Jornal do Brasil

Domingo, 27 de Maio de 2018 Fundado em 1891

Economia

Queda de Serviços reduz previsões do PIB

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O setor de serviços, o mais importante da economia, entrou 2018 com o pé esquerdo. Após cair 1,9% em janeiro na comparação com dezembro, ficou no zero a zero em fevereiro e voltou a cair 0,2% em março, em relação a fevereiro, segundo informou ontem o IBGE, na série com ajuste sazonal (que leva em conta feriados e menos dias úteis entre um mês e outro).

O desempenho foi ruim por todos os parâmetros. Na comparação com março de 2017 a queda foi de 0,8%. No acumulado do primeiro trimestre, a queda foi de 1,5% em relação a janeiro-março de 2017, e em 12 meses caiu 2,0%. A queda mensal ocorreu em três das cinco atividades investigadas, com destaque para serviços profissionais, administrativos e complementares (-1,8%). As demais baixas vieram  de transportes, serviços auxiliares aos transportes e correio (-0,8%) e de outros serviços (-0,4%). Já os impactos positivos vieram de serviços de informação e comunicação (2,3%) e os serviços prestados às famílias (2,1%). O agregado das atividades turísticas subiu 2,0% em março. 

Revisão geral O números fracos estavam desenhados desde a semana passada quando o IBGE revelou desaceleração do comércio. Em termos de cálculo das contas nacionais do PIB (o índice do primeiro trimestre será divulgado no final do mês pelo IBGE), a participação do setor de serviços chega a pouco mais de 70%. Mas o PIB das contas nacionais considera em serviços atividades de utilidade pública (serviços de água e esgoto, gás, telefonia e energia), além das atividades financeiras e seguros. 

Os números ruins para serviços e a desaceleração das vendas, além da previsão de queda de cerca de 4% na produção agropecuária, levaram à revisão para baixo nas previsões do PIB trimestral e do ano. O Bradesco começou o ano esperando alta de 0,5% para o PIB do primeiro trimestre. Agora já estima algo abaixo de 0,3%. No fim do ano passado, previa alta de 2,8% para o PIB de 2108, agora reviu para 2,5% (sujeito a nova revisão para baixo). O Itaú foi mais radical. Cortou em 1 ponto percentual a projeção para o PIB deste anos, de 3% para 2%. E a de 2019, caiu de 3,7% para 3%. Ontem foi a vez do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), do Ministério do Planejamento, anunciar que vai revisar para baixo as projeções do desempenho da economia, diante desempenho mais fraco dos últimos indicadores. 

Os números do Ipea balizam as projeções para o Orçamento Geral da União do ano seguinte. Uma revisão para baixo é prenúncio de dificuldades fiscais e de mais aperto orçamentário adiante. Em março, o Ipea estimava que a alta do PIB do primeiro trimestre seria de 1,9% frente a 2017 e de 1% em relação ao último trimestre de 2017 dessazonalizado. Para o ano, a previsão era de alta de 3%. “Começamos a investigar ampla gama de indicadores, para uma análise mais detalhada da conjuntura. Quando se olha só para alguns dados, a oscilação no curtíssimo prazo é muito grande, mas isso não deveria gerar mudanças bruscas de expectativas”, explica em nota José Ronaldo de Castro Souza Júnior, diretor de Estudos e Políticas Macroeconômicas



Tags: brasil, crise, economia, pib, taxa

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