Jornal do Brasil

Domingo, 25 de Fevereiro de 2018 Fundado em 1891

Economia

Mercosul e Reino Unido negociam acordo de livre comércio, diz Meirelles

Agência Brasil

O Mercosul e o Reino Unido negociam um acordo de livre comércio que pode ser implementado após a saída do país da União Europeia, disse nesta segunda-feira (22) o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles. O ministro deu as declarações na residência do embaixador brasileiro em Londres após reunião com o ministro de Finanças do Reino Unido, Philip Hammond.

“[O acordo] poderá ser efetivado depois do Brexit [processo de saída do Reino Unido da União Europeia], mas as negociações estão andamento. A negociação formalmente será Mercosul com Reino Unido. É o interesse maior ainda”, afirmou Meirelles, em entrevista coletiva cujo áudio foi divulgado pelo Ministério da Fazenda.

As negociações de um tratado de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia (UE) se arrastam há vários anos. No fim do ano passado, as duas partes avançaram nas discussões, mas a assinatura do acordo foi adiada para este ano.

Por causa do Brexit, o Mercosul terá de negociar um acordo comercial separado com o Reino Unido. Caso o tratado de livre comércio com a UE saia do papel neste ano, o Reino Unido deixará de se beneficiar com o acordo assim que sair do bloco econômico.

Meirelles fez uma escala em Londres para participar de reuniões de negócios com investidores e o ministro das Finanças britânico antes de seguir para o Fórum Econômico Mundial em Davos, na Suíça. Neste ano, o presidente Michel Temer também estará no fórum, que reúne políticos, empresários, investidores e banqueiros todos os anos em janeiro.

Meirelles fez uma escala em Londres para participar de reuniões de negócios com investidores
Meirelles fez uma escala em Londres para participar de reuniões de negócios com investidores

Rebaixamento

Sobre o rebaixamento da nota brasileira pela agência de classificação de risco Standard & Poor’s (S&P), o ministro da Fazenda reafirmou que o governo continuará trabalhando para que a economia cresça 3% e crie 2,5 milhões de empregos formais este ano. Ele, no entanto, disse que a aprovação da reforma da Previdência, cuja votação está prevista para 19 de fevereiro, é essencial para que as estimativas sejam alcançadas.

“Acreditamos que será aprovada [a reforma da Previdência]. É uma necessidade. O que se discute não é se haverá uma reforma da Previdência, mas quando haverá. Idealmente, agora em fevereiro. Se não for agora, depois. Que será feita, não tem dúvida, porque a situação atual de evolução das despesas e do déficit da Previdência não é sustentável no médio e no longo prazos”, disse Meirelles. Segundo o ministro, as chances de aprovação da reforma em fevereiro são superiores a 50%.

Caixa

O ministro da Fazenda considerou um avanço muito grande a aprovação do novo estatuto da Caixa Econômica Federal, na última sexta-feira (19). O estatuto restringe as indicações políticas de vice-presidentes e de diretores da instituição financeira, cujos nomes passarão a ser avaliados pelo Conselho de Administração do banco. Quanto à necessidade de injetar R$ 15 bilhões para capitalizar a Caixa, Meirelles disse que o governo está procurando alternativas para evitar usar recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), como a possibilidade de que o banco não distribua dividendos ao Tesouro Nacional este ano para ampliar o capital.

“O que eu tenho dito é que existe a possibilidade de que a capitalização não demande o uso dos fundos do FGTS. Porque a Caixa tem fontes outras de capitalização, seja na área de retenção de dividendos, ou cessão de carteiras [venda de operações de crédito para outros bancos], tem uma série de coisas em andamento”, concluiu o ministro.

Tags: brasil, caixa, economia, meirelles, mercosul, nota, rebaixamento

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