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Segunda-feira, 21 de Maio de 2018 Fundado em 1891

Economia

Alívio na Argentina: BC renova 100% das Lebacs, além de fazer emissão adicional de 5 bi de pesos

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A tensão cambial diminuiu ontem na Argentina graças à intervenção do Banco Central nos mercados e a uma volumosa emissão de bônus em moeda local que reduziu a demanda por divisas. O BC conseguiu renovar completamente as letras em moeda nacional (Lebacs) que venciam ontem, no valor total de 617 bilhões de pesos (cerca de US$ 26 bilhões), o equivalente a pouco mais da metade das reservas do país. E realizou ainda uma emissão adicional de 5 bilhões de pesos (US$ 212 milhões). Os detentores dos títulos renovaram a taxas de 40% ao ano. 

O ministro das Finanças, Luis Caputo, informou à imprensa que o Banco Central  colocou dois novos bônus em pesos e a taxa fixa, um a cinco anos com 20% de juros e outro a oito anos, com 19% de juros. A medida absorveu um grande volume de pesos que, assim, não foram usados na compra de dólares, o que aliviou o mercado cambial, segundo analistas fi nanceiros. Nas casas de câmbio, o peso subiu 3,49% no fechamento, com um taxa de 24,63 por dólar, um dia depois de ter recuado 6,23%. No mercado informal, o peso valorizou 7,46%, para 24,80 por dólar. No mês, a moeda argentina perdeu, no mercado ofi cial, 12,3% em relação à americana. 

Negociação com o FMI Desde o início da corrida ao dólar, há algumas semanas, o Banco Central sacrificou mais de US$ 10 bilhões de suas reservas, que fecharam na terça-feira a US$ 52,724 bilhões. O governo ainda negocia um crédito com o Fundo Monetário Internacional (FMI), que pode chegar a US$ 30 bilhões.. A 17 anos da maior crise econômica social da Argentina, o presidente Mauricio Macri reconheceu “que esses dias despertaram angústia e preocupação nos argentinos de que situações como as que vivemos possam gerar uma crise maior, como tivemos no passado”.  “Entendo, mas estamos longe disso. Não há uma situação comparável a outras crises”, afirmou Macri. No fim da sessão, o Banco Central parecia ter vencido a briga entre o mercado e a autoridade monetária. Contudo, “é prematuro se aventurar, há que esperar vários dias para saber se a corrida acabou”, disse  Eduardo Blasco, analista da Maxinver.  “Há alguns sinais de que os nervos estão mais calmos entre os grandes operadores”, sustentou Blasco, mas “a angústia continua nos pequenos poupadores, que compram mesmo quando o dólar está subindo”. 

Na segunda e terça-feiras, o Banco Central ofereceu uma forte intervenção. Nos dois dias, vendeu US$ 1,4 bilhão, após oferecer US$ 5 bilhões a uma taxa de câmbio de 25 pesos. “Faz parte do exercício, tem que por um taxa de câmbio que o mercado não considere atrasada e evite assim a migração maciça para o dólar”, disse Ramiro Castiñeira, analista da Econométrica.

 Convergência fi scal “O FMI apoiou este programa econômico. Obviamente, se for haver uma demanda, mas não apenas do Fundo Monetário, também dos mercados, que deu este escalão mais baixo da confiança, nos comprometamos com uma aceleração de ir para a convergência fiscal. Essa é uma responsabilidade dos argentinos”, apontou Marcos Peña, chefe de Gabinete. Nos últimos dias, Macri teve reuniões emergenciais com câmaras empresariais, governantes opositores e referentes políticos em busca de respaldo. “Estamos enfrentando um choque: neste período, vamos ter algo menos de crescimento e um pouco mais de inflação”, admitiu o ministro da Fazenda, Nicolás Dujovne. A inflação da Argentina foi de 2,7% em abril e já chega a 9,6% no ano. 

O governo estabeleceu 15% como meta de inflação para 2018, mas o FMI calcula 19% e analistas locais, 25%.  Em 2017, o crescimento foi de 2,8%, e para este ano o FMI projetou 2%. Organizações sociais e sindicais rejeitam a decisão do governo de recorrer ao FMI e reclamam uma mudança da política econômica que freie o ajuste em uma sociedade com profundas desigualdades e 25,7% de pobreza no fim de 2017. A economia argentina tem um déficit comercial estimado acima de US$ 10 bilhões em 2018. O déficit fiscal é de quase quatro pontos do PIB e as necessidades financeiras anuais beiram os US$ 30 bilhões.



Tags: argentina, crise, dólar, economia, fmi

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