Jornal do Brasil

Domingo, 22 de Julho de 2018 Fundado em 1891

País - Editorial

De volta ao cotidiano

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Bolas longe das redes, Copa distante, frustração esquecida e lágrimas confiadas aos lenços. É chegada a hora de voltarmos ao dia a dia do país, que já não tem muito o que oferecer na pauta das grandes emoções prometidas pelo futebol. Silenciadas as emoções, cuidemos, portanto, de escapar das comoções, o que já seria altamente estimável, para aliviar os desassossegos que tomam parte do cotidiano. A partir de agora, muitas coisas que temos pela frente vão cobrar atenções e cuidados, a começar pelas eleições de outubro, onde vai desaguar uma campanha que estava sendo adiada, sob o pretexto de que, em Copa do Mundo, o Brasil não tem outros olhares que não sejam para ver a bola rolar. Não é bem assim, embora admitida alguma razão, porque é nessa preferência popular que muitas vezes apostou nossa capacidade de autoestima e de orgulho nacional.

Ainda com total competência para preocupar, figura a necessidade de policiar a atuação do governo na reta final de seus poderes, sobretudo em relação à vulnerabilidade que se tem conferido ao patrimônio das estatais, que não podem ser sacrificadas em nome de ordenamentos fiscais. A preocupação em fechar o caixa sempre autoriza incursões apressadas e aventuras praticadas pelos governos acossados pelas dívidas e pelos balanços negativos. Está sinalizado que ao atual agrada o mesmo caminho.

A bola, agora, também haverá de rolar para a pequena área do Supremo Tribunal Federal, onde paira a preocupação de alguns de seus ilustres membros em não considerar como graves, passíveis de penas, as travessuras dos agentes políticos que causaram danos ao interesse público. Passaram a libertar os criminosos por eles mesmos condenados, o que gera, ante a sociedade, um clima de absoluta insegurança. Ou porque se havia condenado injustamente ou porque há flagrante descuido na aplicação da lei. É preciso acompanhar, com devida atenção, o que suas excelências estão pensando sobre as expectativas da vida nacional de dar cobro à avassaladora corrupção. É exatamente ali, na sua mais alta corte de Justiça, que os brasileiros não podem admitir injúrias contra a verdade e a moralidade.

Como parte indispensável da campanha eleitoral que agora vai tomar fôlego, até porque têm interesse direto na sua reeleição, figuram os deputados e senadores, em nome do Legislativo. Participando e angariando votos, é preciso que expliquem – e deixem bem explicado - aos seus eleitores a razão de o poder constituído que representam ter se apequenado de tal forma, que hoje lidera as pesquisas da desconfiança geral. Mesmo os que eventualmente sejam inocentes no muito que se apurou e se comprovou, também eles estão obrigados a prestar contas das Casas em que têm assento.

Essas cobranças, que são permanentes e irremovíveis, ampliam oportunidade e conveniência, também para que se revele um Brasil capaz de não cuidar apenas do futebol. O jogo que se abre agora tem de ser claro em relação aos problemas e as desejadas soluções. É expectativa, diga-se de passagem, com rigorosa seriedade, aos candidatos à Presidência da República. Pois em seus círculos não faltavam os que se orientavam em dividir o sentimento popular em torno da campanha eleitoral, dependendo dos rumos do grande certame de futebol. Gostariam de tomar garupa no sentimento festivo, havendo a taça. Parece um certo exagero nisso, porque os excessos do fanatismo nesse campo ficaram abandonados no passado. Seria exercício de imprudência, portanto, medir o interesse eleitoral, para mais ou para menos, de acordo como as coisas andariam em Moscou.

Guardemos as chuteiras, mas continuemos vestindo a camisa do Brasil.



Tags: brasil, copa, editorial, justiça, política, stf

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