Jornal do Brasil

Sexta-feira, 31 de Outubro de 2014

País - Eleições 2014

The Guardian: Marina apresenta seu programa de governo

Jornal destaca a trajetória de Marina e a apresentação de seu programa de governo na última sexta

Jornal do Brasil

Publicado neste sábado (30), o artigo do The Guardian avalia a inauguração da plataforma de campanha de Marina Silva. O evento, realizado em São Paulo, reuniu, segundo o Guardian “uma mistura por vezes bizarra de tradição e modernidade, conservadorismo e radicalismo, dúvida e esperança, mas que para muitos dos presentes, destacou a possibilidade muito real de uma ambientalistas tomar as rédeas de um país importante”.

Segundo o jornal americano, Marina Sivla triplicou suas intenções de voto, duas semanas depois de ter se tornado candidata a presidência pelo PSB, assumindo o lugar de Eduardo Campos na corrida presidencial, após a sua morte. Ainda, segundo o artigo, Marina teria tido um grande desempenho no primeiro debate na TV dos candidatos a presidência e nos números das pesquisas de intenção de voto, sugerindo que ela ficaria em segundo lugar no primeiro turno, para depois, vencer a atual presidente Dilma Roussef, em um segundo turno das eleições.

O artigo do Guardian destaca que é uma reviravolta impressionante para uma candidata que não tinha um partido há um ano atrás. Além disso, o artigo destaca “Esse foi o último de uma série de conquistas notáveis para uma mulher mestiça que cresceu em uma família pobre na Amazônia, e passou a ser a mais proeminente defensora de um desenvolvimento sustentável em seu país”.

Cerca de 250 pessoas, entre elas, aliados da Rede e do PSB, acompanharam a abertura da campanha de Marina. Muitos destacavam a capacidade de Marina Silva em governar e ser uma mudança para o país. Segundo o Guardian, o aumento das intenções de voto nas pesquisas deixou os aliados animados para a candidatura de Marina. O jornal destaca que Eduardo Campos lutou para chegar aos dois dígitos nas pesquisas de intenções de voto e que Marina chegou ao segundo lugar, e à disputa no segundo turno com Dilma, com apenas duas semanas de candidatura.  “A pesquisa Datafolha mostrou Marina com 34% no primeiro turno e que ganharia confortavelmente com 50% dos votos, se as eleições forem para o segundo turno, em comparação com 40% para Dilma”.

Além disso, o Guardian faz uma avaliação sobre a cobertura da imprensa no Brasil, que tem apresentado Marina  como uma dúvida ou esperança. Além disso o Guardian critica o destaque a imprensa dá a figura de Marin, como alguém frágil, de baixo peso e estatura – “detalhes que quase nunca são mencionados para candidatos do sexo masculino”. O artigo segue na crítica afirmando que “as mulheres são extremamente subrepresentadas na política brasileira”, e destaca que Marina passa por isso também por sua cor de pele, resultado da mistura entre índios, negros e portugueses, e ideias políticas.”Enquanto Marina é geralmente descrita como indígena, pessoas próximas dizem que ela se classifica como “preto” no censo do IBGE. No mundo político brasileiro dominado pelos brancos, isso é excepcional”.

O artigo do Guardian fala ainda sobre Marina ser conhecida como a mais proeminente ambientalista do país e destaca seu trabalho com Chico Mendes e o período em que ela foi ministra do Meio Ambiente durante o governo Lula, em 2003 e 2008, quando ela colocou em prática alguns programas para diminuir o desmatamento na Amazônia.

O Guardian destaca que a imagem ambientalista de Marina resultou em um bom desempenho entre os jovens, estudantes universitários e mulheres, quando Marina se candidatou a presidência em 2010, apesar de, na época, ela ter concorrido pelo Partido Verde, que tinha pouco apoio financeiro e pouco tempo no horário eleitoral. Marina obteve 20 milhões de votos. Agora, Marina parece querer aumentar seu eleitorado, tendo como seu vice o deputado federal Beto Albuquerque, do PSB do Rio Grande do Sul,conhecido pelo seus laços com o agronegócio.

O artigo fala ainda sobre a influência dessas concessões em seu programa de governo. O Guardian chama as páginas do programa como uma união entre as diferentes perspectivas da Rede Sustentabilidade e do PSB, que tem uma visão mais voltada mais para o mercado. “O resultado é uma espécie de miscelânea, com algo para as manifestações do ano passado (10% do PIB aos cuidados de saúde dentro de quatro anos), os mercados financeiros (maior autonomia para o banco central) e seus principais apoiadores”.

Na frente ambiental, o programa exige uma maior diversidade de energia, o que significa a promoção da energia eólica e solar; mais a produção de etanol; a manutenção de hidrogenação (que atualmente fornece mais de três quartos da eletricidade do Brasil); e com o retrocesso de energia térmica e lavra das jazidas de petróleo mina localizada em estratos "pré-sal" nas profundezas do Atlântico.

O Guardian finaliza o artigo destacando que Marina ainda está longe da vitória, com mais de um mês até as eleições em outubro, “ainda há tempo para uma reviravolta na campanha”. O jornal destaca ainda que a simpatia dos eleitores após a morte de Eduardo Campos pode diminuir, os ataques dos candidatos podem aumentar, além do tempo superior que os outros tem na TV em relação ao tempo de Marina no horário eleitoral.

O artigo destaca que Marina vai para o primeiro turno com o apoio dos ambientalistas, do mercado e dos manifestantes, mas deixa sentimentos contraditórios entre os eleitores gays e dos de esquerda com posição anti-mercado, além da hostilidade de muitos do agronegócio e da indústria de energia. Ao final o Guardian questiona onde Marina se encaixa nas políticas de esquerda e direita e que, apesar do ambientalismo ser parte importante dessa mistura, ainda é preciso esperar o fim das eleições.

Tags: eleições 2014, Marina Silva, presidência, programa de governo, the guardian

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