo atual faz a velha política. O candidato transferiu seis vezes mais recursos para a cidade dele, de 20 e poucos mil habitantes, do que para São Gonçalo e outras cidades."

Pezão em sua réplica afirmou: "Lamentável. Se a taxa de mortalidade caiu, é porque ninguém nascia em Nova Iguaçu. A maternidade foi fechada. É lamentável que em cinco anos de governo você tenha tido cinco secretários de saúde. A parceria que estamos fazendo com todos os municípios foi feita em São Gonçalo, abrimos a maternidade, colocamos duas UPAs."

Lindberg rebate, em sua tréplica: "Candidato Pezão, o senhor não fala a verdade. Mais grave ainda, eu gostaria de perguntar o que foi feito na Região Serrana o senhor teve um papel lamentável ontem na televisão, tentando se aproveitar daquela situação, os R$ 68 milhões para reconstruções de creches, não foram usados. Obras de contenção de encostas, 63% não foram feitas".

Garotinho pergunta para Tarcísio: Queria saber o que o senhor acha sobre essa imoralidade de o estado ter pego um empréstimo do BNDES para reformar o Maracanã, e depois entregar ele bonitinho aos empresários. O que o senhor acha?

Tarcísio Motta responde: 'O que fizeram no Maracanã é o símbolo desse movimento empreendedor do Rio de Janeiro, que privilegia as grandes empreiteiras, para elitiza-lo'. Defendemos a re-estatização de todo o Complexo Maracanã' (...) Uma vergonha as cidade-sede das Olimpíadas não se aproveitarem do evento, se subordinarem ao COI, como se subordinou a Fifa. (...) Nosso entendimento é que o estado volte ao controle do Maracanã. E garanta ainda a construção da Aldeia Maracanã.(...) Estamos do lado dos atletas, movimentos sociais, daqueles que precisam e vão utilizar o Maracanã como espaço de direito'.

Réplica de Garotinho: 'Quero dizer que vou cancelar a privatização do Maracanã'. Segundo Garotinho, vai ser difícil, o 'Ricardo Teixeira vai lá chorar'. Mas ele vai fazer. 'Isso que o Tarcísio está falando é verdade. Trata-se de uma negociata'. 'O preço do cachorro-quente é um absurdo, está parecendo que você está na Disneylândia'. Ex-governador fala sobre a possibilidade de dar mais facilidades para que a população tenha acesso ao estádio".

Tréplica de Tarcísio Motta: 'Precisamos mudar todo o modelo de desenvolvimento, que privilegia os grandes empresários, e não a qualidade de vida das pessoas. Por exemplo, construção de quadras nas escolas.(...) Não seremos e não somos financiados por essas empreiteiras. Temos rabo de cavalo, mas não temos rabo-preso com essas empreiteiras'.

Lindberg pergunta para Crivella: "O governo do Cabral e do Pezão receberam muitos recursos do governo federal mas erraram nas prioridades. Saúde ruim, transporte precário, educação abandonada. Onde o governo Cabral se perdeu?"

Crivella responde: "Eu acompanhei desde o princípio, quando Cabral era senador, e fazia oposição ferrenha ao governo federal. Cabral e Garotinho eram juntos oposição ao presidente Lula. A aliança foi feita na reeleição de Cabral. Muito do que pezão falou aqui é investimento do governo federal, e das empresas que vieram para cá por causa dessas parcerias. Um governo de onde saíram frases como que a barriga da mulher da favela é fábrica de bandido não governou para o povo".

Lindberg comenta: "Olha, na verdade é uma turma que está muito tempo. Apesar do candidato esconder, começou no governo Garotinho. Agora, tenta esconder o Cabral. Essa candidatura Garotinho e Pezão são a velha política. Analisem outras candidaturas. É preciso construir um novo caminho. Se não quiser votar em mim, olha o candidato Tarcísio, o Crivella. É necessário pensar uma nova política. Pezão é o grande representante das empreiteiras. Me pergunto porque a imprensa não faz a pergunta da relação do Pezão com a Delta."

Tréplica de Crivella: "Eu gostaria de me ater à pergunta. Fizemos uma parceria com o presidente Lula, aproveitamos um clima de crescimento econômico internacional. O Rio cresceu no emprego, mas também na desigualdade. Sem que tivéssemos avançado por exemplo no Cimento Social, na saúde... a segurança está um caos. Perdemos os benefícios de uma grande parceria, e é preciso que o próximo governo saiba que um estado com a dívida que nós temos precisa ter parceria com o governo federal".

Tarcísio pergunta a Pezão: "Gostaria de voltar a um tema. Todo mundo sabe que a milícia é máfia. Todo mundo sabe que a milícia começou no governo Garotinho, cresceu no Rosinha e foi até o seu governo . A CPI das Milícias propôs 60 medidas para enfrentá-las. Por que o governo do senhor não enfrentou as milícias?".

Pezão responde: 'Nunca um governo enfrentou tanto a milícia como nós. Temos mais de 600 milicianos presos. A gente sabe que tem muito que ser feito na segurança pública. Saímos para 45 mil polícias. Vamos contratar mais 12 mil policiais. Abrimos concurso para mais seis mil policiais. Colocamos policiais aonde não tinha nenhum. Em cidades como a Rocinha, que não tinha nenhum, no (Complexo do) Alemão, que não tinha nenhum policial, nós implantamos uma delegacia. Compramos mais carros para uma frota sucateada. Vamos investir no policial. Semana passada fizemos duas operações, onde prendemos traficantes e milicianos. (...) Vamos investir fortemente em segurança pública'.

Réplica de Tarcísio: "A pergunta era sobre milícia, mas o senhor insiste em falar sobre UPP'. 'Só existe uma UPP em área de milícia'. 'As milícias ajudam a eleger os deputados da sua base eleitoral'. 'Acho que você poderia, em sua tréplica, explicar a ligação do seu partido com as milícias'.

Tréplica de Pezão: 'Se teve um governo que enfrentou a milícia foi o nosso. Dois deputados do PMDB que tinham envolvimento com a milícia foram presos, e não compactuamos com isso. Não queremos que volte o transporte alternativo por interesses escusos. (...) Se teve um governo que fez o dever de casa, foi o nosso. Quem ajudou na CPI da Assembleia foi o nosso partido, com a ajuda do nosso presidente (Jorge) Picciani. Estamos com as políticas de UPP a caminho da Zona Oeste'.

No quarto bloco, jornalistas voltam a perguntar:

Fernando Molica, do Dia, pergunta a Lindberg: "Durante sua gestão, o Previne, fundo de previdência dos servidores da prefeitura, sofreu um rombo estimado em R$ 400 milhões. Essa e outra irregularidade estão sendo investigadas pelo Supremo Tribunal Federal. Que garantia o senhor dá que algo assim não vai acontecer no fundo de previdência do Estado?"

Lindberg responde: "Primeiro dizer que não é um rombo. É uma divida da prefeitura feita pelo prefeito anterior que não pagava divida patronal. Você sabe, Molica, que não tenho nenhum processo. Como eu sou senador, vai tudo para o STF. Se tem algum indício, o STF abre processo. Tudo que foi aberto pelo STF, foi arquivado. Situação diferente de Garotinho e Pezão. Inclusive, a imprensa do Rio de Janeiro não trata sobre esse ponto de que Pezão foi processado por superfaturamento em ambulâncias. Eu sou ficha-limpa, ao contrário de outros candidatos".

Jornalista pergunta a Garotinho: "O senhor disse que, se eleito, vai liberar as vans. É sabido que as milícias têm ligações com as vans. O senhor não tem medo de incentivar as milícias?

Garotinho responde: 'Primeiro lugar, eu já ia fazer aqui um registro sobre a injustiça cometida aqui pelo Pezão quando se referiu ao transporte alternativo, como se todos fossem milicianos. Existe gente boa e gente ruim em todas as áreas, inclusive no transporte alternativo'. (...) Encontrei um senhor com o lado do corpo todo paralisado e comprou uma van, e depois o (Sérgio) Cabral caçou a autorização dele. (...) A van vai aonde o ônibus não vai, nas comunidades. Precisamos parar com esse lobby de empresários de ônibus; Tem motorista de van que atua com milícia? Tem. Mais quem é mais perigoso para o governo: um motorista de van ou um secretário com conta na Suíça, como tínhamos no governo do Rio até esses dias?', disse o candidato, que citou mais uma vez o escândalo dos guardanapos na cabeça de secretários do governo Cabral em Paris.".

Pezão comenta: "A ligação da milícia com o ex-governador foi notória'. '(No governo do PMDB) os milicianos foram presos'. 'Nós legalizamos as vans, que usam o bilhete único'. 'O governador Sérgio Cabral legalizou vans'. Governador critica Garotinho e sugere que ele tem ligação com as milícias.

Garotinho lembrou que Pezão também era secretário do governo Rosinha. 'Só se ele se reunia com a turma da milícia e não me contava', ironizou o candidato. 'Vamos parar com isso. Isso é lobby do Pezão, e de boa parte da imprensa do Rio de Janeiro, bancada pelo transporte de ônibus do Rio de Janeiro, pela Fetranspor. Isso é lobby do Jacob Barata para acabar com van, com trem e fazer todo mundo andar de ônibus'.

Jornalista da Rede TV pergunta a Pezão: "Esse modelo das UPPs passa por uma crise. Quatro PMs do Jacarezinho foram expulsos por estupro, há conflitos na Rocinha, na Maré. Faltou investimento por parte da Prefeitura? Quem falhou, a prefeitura que não investiu no social, ou o senhor?".

Em sua resposta, Pezão afirmou: "Esse processo passa por um teste sempre no período eleitoral quando alguns candidatos falam que as UPPs são de nada e fazem, de novo, com que o tráfico volte. Vamos continuar com a política de pacificação. Entramos com investimentos sociais em todas as comunidades. Umas mais e em outras menos. Nós vamos implementar os Centros de Vocação Tecnológico junto com ensino profissionalizante e com ensino diurno. As críticas as UPPs, temos que ver com muito cuidado. Podem ser iguais as críticas que fizeram aos Cieps".

Garotinho comentou a resposta de Pezão: "Queria dizer que o problema não está na UPP, ninguém vai acabar com a UPP. O que você sente falta hoje é de polícia na rua, e eu vou colocar polícia na rua. O cidadão está sendo roubado por causa disso, a senhora está tendo a bolsa roubada. Vamos reativar o Getam (Grupamento Especial Tático-Móvel), porque é isso que é necessário".

Em seu comentário, Pezão disse: "Nós também vamos continuar a investir fortemente na rua. Em uma parceria com a presidenta Dilma, o exército vai ficar mais tempo dentro da Maré. Estamos contratando mais seis mil policiais para reforçar toda a Baixada Fluminense. Segurança pública é prioridade do nosso governo. Nós prendemos mais de 80% dos nosso governos. Era muito melhor construir escola. Se os governos anteriores tivessem feito, não estaríamos prendendo tanto".

Fernando Molica pergunta a Tarcísio Motta:  "Queria falar sobre o papel do PSOL nas manifestações. Houve casos em que a violência dos manifestantes foi notória, assim como a violência da PM. O que senhor fará caso haja protestos? Manifestantes terão o direito de depredar o patrimônio público? E a polícia, como vai agir?".

Tarcísio Motta responde: 'Nós do PSOL temos muito orgulho de participar das manifestações. O direito as manifestações é um patrimônio da democracia. (...) O estado respondeu com polícia aquilo que tinha que ter sido feito com política. O ataque a jornalistas deve ser discutido de parte a parte. (...) Nós acreditamos na manifestação de massa. (...) Não teremos flagrantes forjados. Nós trataremos com democracia e com a lei da forma que precisa'.

Tales Faria, do IG, pergunta a Marcelo Crivella: "Lideranças LGBT tentaram obter do senhor apoio a leis que criminalizam a homofobia. O Rio de Janeiro foi duas vezes considerado o melhor destino para o turismo gay. O senhor não quer acabar com essa arrecadação?".

Crivella responde: "Não quero usar o turismo, seja ele qual for, para fazer campanha política. Turismo gay, hetero, ideológico. Isso são direto das pessoas, não cabe fazer qualquer discriminação. O espírito democrático e minha vocação para respeitar o direito dos outros, está escrito na minha trajetória. No Rio de Janeiro, com recurso próprio, fiz o projeto Cimento Social. Eu respeito as pessoas, eu respeito as opções das pessoas. É só esses assuntos que vocês tocam comigo. É só homossexuais. Isso sim é um preconceito odioso que vocês deveriam rever".

Lindberg comenta a resposta de Crivella: "Só quero testemunhar, pela convivência que temos, o espírito democrático do senador Crivella. Não é só por ser evangélico que se está discriminando o homossexual."

Crivella comenta: "Só podia esperar essa reação de um companheiro que defendeu comigo o Rio de Janeiro na bancada do Senado Federal. Temos um espírito de solidariedade. Nossas maiores festas é o Carnaval, o Réveillon. Se não tivéssemos tanto ódio no meio político, teríamos muito mais turismo aqui. Vou respeitar a religião das pessoas, as opções sexuais das pessoas. Quando era criança, discriminava muito os evangélicos. Eu sei o que passei, e não quero que ninguém passa".

Considerações finais:

Pezão: 'Quero agradecer aos jornalistas, ao público, aos candidatos'. 'Tenho um orgulho imenso da minha trajetória, como vereador, prefeito, governador'. 'Pude fazer uma Saúde de qualidade, a oitava do país'. 'Quero fazer uma escola em tempo integral, da atenção à Educação'. 'Quero fazer uma escola pública que tenha cada vez mais qualidade'. 'Trazer mais emprego'. 'Dar mais atenção à Saúde'. 'Fazer aquele olhar especial a todos os que precisam do governo'. 'Agradeço muito. Boa noite e muito obrigado'.

Tarcísio Motta: "Eu gostaria de agradecer a Rede TV, e todos vocês que trabalharam para fazer isso acontecer. Quando estamos em igualdade, mostramos alternativa, princípios. (...) Lembro aqui o poema do Drummond: Garotinho, que ataca Pezão, que ataca Lindbergh... Mas, como no poema do Drummond, você tem alternativa. Essa alternativa vem das ruas, das lutas, da militância do PSOL, dos movimentos sociais. Gostaria de fazer convites a vocês. Primeiro, que receba nosso panfleto nas ruas. Nossa militância não é paga. Segundo, que vote 50 de cabo a rabo. (...). E, por último, faço um convite a vocês. Dia 12 de setembro, vamos nos encontrar na Cinelândia. Nosso lado é a rua, rumo a virada histórica'.

Garotinho: "Quero agradecer a você que tem me dado a liderança nas pesquisas. Você está fazendo isso porque se lembra de um governo humano, que buscou governar para todos. Agora, quero pedir seu voto para reduzir o IPVA em 50%, o benefício que foi dado aos empresários de ônibus. Preciso do seu apoio para que a vistoria do carro passe a ser feita de dois em dois anos, e não todo ano. Preciso do seu apoio para tomar o Maracanã de volta para o povo. Preciso do seu apoio para dar um campus à Universidade da Zona Oeste. É com o seu voto, a sua confiança que queremos fazer um novo Rio de Janeiro, mas não de historinhas, de coisas reais. Você não é um alucinado. Se você está votando em mim, é porque você se lembra do que foi feito no meu governo".

Crivella: "A grave crise que enfrentamos se agrava cada vez mais porque suas causas mais profundas não foram combatidas: que é a corrupção. Enquanto tivemos campanhas milionários, não vamos conseguir terminar a grave crise que nós temos. Eu e meu vice temos consciência do nosso compromisso e da nossa lealdade. Vamos enfrentar a crise da segurança pública porque sabemos que somente político de bem, e não de bens, pode motivar a tropa. Chegou a hora de dissipar as trevas e mobilizar uma intensa luz para o nosso Rio de Janeiro. Por isso peço seu voto, deem uma chance para nós".

Lindberg: "Queria me dirigir ao Rio de Janeiro. Esse Rio de Janeiro que sempre esteve à frente do país; que tem uma intelectualidade atuante; que tem trabalhadores'. 'É possível criar um novo caminho no Rio de Janeiro, tivemos manifestações'. 'A volta do Garotinho é um retrocesso, a continuidade do governo Pezão é um retrocesso' . 'O Rio de Janeiro está precisando de diálogo'. 'Acreditem em novos caminhos'. 'O Rio de Janeiro não pode ir para trás, enquanto todo o Brasil quer ir para a frente'.

Tags: 2014, Eleições, enquetes, presidencial, sucessão

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