Jornal do Brasil

Quinta-feira, 16 de Agosto de 2018 Fundado em 1891

Economia

As armadilhas dos bancos

Jornal do Brasil GILBERTO MENEZES CÔRTES

Os brasileiros com mais de 60 anos, que fazem parte da população idosa, já passaram de 30 milhões e representam cerca de 15% dos 209 milhões de habitantes do país, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Pela larga experiência com a inflação, boa parte desse contingente se acostumou a rendimentos gordos e seguros na renda fixa, seja na caderneta de poupança ou nos fundos e papéis de renda fixa. 

Mas o cenário mudou, com a queda da inflação e da Selic e há dois anos a renda mensal líquida dessas aplicações mal chega a 0,5%. Desde a crise financeira mundial de 2008 os bancos centrais mantiveram uma década de juros baixos para salvar o sistema bancário, No Brasil, a onda dos juros baixos chegou mais tarde (por enquanto apenas para as aplicações financeiras, não para o crédito). Entretanto, como boa parte dos brasileiros conta apenas com as magras aposentadorias do INSS e não adquiriu o hábito de diversificar as aplicações, acabam tentados a entrar no terreno desconhecido das aplicações de risco, que acenam com retornos atraentes, mas embutem riscos inesperados.

No reinado da renda fixa, uma das armadilhas mais fáceis de atrair os idosos nos bancos era a venda, pelos caixas que tinham a paciência de abrir as contas de luz, gás e telefone dos aposentados, de um título de capitalização, um seguro de vida ou funeral, ou ainda um crédito consignado para desconto na aposentadoria. Com a suspensão do pagamento de contas de luz, gás e telefone no balcão, já não se ouve tanto o aliciamento para um “PIC” ou um “Pé Quente”. Mas os riscos rondam os idosos. Mesmos nas aplicações mais tradicionais, é preciso estar atento. Ao investir em fundos de investimento, é essencial avaliar as taxas de administração cobradas pelos administradores. A tarifa cobrada pode fazer a diferença na opção entre um fundo de renda fixa e um fundo DI . No cenário atual, vale considerar a opção pela poupança, que além de não cobrar taxa de administração é isenta de Imposto de Renda. 

Outro risco - bem maior - é ceder à tentação do primeiro empréstimo. Sair da relativa segurança dos consignados é uma aposta de alto risco. Financeiras costumam cobrar juros que podem até superar a média cobrada pelos grandes bancos, que já são escandalosamente altos. A Crefisa, por exemplo, estava conrando entre 24 de abril a 5 de maio, segundo o BC, 715,28% ao ano. 



Tags: armadilhas, banco, crise, financeira, instituição

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