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Quinta-feira, 16 de Agosto de 2018 Fundado em 1891

Economia

Tensões comerciais dominam reuniões do FMI, enquanto G20 evita assunto

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As tensões comerciais entre Estados Unidos e China, que ameaçam se estender para a economia global, dominaram nesta sexta-feira (20) uma reunião internacional de funcionários de Finanças, inclusive quando o G20 evitou tocar no assunto.

Cada um dos funcionários pediu para as disputas serem resolvidas através do diálogo, em vez da imposição de tarifas unilaterais, enquanto alertaram para a ameaça ao crescimento econômico global.

Mas o secretário de Tesouro dos Estados Unidos, Steven Mnuchin, criticou países que empregam políticas de comércio desleal.

"Acreditamos firmemente que as práticas desleais do comércio global impedem um crescimento mais forte dos Estados Unidos e a nível global, já que atuam como um lastro persistente à economia mundial", disse ele em uma mensagem durante a reunião de primavera boreal entre o Financeiro do Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Mundial, em Washington.

Embora a diretora-geral do FMI, Christine Lagarde, tenha posto o Fundo à disposição para resolver as diferenças, Mnuchin disse que a instituição "deveria ser uma voz forte" para pressionar os países a "desmantelar as barreiras comerciais e não alfandegárias para proteger os direitos da propriedade intelectual", em uma referência à China.

O roubo de propriedade intelectual e tecnologia americana foi um fator na disputa com Pequim, que levou Trump a anunciar a decisão de impor tarifas sobre produtos chineses de 50 bilhões de dólares, além de tarifas sobre o aço no mês passado.

Washington e Pequim iniciaram painéis recíprocos no âmbito da Organização Mundial de Comércio (OMC).

O diretor da OMC, o brasileiro Roberto Azevêdo, alertou nesta sexta que os efeitos de uma grande escalada "poderiam ser sérios" e ter um enorme impacto no emprego.

Um enfrentamento comercial aberto entre "atores principais pode tirar dos trilhos a recuperação que vimos nos últimos anos, ameaçando a atual expansão econômica e colocando muitos empregos em risco", afirmou o brasileiro diante do Comitê Financeiro do FMI.

"É impossível mapear corretamente os efeitos de uma escalada generalizada (de tensões comerciais), mas claramente serão muito sérias", acrescentou o diplomata.

O ministro francês de Economia, Bruno Le Maire, criticou os Estados Unidos por embarcar em uma luta "vã e inútil" e disse que o país não vai se envolver na batalha. Mesmo assim, garantiu que a França rejeita a isenção provisória às tarifas, que "não podem pender como uma espada de Dâmocles sobre as relações comerciais entre estados".

- G20 evita questão comercial -

Apesar do intenso enfoque na disputa entre Estados Unidos e China, os ministros de Finanças do G20 evitaram debater sobre o tema nesta sexta-feira, ainda reconhecendo o perigo em potencial para a economia global.

"Não tivemos nenhuma discussão sobre medidas específicas de comércio", afirmou o ministro argentino de Fazenda, Nicolás Dujovne, após a reunião.

"O G20 não é o espaço para discutir medidas específicas. Isso é um trabalho para a OMC", acrescentou.

A declaração surpreendeu a todo, em um grupo que foi crucial para guiar a economia global através da crise financeira de 2008 e prevenir outra depressão.

"Precisamos reconhecer a limitação que temos como grupo", disse Dujovne, para quem o G20 deve "tratar de criar consensos, mesmo que esses consensos sejam mais limitados" que o desejado.

Vários ministros expressaram sua preocupação pelas medidas "das portas para dentro", uma expressão que geralmente se refere às medidas de protecionismo comercial.

- Venezuela na mesa -

A situação da Venezuela também foi assunto nas reuniões de sexta-feira.

Alejandro Werner, economista-chefe do FMI para o Hemisfério Ocidental, opinou que a crise econômica que atinge a Venezuela é "uma das maiores" registrada na economia moderna.

"Se forem avaliados os colapsos econômicos que ocorreram nos últimos 50 anos, o colapso atual da Venezuela se encontra entre os primeiros 15", disse, lembrando que a entidade financeira projeta para este ano uma inflação de 13.000% e um recuo da economia de 15%.

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Agência AFP


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