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Sábado, 18 de Agosto de 2018 Fundado em 1891

Economia

Especialistas analisam domínio de Wall Street pelas ações tecnológicas e o perigo de queda abrupta

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As gigantes do Vale do Silício estão dominando Wall Street - como prova a marca de US$ 1 trilhão de valor de mercado batida pela Apple no começo deste mês. Deve-se temer uma nova bolha tecnológica? 

A Apple foi a primeira empresa a conseguir bater a marca de US$ 1 trilhão de capitalização na bolsa, mas outras empresas tecnológicas estão prontas para seguir o seu exemplo. No dia do recorde da Apple, 2 de agosto, a Amazon atingiu  US$ 894,7 bilhões em valor de mercado; a Alphabet (matriz da Google), US$ 857,8 bilhões; a Microsoft, US$ 825,8 bilhões; e o Facebook, US$ 509,2 bilhões. As cinco empresas representam quase 20% do Produto Interno Bruto (PIB) americano e mais que o PIB da Alemanha. 

O conjunto de ações tecnológicas concentra mais de 25% do valor do S&P 500, o índice que reúne as 500 maiores empresas do mercado americano. 

No fim de 1999, alguns meses antes de estourar a bolha da internet, as cinco maiores empresas na bolsa de Nova York (Microsoft, General Electric, Cisco, Walmart e Intel) representavam 15,5% do PIB os EUA, lembra Russ Mould, diretor de investimentos da AJ Bell. “Todos que tinham ações no auge da bolha sofreram muito porque perderam dinheiro nos cinco títulos ao longo dos dez anos seguintes”, aponta. 

Ranking das empresas com maior valor em bolsa em 2 de agosto de 2018

Mesmo sem uma previsão de queda abrupta na ascensão das atuais estrelas do mercado, “é perigoso pensar que o que hoje funciona vai funcionar sempre”, afirma Mould. Mas não há motivo para abandonar o setor de tecnologia e tampouco para apostar em seu declínio, de acordo com Nate Thooft, da Manulife Asset Management: os lucros são altos e regulares, as contas são equilibradas e os acionistas são recompensados regularmente com dividendos significativos.

À época, muitas startups levantaram muito dinheiro na bolsa, mesmo como estratégias equivocadas, sem render lucros e, em alguns casos, sem vender nada. “Eles estavam apostando nas perspectivas da internet e da tecnologia, mas chegaram 20 anos cedo demais”, afirma Maris Ogg, gerente de portfólio da Tower Bridge Advisors. “Todas essas promessas agora se transformaram em lucros pungentes”.

Ceticismo saudável

Assustados com o estouro da bolha da internet, os investidores também demonstraram um “ceticismo saudável” contra as maiores empresas do setor. Sua avaliação nos mercados - medida pela razão entre o preço das ações de uma empresa e seus lucros - não lembra em nada a do começo da década de 2000. 

A principal exceção é o alto preço da ação da gigante do comércio digital Amazon. “Mas, ao mesmo tempo, sempre que a Amazon decide embarcar em uma nova atividade, ela é totalmente prejudicada” na bolsa, indica Ogg.

Algumas dessas empresas, como a Google, tornaram-se tão dominantes em seus mercados que beiram uma situação de monopólio e despertam maior monitoramento das autoridades regulatórias, “o que acabará desacelerando o crescimento”, avalia Ogg. Segundo ela, os investidores devem reequilibrar seu portfólio regularmente, para que os grupos do setor tecnológico, que crescem mais rapidamente que os outros, mantenham sempre a mesma proporção.

Além disso, “qualquer empresa de tecnologia pode ser superada a qualquer momento por uma versão ligeiramente melhor do produto que oferece”, lembra Russ Koesterich, da BlackRock. “Pouco antes da crise financeira, a Nokia respondia por 45% do mercado de smartphones, o iPhone tinha menos de um ano e o Facebook tinha acabado de ser inventado em um dormitório”, recorda. A inovação é imprevisível. Mas “o setor como um todo continua sendo incrivelmente lucrativo”, insiste Koesterich. (AFP)



Tags: apple, economia, jb, tecnologia, wall street

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