Jornal do Brasil

Quinta-feira, 18 de Dezembro de 2014

País - Eleições 2014

Candidatos a presidente da República participam de primeiro debate na TV

Jornal do Brasil

Os candidatos a presidente da República participaram, na noite desta terça-feira (26), do primeiro debate entre os concorrentes, realizado pela Rede Bandeirantes. Dilma Rousseff (PT), Marina Silva (PSB), Aécio Neves (PSDB), Eduardo Jorge (PV), Levy Fidélix (PRTB), Luciana Genro (PSOL) e Pastor Everaldo (PSC) apresentaram suas propostas e confrontaram ideias. O debate foi mediado pelo jornalista Ricardo Boechat.

No primeiro bloco, os candidatos responderam a uma pergunta de leitor do Metro, jornal do Grupo Bandeirantes, que abordou a questão da segurança pública e questionou qual era a proposta para diminuir a criminalidade e reprimir as facções criminosas.

"Levei meu estado de Minas Gerais para ser o estado que mais investe em segurança pública até hoje. Precisamos ter uma política nacional de segurança que permita uma profunda e rápida reforma no nosso Código Penal. Mas mais do que isso, precisamos de uma articulação definitiva do poder central com os nossos estados. Tráfico de drogas e de armas é responsabilidade da União. Nossas fronteiras não têm recebido os investimentos prometidos há quatro anos atrás" disse Aécio Neves.

"A segurança, como todos sabem, é de competência dos estados. Achamos que isso deve ser alterado. A União e os estados não devem atuar de forma fragmentada. Fomos capazes de ter um resultado muito efetivo no que se refere tanto a apreensão de drogas quanto de articulação das Forças Armadas com as polícias", disse Dilma, citando o sucesso do esquema adotado durante a Copa do Mundo.

Candidatos participam de debate
Candidatos participam de debate

Para Levy Fidelix, o orçamento da União destinado a segurança pública é muito baixo. O candidato defendeu medidas como a redução da maioridade penal, a privatização das prisões e ajuda aos estados. 

Já o Pastor Everaldo lembrou o caso de seu irmão, morto durante um assalto. "Vamos criar um Ministério de Segurança Pública. Vamos devolver a dignidade dos agentes da segurança pública. A partir de janeiro fazer uma força-tarefa da segurança pública. O bandido tem que estar preso, e o cidadão de bem tem que viver o seu cotidiano", disse.

Luciana Genro preferiu não responder à pergunta e utilizou seu tempo para apresentar as propostas do partido e da sua candidatura. "Tenho grande orgulho e enorme desafio de representar o PSOL. Quero dar a continuidade de uma esquerda independente", disse, acrescentando que foi expulsa do PT pela "equipe do mensalão", e criticando ainda "políticas de retrocesso", "privataria tucana" e "nova política".

Já Marina Silva aproveitou o tempo para falar da missão de assumir a campanha de Eduardo Campos e se disse consternada. A candidata defendeu ainda a unificação das polícias. "A segurança pública tem um grave problema. Ano passado cerca de 150 mil pessoas foram assassinadas. Defendo uma ação integrada das polícias para o combate da violência." 

Segundo bloco

No segundo bloco, um candidato responde a pergunta de outro candidato. Marina Silva perguntou para Dilma sobre as manifestações de junho e o pacto apresentando pelo governo. "Nada disso funcionou. O que deu errado?"

Dilma discordou de Marina Silva, afirmando que o pacto foi levado adiante. "Considero que tudo deu certo. Os cinco pactos propostos foram feitos. O primeiro deles foi a educação. Nós aprovamos, no Congresso, a lei dos royalties do pré-sal fossem 75% para a educação e 25% para a saúde. Levamos o mais médicos para o mais de 50 milhões de pessoas."

Marina ponderou, afirmando que era preciso reconhecer os erros. "Quando não reconhecemos, não passamos esperança para a população que resolveremos eles à altura. Esse Brasil que a presidente a Dilma acaba de mostrar, colorido, quase cinematográfico, não existe na vida das pessoas. Nós vivemos em uma situação de penúria na saúde, na educação e na segurança".

Dilma  defendeu a reforma política: "Considero que a reforma política é central. A força do povo brasileiro é capaz de transforma o país e conter o desvio de dinheiro e a corrupção. "

Na sequência, Dilma perguntou para Aécio Neves sobre as taxas de desemprego, destacando que quando Fernando Henrique Cardoso entregou a Presidência, o desemprego era "mais que o dobro do atual". "O senhor disse que adotaria medidas impopulares". Quais são as medidas?"

"Me sinto lisonjeado quando ela (Dilma) me olha e enxerga o ex-presidente Fernando Henrique", disse Aécio, prosseguindo: "Quem pergunta olhando pra trás tem receio de enxergar o presente e olhar para o futuro. Estamos preparados para fazer o Brasil voltar a crescer. Um milhão e 200 mil postos de trabalho foram embora na indústria brasileira, porque foi sucateada. A situação da indústria brasileira é a mesma situação do governo JK, há 60 anos atrás. Dados do Caged mostram que esse mês de julho foi o pior do século. Um dos piores crescimentos dentre todos os nossos vizinhos. O governo do PT surfou e se valeu muito das reformas feitas por Fernando Henrique, mas isso acabou."

Dilma ponderou: "A verdade é que o governo do PSDB, que o senhor parece que não vai adorar, quebrou três vezes. Na verdade, nós geramos mais empregos do que vocês em oito anos. Os número não podem ser enganosos." Aécio destacou que Dilma não se lembrou do legado positivo do governo de Fernando Henrique, como a modernização da economia, a privatização e os programas sociais iniciados no governo FHC, que levaram ao Bolsa Família.

Em seguida, Pastor Everaldo questionou para Dilma sobre o apoio do governo "à ditadura cubana que não favorece os direitos humanos". "É justo fazer isso com o dinheiro, o suor, o sangue do trabalhador brasileiro?"

Dilma defendeu as relações internacionais do seu governo: "Considero que as relações internacionais do Brasil passam por uma política de ser a maior potência regional da América Latina. Considero que a política de fato deu uma passo à frente. Estamos desenvolvendo uma relação produtiva com os Brics. Isso permitiu que criássemos um Banco de Desenvolvimento."

Pastor Everaldo ponderou: "No meu governo, o dinheiro do trabalhador brasileiro vai ficar no Brasil. Não é possível que o Porto de Paranaguá ou o Porto de Açu não tenham infraestrutura para escoar a produção brasileira e trazer resultados significativos para a balança comercial brasileira. Vou incentivar a iniciativa privada. O sangue, o suor brasileiro vão ficar no Brasil".

Dilma retrucou: " A mesa do trabalhador brasileiro, sobre tudo os seus empregos e salários, garantem hoje um padrão que aumentou o poder de consumo."

Na sequência, Eduardo Jorge perguntou para Aécio Neves sobre a criminalização do aborto. Aécio disse que a legislação atual deve ser mantida. Ele defendeu mais informação e educação, "sobretudo para adolescentes de baixa renda, e mesmo políticas preventivas para evitar a gravidez indesejada".  Eduardo Jorge retrucou, afirmando que "a legislação é cruel", porque entrega "700 mil, 800 mil mulheres à própria sorte."

Em seguida, Aécio Neves perguntou para Marina Silva sobre o nova política. "Quando foi lançada como candidata, disse que não subiria a outros palanques, como do íntegro Geraldo Alckmin. Depois, disse gostaria de ter José Serra em seu governo. A nova política também não deveria ter uma boa dose de coerência?"

Marina afirmou que se sente "inteiramente coerente" ao defender a nova política. "E isso significa combater a velha polarização, que já deu o que tinha que dar. Tenho certeza que se eu ganhar, ele ( José Serra) não vai escolher o caminho mesquinho, no qual mesmo quando os acertos são evidentes, como o Bolsa Família, a oposição critica."

Na sua réplica, Aécio disse que, para ele existe, "de verdade, uma boa e uma má política". "Não consigo vislumbrar que nomes como Ulysses Guimarães, Miguel Arraes e Tancredo Neves praticassem uma velha e má política. Estou aqui para pregar o que sempre acreditei. A estabilidade da moeda e que as privatizações de determinados setores da economia são fundamentais para aquecer economia."

Em sua tréplica, Marina afirmou que a fala de Aécio reforça o seu argumento. "Acredito na politica que pratiquei no Congresso. Um exemplo foi a votação da CPMF. Ainda que o meu partido fosse contra, mesmo sendo do seu governo, eu votei a favor. Não é a mesma postura que vocês têm de apartar o Brasil."

Em seguida, Levy Fidélix perguntou a Marina sobre sua relação com a "Dona Neca Setúbal" (Maria Alice Setúbal, herdeira do Banco Itaú) e o dono da Natura, Guilherme Leal, e sua relação com a agropecuária. "Não tenho preconceito quanto à condição econômica de quem quer que seja. Neca é uma educadora que se dedica há 30 anos à educação. Guilherme tem dedicado sua vida ao desenvolvimento sustentável. Eu quero combater claramente essa visão de apartar o Brasil, essa ideia de que temos que combater as elites. O problema não são as elites, mas a falta de elite. Essa visão tacanha de que a gente tem que ficar combatendo as pessoas com rótulo. Quero unir o Brasil, e não apartar o Brasil". Fidélix afirmou que Guilherme Leal  deve bilhões de impostos, e que Itaú deve R$ 18 bilhões em razão da fusão com o Unibanco. Marina afirmou não ver contradição em seu discurso ou parcerias. "Quem responde pelos interesses privados e empresariais são as pessoas que estão com os interesses citados pelos candidatos. Eu dialogo com pessoas. O agronegócio é importante para a balança comercial, mas deve ser feito com responsabilidade econômica e social".

Finalizando o segundo bloco, Luciana Genro perguntou para Pastor Everaldo sobre o fato de ele ter feito parte da base do governo quando o governo suspendeu o programa "Escola sem homofobia". "Isso gerou uma situação em que os professores não receberam os materiais. O senhor não se sente responsável pelas mortes de homossexuais devido a preconceitos?"

"Nunca tive preconceito e nem sou responsável por morte alguma. Acredito que hoje no Brasil temos muita carência de educação. Sei o que representa a escolha pública. Minha preocupação é com todo o brasileiro sem discriminação, independentemente de sua raça e seu credo."

Terceiro bloco

No terceiro bloco, jornalistas fizeram perguntas aos candidatos, indicando outro candidato para comentar a resposta.

Boris Casoy perguntou a Dilma, com comentário de Aécio: "A economia vive momento preocupante, com inflação alta e crescimento baixo. Se reeleita, a senhora vai manter ou mudar a política econômica?"

Dilma afirmou que o Brasil enfrenta hoje uma das mais graves crises internacionais. "Ao enfrentar essas crises, nós recusamos a velha receita, que era botar o trabalhador para pagar: desempregava, arrochava salários, empregava tarifas. Nos recusamos a fazer isso", disse, afirmando que mais de 5 milhões de empregos foram criados. "A inflação está no limite da banda da meta.Criamos as condições para um novo ciclo de crescimento. O futuro é esse: investir em um novo ciclo de infraestrutura. As pessoas têm mais oportunidades."

Aécio ponderou: "Temos uma extraordinária oportunidade de comparar o Brasil virtual com o real", afirmando que o PT mostra o "melhor dos mundos", e uma fantasia. Dilma retrucou afirmando que Aécio desconhece que exista uma grave crise internacional. "Nós combatemos a crise, não da maneira como vocês (PSDB) combateram. Eu pergunto ao telespectador: tem ou não tem mais comida? Mais acesso à moradia? Tem ou não tem o bolsa família? Eu pergunto: pode ou não haver uma comparação com o que ocorreu no Brasil há doze anos atrás?"

O jornalista José Paulo de Andrade perguntou para Marina Silva e indicou Dilma para comentar: "Ao abrir sua campanha, no Recife, a senhora criticou a questão do Brasil precisar de um gerente. O Brasil tem hoje 40 ministérios, a senhora vai manter 40 ministérios? Se manter, como vai administrar sem ser gerente?"

Marina afirmou que vai enxugar ministérios: "O Brasil tem enorme potencialidades e isso precisa ser explorado. O Estado é refém desse toma lá da cá, onde todo mundo quer um pedaço do país. Isso é mais um resquício da velha politica. Vamos sim diminuir o número de ministérios sem perder os estratégicos."

Dilma afirmou que gostaria de saber quais ministérios vão ser fechados. "No que se refere nesta posição, acredito sim, que as pessoas devem ter visão estratégica. Um presidente da República, que lida com todos os problemas do país, não vai poder viver só discursando. No presidencialismo, o presidente tem que resolver os diversos problemas do país, como os da saúde, da segurança, dos portos e dos aeroportos". Marina retrucou afirmando que o presidente precisa ter legitimidade. "Hoje temos vários ministérios cheio de anônimos que a sociedade não sabe o que fazem porque só respondem a interesses políticos dos partidos."

O jornalista Fábio Pannunzio perguntou para Aécio Neves, com comentário de Marina: "Em meio ao patrimonialismo e aparelhamento da máquina, caso vençam a eleição, quantos cargos serão de livre-nomeação?

'Eu, ao lado de companheiros de Minas, avaliamos 100% dos servidores públicos. Hoje, o estado é um exemplo, um case de sucesso", disse Aécio. "Terminamos o mandato sendo um exemplo na para a Educação. Acredito que a gestão pública não precisa ser ineficiente por ser pública. É preciso ter gente competente. O que falta ao Brasil é foco, eficiência."

Marina afirmou que a eficiência do estado é medida pela valorização dos servidores. "Pude fazer isso quando fui ministra do Meio Ambiente." Marina acrescentou que já ouviu professores do Vale do Jequitinhonha, em Minas Gerais, reclamarem dos baixos salários e da falta de investimento do governo do estado.

Aécio afirmou que Marina faz "uma enorme injustiça" com os professores do Vale do Jequitinhonha, e que o governo criou metas de avaliação e investiu em regiões pobres de Minas Gerais.

O jornalista Bóris Casoy perguntou ao Pastor Everaldo, com comentário de Marina:: "Caso eleito, o senhor vai propor o fim ou vai manter o fator previdenciário? "

Pastor Everaldo afirmou que fará uma reforma da previdência. "O fator previdenciário deu um atraso enorme para aqueles que trabalharam para o Brasil. Vamos estudar para achar uma recuperação da aposentadoria. Vamos trabalhar para que haja uma recuperação não imediata mas em um prazo mais curto da perda do aposentado no nosso querido Brasil"

Marina afirmou que a responsabilidade que um país tem com o seu povo é vista pela forma que trata sua crianças e idosos. "Hoje vemos que nossos idosos têm a aposentadoria acirrada.Vamos fazer uma correção para que os idosos tenham um aposentadoria mais digna."

O jornalista José Paulo de Andrade perguntou a Luciana Genro, com comentário de Dilma. Andrade citou a questão indígena, e lembrou casos como o de Roraima e a crítica à Funai. "Somos ou não iguais em direito. Qual é a sua política?"

"A minha política indigenista seria a demarcação imediata das terras. Os conflitos entre nativos e agricultores deve ser sanado. Há uma grande concentração de terra nas mãos de poucos, muitas empresas, internacionais inclusive, voltadas para a produção de commodities". Dilma comentou que existem hoje 462 terras indígenas demarcadas, "2,2% do território nacional são demarcados." 

Luciana Genro retrucou: "Queria desafiar a presidente para regulamentar o (projeto de) imposto sobre as grandes fortunas. O imposto sobre as grandes fortunas está na Constituição. Estamos propondo que fortunas a partir de 50 milhões paguem uma alíquota maior, possibilitando um aumento no orçamento".

Em seguida, foi perguntado ao candidato Eduardo Jorge e a Aécio Neves se os candidatos assumem a responsabilidade do dinheiro da campanha ou, se der algum problema, "vão fazer como os outros e vão responsabilizar o tesoureiro? "

"Sou responsável pela campanha. Inclusive, mandei uma carta para o TRE, logo quando começou a campanha dizendo que na campanha presidencial do Partido Verde não receberemos dinheiro de pessoa jurídica", disse Eduardo Jorge. "Iremos trabalhar com fundo partidários e com dinheiro de pessoas físicas."

Aécio completou: "Sempre fui responsável pelas minhas contas, em todas as eleições e todas foram aprovadas. Essa pergunta puxa outra questão que venho debatendo com o meu partido. Defendo o voto distrital e o fim da reeleição."

Finalizando o terceiro bloco, Boris Casoy perguntou a Levy Fidélix, com comentário de Eduardo Jorge: "O Banco Central, como está, é dependente ou semidependente?"

"O dia que nós pudermos transformar política vigente, beneficiando a produtividade, mudaremos totalmente", disse Fidélix. O candidato lembrou que R$ 2 trilhões e 200 bilhões são o orçamento do União. "Fernando Henrique deixou o governo com uma dívida interna que aumentou no governo Lula e multiplicou no governo Dilma.  Está tudo errado! O Brasil tá falido, errado!". Eduardo Jorge afirmou que o PV não é a favor de um Banco Central independente. "Independente de quem? Do povo?" 

Quarto bloco

No quarto bloco, candidatos voltaram a fazer perguntas entre si. Levy Fidélix peguntou a Aécio Neves: "Se eleito o que o senhor vai fazer para melhorar o transporte, especialmente obre trilhos ?"

Aécio destacou que, durante mais de dez anos, "o atual governo demonizou as parcerias com a iniciativa privada." "Hoje, as faz com enorme atraso. O PT perdeu um tempo que custa muito caro para quem trafega nas nossas cidades. No meu governo, não haverá espaço para o trem-bala, porque os recursos para o trem-bala poderiam ser utilizados para os transporte de massa em diversas capitais".

Em seguida, Aécio perguntou a Dilma sobre a Petrobras, que  "perdeu metade do valor de mercado e está nas páginas policiais."

Dilma destacou: "Acho que o senhor desconhece a Petrobras. Hoje a Petrobras é a maior empresa da América Latina. Passou de um valor de R$ 5 bilhões do seu governo para R$ 10 bilhões no nosso. No meu governo a Petrobras descobriu e perfurou o pré-sal. Vocês (PSDB) disseram que tínhamos inventando o pré-sal, e conseguimos tirar 540 mil barris. A Petrobras é uma empresa que aumentou de valor. O voluma de reservas permite ser uma das maiores empresas de petróleo do mundo. Não sou eu quem digo, mas consultorias. Em 2018 vamos produzir 3,8 barris. A Petrobras é uma grande riqueza do Brasil. Não fomos nós que tentamos mudar o nome para Petrobrax, porque soava melhor na língua inglesa. Nunca investigamos sobre a troca de ativos que houve entre a Petrobras e uma empresa que hoje é argentina. É uma leviandade tratar uma empresa deste porte dessa forma."

Eduardo Jorge perguntou para Marina Silva sobre reformas. "Desde 2010, quando fui candidata, e junto com Eduardo Campos e junto com Beto Albuquerque, falamos da importância das reformas. Se não vamos continuar vendo a cada eleição, os candidatos se comprometendo a fazer reforma. E quando chegam no governo, só fazem a reforma do compromisso, como vimos no governo do PSDB e do PT. Temos que pensar o principio da transparência. Quando as pessoas sabem os tributos que pagam, elas querem saber o retorno que trazem em serviços", disse Marina.

Luciana Genro perguntou para Marina sobre o fato de os economistas de sua campanha serem conhecidos por ter vínculos com o PSDB.  A candidata perguntou se Marina arriscará ajustar as contas com o crescimento do desemprego.

"Não considero que as conquistas econômicas e sociais possam ser fulanizadas. Conquistas sociais devem ser entendidas como um direito, e é assim que vamos governar", disse Marina.  "Nós queremos governar com os melhores, aqueles que se dispõem a melhorar o país. Não tenho preconceito com pessoas honestas".

Dilma perguntou para Pastor Everaldo sobre energia elétrica. "Quais são as fontes de energia que o senhor defende para garantir o crescimento do país?"

"A minha proposta é trazer a iniciativa privada e liberar o mercado para que o foco do governo seja a saúde e educação."

Dilma destacou a necessidade de haver planejamento: "A última vez que não houve planejamento no abastecimento, tivemos um racionamento de proporções gigantescas. Hoje precisamos de 70 mil megawatts. Eu acredito que a maior e principal fonte é a hidroelétrica e outras fontes são complementares, como é o caso da energia eólica. Então, eu acho que em energia elétrica tem que praticar e gerir".

Pastor Everaldo perguntou a Dilma sobre a carga tributária. "Qual é a sua proposta para a reforma tributária?"

"Primeiro queria esclarecer que nós fizemos um conjunto de exonerações muito fortes. Primeiro a cesta básica, porque beneficia a dona de casa, o trabalhador, todos aqueles que têm, na questão da alimentação, um dos seus maiores gastos. Depois, para aumentar e garantir emprego, desoneramos a folha de pagamento das empresas sobre o trabalhador. Isso significa que foi um incentivo para contratar mais gente. Depois considero a lei de universalização do Simples. Reduzimos a tributação sobre o microempreendedor individua. No setor elétrico, o setor privado está presente. Essa questão da transmissão de eólica foi resolvida há tempos atrás. Nós conseguimos ampliar no Brasil as linhas de transmissão. Acho que é fundamental a reforma tributária, mas como isso depende do parlamento, dependo de uma maioria parlamentar".

Marina perguntou para Pastor Everaldo: "O senhor tem falado que defende o estado mínimo e isso é parte da sua plataforma. Qual é o papel do estado na sua concepção no desenvolvimento nacional?"

"Defendo um enxugamento da maquina do estado. Defendo um estado minimo. Vou reduzir os ministérios para 20. Passar para a iniciativa privada empresas como a Petrobras, que só é foco de corrupção. Para que o estado possa focar na saúde, educação." 

Marina destacou que defende o estado mobilizador, que defenda o melhor de si mesmo, para que "a gente possa ter eficiência."

Quinto bloco

No quinto bloco, jornalistas voltaram a fazer perguntas aos candidatos, indicando outro candidato para comentar. 

José Paulo de Andrade perguntou para Aécio, indicando Dilma para comentar: "O governo federal criou por decreto o conselho de participação social. O conselho foi considerado um ato bolivariano, por deixar de lado o Congresso Nacional e roubar suas prerrogativas. Como o candidato vê a imposição do decreto?"

"Vejo com enorme preocupação. A democracia pressupõe instituições sólidas. Participações populares são importantes, mas a formatação que busca trazer o PT é algo que avulta um poder que deve ser independente e soberano, porque foi eleito pela sociedade brasileira. . Pode levar para uma democracia direta, em vez da representativa, quer o controle da mídia. A liberdade de imprensa é um pressuposto absolutamente fundamental. Portanto, a nossa preocupação é com o momento que ele é colocado em discussão. Por isso estamos apoiando dentro do Congresso Nacional a suspensão desse decreto, para que a candidata possa discutir com as forças desse país o caminho adequado".

"É normal que o candidato Aécio pense assim", disse Dilma. "Ele sempre teve muito medo da participação social e do diálogo." Dilma destacou que o decreto regulamenta a participação de setores da sociedade. "É um diálogo. Não um processo decisório", diz Dilma.

Em seguida, Bóris Casoy perguntou para Marina, com comentários de Aécio Neves: "Setores da economia criticam o que chamam de "seu radicalismo ambientalista". Como a você recebe essas críticas?"

"Primeiro, com muita tranquilidade. Quando fui ministra do Meio Ambiente, uma das primeiras coisas que falei é que iriamos fazer um esforço não para dizer somente o que não podia mas para fazer o que se podia fazer na área do desenvolvimento econômico. Foi assim que viabilizei as licenças mais difíceis dessa República. Foi na minha gestão que saiu a licença da BR-163. Foi na minha gestão que saiu a licença do São Francisco. Implementei uma política ambiental transversal, perpassando a política de todo o governo. Com isso, diminuindo o desmatamento em mais de 80%. Fui eu, como ministra do Meio Ambiente, que introduzi a avaliação integrada estratégica que viabilizou investimentos que pareciam impossíveis em outros governos".

Aécio destacou a produção de etanol: "No atual governo, fontes de energia não foram exploradas como deveriam, um exemplo é a energia eólica e a biomassa, esta última porque o governo destruiu a exploração do etanol."

Marina complementou: "Eu fico muito tranquila em fazer este debate porque o esforço de fazer um modelo de desenvolvimento capaz de fazer jus ao século XXI é o que vai definir o desenvolvimento econômico. Tanto no governo do PSDB, como no governo do PT, cada um tem uma ameaça de apagão para chamar de seu".

O jornalista Fabio Panuzio perguntou a Dilma: "Tenho andado pelo país e visto a importância do Mais Médicos. Mas há um problema legal e ao mesmo tempo moral. A diferença entre o salário dos cubanos e dos outros médicos que chegam ao país. Como lidar com essas questões?"

"Nós estamos pagando aos bolsistas que fazem residência R$ 2.976, para ser precisa. Aos bolsistas do Mais Médicos, além de R$ 2.900, variando com câmbio, (pagamos também) alimentação, transporte e moradia. Esses bolsistas são os cubanos. Além disso, no governo cubano, eles mantêm tanto os seus salários como seus direitos previdenciários. O Mais Médicos manteve um padrão ético e correto. Nós tentamos contratar médicos brasileiros, não foi em número suficiente. Recorremos aos médicos cubanos. Hoje, há 50 milhões de brasileiros beneficiados pelo Mais Médicos".

Marina comentou afirmando que é precisa formar médicos. E que o Mais Médicos deve ser mantido sem discriminações. 

Jornalista perguntou ao Pastor Everaldo sobre como a população pode deixar de depender dos programas sociais.

Pastor Everaldo afirmou implementou o primeiro Bolsa Família do Brasil, que foi o Cheque Cidadão, em 1999. "Tinha uma obrigatoriedade de colocar as crianças nas escolas, matricular.O melhor programa social é quando você capacita. Quando a pessoa recebe este benefício e a gente dá condição de capacitação para que ela tenha condição de entrar no mercado, ela vai dizer que não precisa mais de usar este programa". 

Aécio também afirmou que os programas de transferência de renda serão mantidos no seu governo. "O poupança jovem é uma alternativa nova e valiosa, direção oposta do assistencialismo. Ele evita a evasão escolar."

O jornalista Boris Casoy perguntou a Eduardo Jorge, com comentário de Dilma. Boris falou sobre o controle social da mídia e afirmou que o PT insiste na pauta do controle da imprensa. "Como você agirá?"

"Sou obrigado a apoiar a posição da presidente Dilma. Ficarei com ela", disse o candidato, que terminou sua fala sem utilizar o tempo total do debate.

Já Dilma afirmou que a liberdade é "um valor básico da democracia". "Como o setor da telefonia, portos (...) sou a favor da regulação econômica, mas mantendo-se a liberdade."

Luciana Genro foi questionada sobre o ensino do Criacionismo na rede pública o ensino.

"Acho que é um absurdo. Nós precisamos investir na educação e levar para dentro das escolas os principais debates que são feitos na juventude. Nós temos um debate que é a guerra das drogas. Acho que dentro da escolas, deveríamos discutir o problema da maconha, ao invés do criacionismo". 

Marina comentou: "Quero deixar claro que a questão do ensino religioso consta na lei de diretrizes e bases e ele não é obrigatório. É facultativo, exatamente para não influenciar ninguém. Nos meus 16 anos na política, nunca propus nenhuma lei de ensino de religião. Ninguém nunca me viu defender algo diferente do estado laico, como ele deve ser."

Levy Fidélix foi questionado sobre a segurança pública.

"A população não está de acordo com essa violência. As pessoas são vitimizadas por um aparato de segurança ineficiente. O investimento é ineficiente. O ministério (da Justiça) é muito pouco. Temos que fazer uma reforma neste país na segurança. A polícia tem que ter uma melhor remuneração. Ninguém citou aqui a PEC 300. O governo atual não coloca em votação o projeto. Temos que reduzir a maioridade penal, privatizar a carceragem. 

Sexto bloco

No sexto bloco, os candidatos fizeram suas considerações finais:

Pastor Everaldo

"Sou um defensor da liberdade de imprensa sem marco regulatório. Sou a favor da vida do ser humano desde a concepção, sou contra o aborto. Defendo a criminalização das drogas. Aqui não é Cuba, não é Venezuela. Defendo casamento entre homem e mulher. Tudo que for possível será privatizado para priorizar a saúde e educação. Defendo a redução da maioridade penal para que esses bandidos, que vivem matando, não sejam tratados como inocentes. Não vou decepcionar vocês, não vou decepcionar o Brasil."

Dilma Rousseff

"Eu queria cumprimentar e dizer que o debate sempre fortalece a democracia. Fui eleita para reforçar o programa iniciado no governo do presidente Lula. Estamos fazendo um país mais moderno, mais competitivo e mais produtivo. Para este salto, colocamos a educação no centro. Educação está acima de tudo. Educação é a base do futuro. Vamos continuar transformando cada vez mais, para que tenhamos mais emprego e estímulos para os empregadores. Isso com mais segurança e saúde. Vamos além, com mais transporte. A educação é o caminho para garantir maior produtividade. Quero dizer que eu e o vice Michel Temer acreditamos no Brasil e sempre acreditamos e temos certeza que o Brasil vai avançar. "

Eduardo Jorge

"A Luciana (Genro) não gosta de paz e amor, mas eu gosto. Isso não quer dizer covardia. Paz e amor são ideias de Gandhi, Lennon. Queremos transformar cultura de paz de guerra. O PV é contra o genocídio, a guerra. Quem pensa assim é o Partido Verde. É um partido pequeno, mas tem ideias grandes. É um partido necessário para o século 21. Nos deem força e elejam os parlamentares do PV".

Levy Fidelix

"Não podemos conduzir uma política social com investimento na saúde, com hospitais cheios, não podemos conduzir uma política educacional e não podemos conduzir a questão do transporte sem fazem profundas reformas, principalmente no plano econômico. A empresa que é o Brasil, esta grande empresa, está quebrada. Ou modificamos isso ou povo vai continuar acreditando em Papai Noel. Saio daqui com a consciência tranquila que pelo menos esse recado foi dado pelos senhores".

Luciana Genro

'Quero finalizar dizendo que os três principais candidatos têm diferenças, mas que, na essência, têm as mesmas diretrizes econômicas. Quem não se coloca em confronto contra esses interesses e diz que escuta as manifestações de junho está mentindo."

Aécio Neves

"É hora de caminharmos para mais uma decisão. Não está claro quais os rumos que a candidata Marina e Dilma querem seguir. Temos que ter certeza e confiança para que a saúde melhore, o emprego melhore, que o país tenha uma polícia econômica diferente desta que nos levou para inflação e baixo crescimento. Quero oferecer para os brasileiros um caminho da segurança, responsabilidade, previsibilidade. Se for eleito presidente da República, nomearei como ministro da Fazenda um dos economistas mais responsáveis do mundo, responsável pelo tripé econômico elogiado por outra candidata, Armínio Fraga, que vai nos ajudar, com uma equipe de colaboradores, a construir um novo ciclo de economia sustentável no Brasil."

Marina Silva

"Eu estou vindo de uma realidade traumática que foi a perda do nosso candidato Eduardo Campos. Eu fui privada de ter o registro da Rede Sustentabilidade, que era o partido que estava criando. E naquela oportunidade, fui até o Eduardo Campos. Temos um programa que defende a saúde, a educação, a segurança pública. De termos um plano de governo que faço com que esse país volte a crescer mas que também promova justiça social. Esse era o compromisso que tinha com Eduardo Campos, esse é o compromisso que tenho com Beto. Nos ajude a fazer um país melhor de se viver".

Tags: #eleições, candidato, debate, Eleitor, urna

Compartilhe:

Postar um comentário

Faça login ou assine para comentar.