Jornal do Brasil

Segunda-feira, 21 de Maio de 2018 Fundado em 1891

Economia

Brasil e Suíça: relação de 200 anos

Autoridades nacionais se reúnem em Nova Friburgo; suíços são grandes investidores no país

Jornal do Brasil GILBERTO MENEZES CÔRTES gilberto.cortes@jb.com.br

Com desfile de mais de 10 mil descendentes de suíços, Nova Friburgo, na região Serrana do estado do Rio de Janeiro, comemora hoje os 200 anos da migração das 100 primeiras famílias suíças para o Brasil. Para prestigiar e evento, o presidente do Parlamento Suíço, Dominique Bumam, está na cidade serrana desde domingo, na companhia do embaixador Andrea Semadeni. 

O governador Luiz Fernando Pezão esteve segunda-feira na cidade para lançar um polo de cerveja artesanal nos municípios do entorno. Hoje, o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, é esperado para fazer as honras da festa. No início de 1818, preocupado com o grau de africanização da gente brasileira, D João VI, rei de Portugal, Brasil e Algarves, sentiu necessidade de uma colonização mais planejada e negociou com o agente  Sébastien-Nicolas Gachet, do cantão de Friburg a vinda das famílias. Autorizadas por decreto real de 16 de maio de 1818, elas se estabeleceram na Fazenda do Morro Queimado, no Distrito de Cantagalo, área de clima e características naturais parecidas com a terra natal. 

Outras famílias suíças atravessaram o Atlântico para se fixarem no Oeste paulista, em Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Espírito Santo e Bahia. Nenhuma comunidade floresceu tanto como Nova Friburgo, hoje com mais de 185 mil habitantes e que concentra os descendentes das 100 primeiras famílias, que levaram para a região hábitos como a produção de queijos finos de leite de cabra. Para fortalecer o polo de cerveja artesanal na região, a prefeitura de Nova Friburgo pretende agora estimular o desenvolvimento de gastronomia que se ajuste à degustação de cervejas.   Os acertos entre os governos de Brasil e Suíça para a troca de informações fiscais e a bitributação nas operações de empresas e indivíduos dos dois países serão um grande avanço para os 15 mil cidadãos suíços que vivem no Brasil. Para os 20 mil brasileiros que moram na Suíça, seriam também. 

Exceto para os que têm a esconder algo mais do que as contas secretas. Mas a morosidade na aprovação do acordo pelos respectivos parlamentos demora no Brasil cinco a sete vezes mais do que na Suíça trabalha a seu favor. Por isso, espera-se que o encontro entre o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, com Dominique Bumam ajuda a deslanchar a agenda entre os dois países. A Suíça é um dos 10 maiores investidores no Brasil e já abriu mão do sigilo bancário. Bem-humorado, o embaixador arriscou um palpite para o jogo de estréia da Copa: Brasil 2 x 1 Suíça. Mas acha que os dois países vão volta a se cruzar numa fase seguinte.

Café por chocolate?

É folclore a ideia de que a Suíça exporta canivetes, relógios de precisão e chocolate ao Brasil, em troca de café, suco de laranja e produtos agrícolas. O Brasil tem déficit crônico no comércio com a Suíça. Em 2017, importou US$ 1,974 bilhão (US$ 1,893 bilhão em 2016) e só exportou US$ 792 milhões (US$ 1,656 bilhão em 2016). O grosso das exportações suíças é de produtos de alto valor tecnológico. Só em Hidrazina, substância usada como propelente de foguetes, antioxidante, e em Hidroxilamina, medicamento essencial ao trato da oesteoporose, foram gastos US$ 183 milhões.

Elementos básicos para a fabricação de remédios, aparelhos e próteses ósseas, e stents somaram US$ 1 bilhão. Bem mais que os US$ 25 milhões em compras de chocolate das mais diversas formas. A Suíça tem saldo na venda de café! Em 2017, venderam US$ 47,5 milhões em café torrado e US$ 3 milhões em cápsulas, descafeinado, e compraram US$ 7,9 milhões direto do Brasil. Os principais itens exportados são, na nomenclatura do comércio exterior: bulhões não monetários (ouro ou platina e metais associados a pedras preciosas para fabricação de joias (US$ 309 milhões em 2017) e ouro em barra e fios e perfis (não se sabe se estão contabilizadas também as barras de depositadas nos bancos locais)



Tags: economia, friburgo, países, relação, suíça

Compartilhe: