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Sexta-feira, 22 de Junho de 2018 Fundado em 1891

Economia

Governo anuncia concessões mas caminhoneiros mantêm greve

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O governo brasileiro anunciou nesta terça-feira que eliminará a Cide sobre o diesel e a gasolina, na tentativa de acabar com a greve dos caminhoneiros contra a alta dos combustíveis, mas a proposta não contentou os manifestantes. Pelo terceiro dia seguido, caminhoneiros protestavam contra a alta no diesel e bloqueavam rodovias em São Paulo na manhã desta quarta-feira (23). 

No Rio, um grupo de caminhões reboque parou a Avenida Brasil. Às 7h30, ocupavam uma faixa de rolamento. Mais cedo, chegaram a bloquear totalmente o tráfego na via. Há protestos também em trechos BR 101.

O ministro da Fazenda, Eduardo Guardia, anunciou um acordo com os presidentes da Câmara, Rodrigo Maia, e do Senado, Eunício Oliveira, para eliminar o imposto sobre o diesel e a gasolina (Cide), e pediu aos caminhoneiros que suspendam a greve.

Mas a medida é considerada insuficiente pela Associação Brasileira dos Caminhoneiros (Abcam): "Até um posicionamento efetivo do governo, a entidade pede firmeza nos protestos em todas as regiões do país", declarou o presidente da entidade, José da Fonseca Lopes.

>> Guardia: governo eliminará Cide sobre diesel e Congresso aprovará reoneração

Há protestos em trechos da BR 101, na altura de Itaboraí, no Rio de Janeiro

Nesta terça-feira, os caminhoneiros bloquearam estradas na maioria dos estados brasileiros, aumentando a pressão sobre o governo e pondo à prova a nova política de preços da Petrobras.

Os protestos, a menos de cinco meses das eleições, obrigaram o aeroporto internacional de Brasília a "usar com mais cautela" o combustível dos aviões, pois os fornecedores ficaram retidos no entorno da capital nacional.

A greve teve maior incidência sobre estados do sul e sudeste. Nesta segunda-feira, 21 estados registraram bloqueios.

Os caminhoneiros exigem uma redução dos preços do diesel. Desde o início de maio, o preço do diesel das refinarias (antes dos impostos) subiu 12% e o da gasolina 14%.

Mas a estatal se recusa a rever essa política, que considera fundamental para sua estratégia de recomposição financeira e de imagem - após ter se envolvido no maior escândalo de corrupção do Brasil.

"Na abertura da reunião, foi logo esclarecido que de maneira nenhuma o objetivo seria o governo pedir qualquer mudança na política de preços da Petrobras", disse o presidente da petroleira, Pedro Parente.

"Parece pouco provável que Temer reduza a nova autonomia política de preços da Petrobras, porque isso poderia provocar a saída do CEO Pedro Parente", afirmou a consultoria Eurasia Group em nota de análise. "Uma compensação mediante corte de impostos parece mais provável, embora devam ser modestos, diante da oposição do Ministério da Fazenda", completa.

Da AFP



Tags: bloqueio, combustível, estrada, política, protesto

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