Jornal do Brasil

Quinta-feira, 21 de Junho de 2018 Fundado em 1891

País - Editorial

Momento para os jovens

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Para distinguir o estadista das mediocridades e dos descompromissos com a nação o melhor que se pode avaliar é o grau de importância que ele destina ao preparo das gerações que vão sucedê-lo. Churchill, do alto de sua sabedoria, disse algo parecido ao traçar o perfil de um governo que se lança para a História; é aquele que projeta olhares para o futuro, à medida em que o presente se esvai. Antes e depois dele o caminhar das civilizações não nega isso. Só confirma.   

Portanto, olhos e atenções para a população jovem, que tem de estar preparada para assumir altos encargos, seja na iniciativa privada ou na administração pública, não podem ser outra coisa a cobrar dos governantes brasileiros, tanto os que em breve se despedem como os que vão assumir responsabilidades ao se elegerem nas urnas de outubro. 

À multidão jovem que vem se formando é preciso, além de garantias mínimas de espaço no mercado, porque sem isso não há subsistência, transferir a certeza da prevalências da probidade nas relações humanas; ainda mais sérias quando nessas relações estiver em tela o patrimônio público.Neste caso, quem adotar a vocação política terá de saber que tudo tem a ver com o desprendimento, com o desejo de servir. Ditas essas coisas, numa quadra da vida brasileira em que a corrupção atinge proporções escandalosas, pode parecer exercício de ficção, pregação vazia no deserto, onde mil demônios acenam com a facilidade das propinas institucionalizadas. Os fatos e os maus exemplos apelariam para o descaminho das conhecidas vantagens que navegam em águas suspeitas.

Mas não é assim. A vida sempre sinaliza para caminhos abertos às virtudes que vale a pena preservar, e que permanecem vivos, por mais que os maus, sujando e empobrecendo o Brasil, se esforcem para negá-las. Muito melhor é não admitir desvios na linha da honradez, e, em se tratando da política, estando nos gabinetes executivos, os moços não podem condescender no favorecimento ao banditismo que se oficializou. Ou nas salas da Justiça, trabalhar contra o comércio dos recursos espúrios, esses mesmos expedientes que servem aos muito ricos e apressam a cadeia para os muito pobres.   

Os educadores e os líderes andarão bem se contribuírem para levar a juventude a entender que não convém associar-se ao crime e à malversação. Porque, por mais que grasse a corrupção, chega o momento em que a sociedade exige e força os poderes a reagir, exige um basta na desordem, e é quando até os intocáveis vão para a prisão. Como agora. Ricos empresários e empreiteiros, perpétuos ganhadores das licitações, ex-governadores e parlamentares tradicionais tomadores do dinheiro público veem-se obrigados a trocar o luxo de suas mansões por celas mofadas. Porque um dia a casa cai e com ela desaba a maldita impunidade, gestora dos grandes crimes, matrona dos campeões da corrupção. 

Todas as atenções voltadas para os jovens, sem tardança, pois a expectativa é que possam ajudar a renovar o país já com uma participação ostensiva e idealista no processo eleitoral que vem chegando. Não há mudanças sem eles, desde que atentem para aquela oportuna pregação de um religioso de talento, padre Geraldo Dondici,  a um grupo de meninos a caminho da adolescência: não roubar, não corromper. Eis a grande síntese dos Mandamentos.   

Oxalá, com as novas gerações, o paraíso dos impunes possa estar caminhando em passos firmes para sua total aniquilação. Não custa acreditar.



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