A mídia estrangeira e os ataques ao Rio
Enquanto o Rio ainda chora seus mortos na tragédia do Centro, a mídia estrangeira se apressa em apontar erros e levantar suspeitas sobre a capacidade da cidade para receber eventos de grande porte, como os jogos da Copa do Mundo e a Olimpíada. O primeiro equívoco está em relacionar um acidente como este, em que prédios desabaram surprendendo autoridades e população, com a possibilidade ou não de o Rio oferecer estrutura para grandes eventos. Um fato não tem qualquer relação com outro.
Acidentes como este, infelizmente, podem acontecer em qualquer país. Mas o que os críticos esquecem é que, nas principais cidades do mundo, outros tipos de tragédias já deixaram milhares de mortos e mostraram a gigantesca vulnerabilidade de suas estruturas de segurança. Foi assim na Olimpíada de Atlanta, em 1996, quando uma explosão no Parque Centenário, no centro da cidade, deixou dois mortos e mais de 100 feridos. Nem a presença de 35 mil soldados e o FBI impediram o ato terrorista. Antes mesmo disso, em Munique, na Alemanha, mais uma vez o terror mostrou suas garras durante a olimpíada. Em 1972, um grupo de terroristas palestinos da organização Setembro Negro invadiu a Vila Olímpica e ingressou nos dormitórios da delegação israelense, exigindo a libertação de 200 árabes prisioneiros em Israel. Dezoito pessoas, entre atletas, terroristas e policiais, foram mortas durante a ação.
O terror já deixou suas marcas em toda a Europa e fez ruir o símbolo da supremacia americana, no histórico 11 de Setembro. Portanto, as críticas que agora Europa e EUA dirigem ao Brasil, e especialmente ao Rio, por causa de uma tragédia que nem de longe se compara com as que eles mesmos já viveram, soam como um oportunismo macabro, flagrante de quem verdadeiramente desmorona numa crise financeira sem precedentes.
O Brasil está na linha de tiro da Europa, que passa por um processo decadente. Estão botando o bode na sala, quando o mau cheiro vem deles. Não é de se estranhar que o presidente da Fifa, Joseph Blatter, gaste seu tempo em insistentes críticas à organização da Copa do Mundo no Brasil, enquanto ele mesmo enfrenta uma série de denúncias de corrupção dentro de sua casa. Ou que a Vale, uma das maiores, mais importantes e exemplares empresas do país, venha sendo vítima de campanha injusta e difamatória, patrocinada por supostas instituições que se dizem defensoras da sociedade e do meio ambiente, mas que, ao que parece, têm como alvo a soberania do nosso povo.
O Rio estará, sim, preparado de forma adequada para receber jogos da Copa do Mundo e a Olimpíada. A administração do prefeito Eduardo Paes vem dando claros exemplos de eficiência e capacidade para enfrentar e superar desafios. Apesar de todos os ataques e torcida contra, a cidade, como sempre, encantará o mundo.
