Jornal do Brasil

Quarta-feira, 22 de Fevereiro de 2012

Editorial

A mídia estrangeira e os ataques ao Rio 

Jornal do Brasil

Enquanto o Rio ainda chora seus mortos na tragédia do Centro, a mídia estrangeira se apressa em apontar erros e levantar suspeitas sobre a capacidade da cidade para receber eventos de grande porte, como os jogos da Copa do Mundo e a Olimpíada. O primeiro equívoco está em relacionar um acidente como este, em que prédios desabaram surprendendo autoridades e população, com a possibilidade ou não de o Rio oferecer estrutura para grandes eventos. Um fato não tem qualquer relação com outro.

Acidentes como este, infelizmente, podem acontecer em qualquer país. Mas o que os críticos esquecem é que, nas principais cidades do mundo, outros tipos de tragédias já deixaram milhares de mortos e mostraram a gigantesca vulnerabilidade de suas estruturas de segurança. Foi assim na Olimpíada de Atlanta, em 1996, quando uma explosão no Parque Centenário, no centro da cidade, deixou dois mortos e mais de 100 feridos. Nem a presença de 35 mil soldados e o FBI impediram o ato terrorista. Antes mesmo disso, em Munique, na Alemanha, mais uma vez o terror mostrou suas garras durante a olimpíada. Em 1972, um grupo de terroristas palestinos da organização Setembro Negro invadiu a Vila Olímpica e ingressou nos dormitórios da delegação israelense, exigindo a libertação de 200 árabes prisioneiros em Israel. Dezoito pessoas, entre atletas, terroristas e policiais, foram mortas durante a ação.

O terror já deixou suas marcas em toda a Europa e fez ruir o símbolo da supremacia americana, no histórico 11 de Setembro. Portanto, as críticas que agora Europa e EUA dirigem ao Brasil, e especialmente ao Rio, por causa de uma tragédia que nem de longe se compara com as que eles mesmos já viveram, soam como um oportunismo macabro, flagrante de quem verdadeiramente desmorona numa crise financeira sem precedentes.

O Brasil está na linha de tiro da Europa, que passa por um processo decadente. Estão botando o bode na sala, quando o mau cheiro vem deles. Não é de se estranhar que o presidente da Fifa, Joseph Blatter, gaste seu tempo em insistentes críticas à organização da Copa do Mundo no Brasil, enquanto ele mesmo enfrenta uma série de denúncias de corrupção dentro de sua casa. Ou que a Vale, uma das maiores, mais importantes e exemplares empresas do país, venha sendo vítima de campanha injusta e difamatória, patrocinada por supostas instituições que se dizem defensoras da sociedade e do meio ambiente, mas que, ao que parece, têm como alvo a soberania do nosso povo. 

O Rio estará, sim, preparado de forma adequada para receber jogos da Copa do Mundo e a Olimpíada. A administração do prefeito Eduardo Paes vem dando claros exemplos de eficiência e capacidade para enfrentar e superar desafios. Apesar de todos os ataques e torcida contra, a cidade, como sempre, encantará o mundo.

Tags: cidade, Copa, editorial, esporte, JB

Comentários

12 comentários
  • João Batista, RIO DE JANEIRO
    João Batista, RIO DE JANEIRO

    A administração do prefeito Eduardo Paes vem dando claros exemplos de eficiência e capacidade para enfrentar e superar desafios. Apesar de todos os ataques e torcida contra, a cidade, como sempre, encantará o mundo.
    VOCE ESTA DE BRINCADEIRA.

  • Paschoal, São Luis
    Paschoal, São Luis

    Parabens pelo editorial

  • Dayanne, Rio de Janeiro
    Dayanne, Rio de Janeiro

    Fiz exatamente o mesmo discurso ao tomar ciência das críticas feitas sobretudo pela BBC de Londres!

  • Carlos Almeida, Rio de Janeiro
    Carlos Almeida, Rio de Janeiro

    Há uma enorme diferença entre lidar com atos terroristas imprevisíveis e lidar com desmoronamentos facilmente evitáveis por via de inspeções periódicas da autoridade competente. Aliás, esse papel é do CBMERJ, que deveria fiscalizar anualmente as estruturas prediais, utilizando para esse trabalho o dinheiro da taxa de incêndio, que doutro modo, diz-se, é atualmente utilizado para pagar passeios de oficiais pela Europa e EUA a pretexto de treinamento.

  • Roberto Oliveira, Paris
    Roberto Oliveira, Paris

    ja estamais que na hora em não nos preocuparmos com o que os outros dizem e passarmos a dar valor ao que temos.
    Sou Carioca, amo minha cidade a defendo sempre, como agora em que o quanto nos falta ateção, apenas um pequeno flash a noticia de desbamento de 3 predios, flash mesmo, que tive que recorrer a internete para melhor me informar do acontecimento.
    Adoro a França e os franceses, mas posso dizer que melhor informação do que se passa no mundo, somente em nossos jornais, pelo menos dos que vejo aqui.
    Vamos seguindo, calados e preparando para mostrar ao mundo que não somos desse terceiro mundo que querem nos colocar.
    Temos umaparte da população pobre sim, mas quando querem informação tem.

  • Valdério F. dos Santos, Niterói
    Valdério F. dos Santos, Niterói

    Concordo plenamente com o editorial, precisamos botar a boca no trombone. Para de aceitar críticas destrutivas passivamente.A inveja dos países ricos e decadentes tem incomodado o Brasil nesses últimos anos.Viramos bode espiatório de tudo de ruím do mundo.

  • João Carlos, Rio de Janeiro
    João Carlos, Rio de Janeiro

    Editorial muito bom. Parabéns!

  • Marcelo Nascimento, Itaperuna
    Marcelo Nascimento, Itaperuna

    Perfeitas colocações, embora alguns vejam com desdém esse editorial. Acreditar no país e numa cidade brilhante como o Rio de Janeiro é demonstrar amor e confiança no pulso do brasileiro. Os brasileiros que vão contra são os de sempre, aqueles que amam se vangloriar de seu complexo de vira latas. Os gringos invejosos terão, citando o nobre Zagalo, que nos engolir. Avante Rio...avante Brasil!!!

  • Rocildo Caracas, Tauá-CE
    Rocildo Caracas, Tauá-CE

    Amei este editorial. A velha arrogância da Velho Mundo, que está entrando em decadência moral, financeira e cultural, está colocando suas nefastas unhas sujas de fora e olhando o rabo dos outros e esquecendo de olhar primeiramente para o seu. Valeu!!! Gostei da sua defesa.

  • Alexandre Magnus, Petrópolis
    Alexandre Magnus, Petrópolis

    Para acontecer tragédia aqui, não é necessário atentado terrorista...

  • uanderson, Rio de Janeiro
    uanderson, Rio de Janeiro

    Parabéns pelo editorial, não me lembro de ter visto alguém defender o Rio na imprensa, nem mesmo a imprensa carioca, que alias e a primeira a difamar nossa cidade. Não é apenas a imprensa estrangeira que esta malhando o Rio, na imprensa nacional leio comentário sempre ridicularizando o Rio, coisas do tipo: “ O Rio é um estrondo!”, ou “ Rio a cidade em chamas!” e como falei, uma coisa interessante é que o próprio Carioca esculhamba a cidade, fiz ate um artigo no meu blog com o titulo: “ Carioca se acha esperto, mas não passa de Zé mane”. Neste artigo falo sobre a capacidade de certos cariocas em não dar valor ao que temos aqui, e muitas vezes achar que tudo que há de ruim ocorre somente no Rio.

  • Carlos Almeida, Rio de Janeiro
    Carlos Almeida, Rio de Janeiro

    Na Europa/EUA os edifícios caem por ataques terroristas ou fenômenos naturais inesperados; não caem de podre por falta de vistoria dos órgãos competentes. Não se pode comparar.

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