Jornal do Brasil

Sábado, 18 de Agosto de 2018 Fundado em 1891

País - Editorial

Ideias. E as soluções?

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Procede a observação, mais construtiva que propriamente crítica, dos que consideraram importante, mas não suficiente, o primeiro debate realizado pela televisão com os candidatos à Presidência da República. Foi importante por ter revelado a tendência de o processo eleitoral se desenvolver sob padrões minimamente respeitosos entre eles, salvo algumas incursões que provocaram o clima, sem contudo prosperar. Pode ter servido, igualmente, para dar ao eleitor a possibilidade de optar por um postulante mais à direita ou à esquerda, ou mesmo do centro, ainda que pendores ideológicos não sejam exatamente o que o Brasil possa reclamar neste momento.

Os analistas, em sua grande maioria, como também alguns dos principais órgãos da imprensa, anotaram que, inexistindo o debate, mas, na verdade, uma cuidadosa produção jornalística que fez dos candidatos, alternadamente, entrevistados e entrevistadores, o que ficou do primeiro encontro foram ideias e conceitos, alguns com brilho; porém com raras informações sobre o que pretendem fazer para solucionar os graves problemas que todos dizem conhecer com profundidade e riqueza de detalhes.

Aliás, considerando-se a pobreza de objetividade, quando seria proveitoso entrar no campo das soluções, foram eles, em grande parte, os próprios responsáveis: diante das câmeras a preocupação frequente não era mostrar o que o adversário sabia, mas exatamente o que ignorável. Parece fora de dúvida que os problemas que disseram conhecer, não só eles, mas toda a sociedade conhece e vivencia sobejamente. 

Às muitas dificuldades que souberam apontar seria desejável que, logo após sua formulação, cada qual mostrasse os remédios que pretende ministrar para removê-las. A crise na segurança pública serve de exemplo ao confirmar que alguma coisa ficou faltando na exposição dos concorrentes à primeira magistratura do país. Os brasileiros em geral, os cariocas em particular, sabem, e não há necessidade de outras vozes para advertir, da dimensão e da gravidade da crise na segurança pública. Já sabendo o que há, querem ver propostas concretas para as soluções, sem se contentarem com a manifestação de boas intenções. 

Foram muitas as vezes em que se reclamou consistência na exposição dos programas de campanha eleitoral. A repetição poderia pecar pelo excesso, mas a insistência acaba se tornando oportuna, em nome do papel didático que também é parte nas relações candidato-eleitor. Aqui mesmo neste espaço muito se comentou sobre isso.  

Tendo ficado um elenco de boas intenções, sem maiores indicações sobre caminhos a percorrer, talvez não seja difícil agregar uma sugestão, com o respaldo de muitos que assistiram, com olhares críticos, ao debate do dia 9. E também concordariam, como recurso mais produtivo, com um novo modelo de confronto e diferenciação: seriam destinados vinte ou trinta minutos a cada candidato para mostrar, sob ordem de sorteio, sua bagagem de soluções para os desafios conhecidos. Sem que devessem se preocupar em sabatinar adversários, e, questionando-os, tanto quanto possível embaraçá-los. Não foi outra coisa o que agora se viu.

Aceita ou não a ideia, é preciso encontrar a forma de levar o candidato a se revelar não apenas conhecedor dos problemas, pois, de tão antigos e persistentes, novos diagnósticos já são dispensáveis. O Brasil quer correr atrás de soluções. As grandes redes de televisão reúnem recursos e experiências para prestar esse serviço, posto que o formato todo ano adotado para expor os candidatos esgotou-se.



Tags: candidato, editorial, eleições, jb, presidente

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