Jornal do Brasil

Sexta-feira, 15 de Dezembro de 2017

Economia

Jim O’Neill no 'Project Syndicate': A irregularidade do petróleo

Preços devem continuar em US$ 60 em 2018, com chances de chegar aos US$ 80

Jornal do Brasil

Escrever sobre o petróleo é sempre arriscado, diz Jim O’Neill em publicação no Project Syndicate. Em janeiro de 2015, ele tinha sugerido que os preços dos barris de petróleo não continuariam a cair, e ainda projetou que terminariam aquele ano com valor acima do registrado no início. "Eu estava errado, mas eu posso não continuar errado por muito tempo."

Jim O'Neill, antigo economista-chefe do Goldman Sachs, é professor de Economia na Manchester University. 

"Eu recentemente discursei para a massiva Conferência Internacional de Abu Dhabi sobre Petróleo (Adipec, na sigla em inglês), que é uma espécie de Davos para integrantes do mercado de petróleo. Lá, eu peguei o final de uma discussão entre executivos sênior do petróleo que concordaram que, neste mesmo momento do ano que vem, o petróleo ainda estará em torno de US$ 60 o barril, como é hoje", escreveu.

Para O'Neill, companhias precisam de método confiável para estimar o preço de equilíbrio do petróleo
Para O'Neill, companhias precisam de método confiável para estimar o preço de equilíbrio do petróleo

Antes de chegar ao seu ponto, O'Neill faz algumas ressalvas. O professor lembra que projetar preços para o petróleo é um esforço árduo, e faz com que o trabalho de analistas do câmbio, por exemplo, pareça fácil. 

"Quando eu completei um Doutorado em mercado de petróleo no final dos anos 1970 e início de 1980, eu já tinha concluído que tentar adivinhar preços do petróleo era um gasto de tempo e energia. Mais tarde, quando estava no Goldman Sachs, eu costumava me divertir ao ver analistas de commodities em meu grupo de pesquisa lutando para lidar com o caos usual do movimento dos preços do petróleo."

Ele conta que, em entrevista ao repórter da CNBC, Steve Sedgwick, este levantou que, considerando que a volatilidade no preço de diversos ativos caiu consideravelmente nos anos recentes, seria apenas uma questões de tempo para os preços do petróleo e outras commodities seguirem o mesmo caminho. "Com certeza, isto poderia muito bem acontecer. Em princípio, ele está certo", escreve O'Neill.

"Mas eu poderia argumentar que a queda da volatilidade nos mercados de câmbio, títulos e ações reflete largamente a inflação baixa em muitas partes do mundo e a falta de ajustes significativos na política monetária pelos principais bancos centrais nos anos recentes. Eu não estou certo de que estes fatores se aplicam ao petróleo da mesma forma, principalmente em um momento em que os mercados de energia estão no vértice de grandes mudanças na oferta e na demanda."

Sobre a demanda, O’Neill frisa que comentaristas do mercado "estão finalmente acordando" para um fato que tem ficado bem claro ao longo deste ano: "a economia mundial tem ganhado impulso, e está agora crescendo a uma taxa de 4% ou mais". Ele destaca que, com exceção da Índia e do Reino Unido, oito das dez maiores economias estão se expandindo ao mesmo tempo. "E mesmo que muitos países tentem se desvincular do petróleo, esta transição não vai acontecer da noite para o dia. Consequentemente, os mercados de petróleo estão se ajustando para uma forte demanda."

>> 'Financial Times': Traders de commodities miram escala de participação no mercado

Sobre a oferta, o professor destaca que a Arábia Saudita tem implementado "mudanças radicais", no cenário doméstico e na política externa, e os motivos para realizar isto "não estão inteiramente claros". "Não surpreendentemente, integrantes do mercado de repente querem adicionar um prêmio ao preço do petróleo."

"Nas minhas duas palestras na Adipec, eu compartilhei um slide com linhas de tendência para o preço imediato e o preço a prazo de cinco anos do petróleo Brent. Há muito tempo que eu tenho deixado de acompanhar a projeção do preço de cinco anos pela falta de uma abordagem mais baseada em fundamentos para pensar sobre o equilíbrio dos preços do petróleo. Como eu expliquei em janeiro de 2015, o preço spot do Brent é menos sujeito à flutuações especulativas e, portanto, é uma aproximação mais pura dos fatores de demanda e oferta comerciais subjacentes."

"O gráfico que eu preparei - que foi feito antes da última aceleração dos preços do petróleo, no início de Novembro - mostra a projeção de cinco anos depois de um período de certa estabilidade. Com o preço spot agora acima do preço a prazo de cinco anos, alguém poderia concluir que uma mudança de tendência está no horizonte. De minha parte, não tenho certeza; mas eu não ficaria surpreso se isto acontecesse."

O professor, então, aponta que os preços do petróleo poderiam estar ainda em US$ 60 em novembro de 2018, como indicaram os executivos do mercado na Adipec, mas a aposta dele é que deve subir para US$ 80 o barril neste tempo. 

Para ele, companhias de petróleo precisam de um método confiável para estimar o preço de equilíbrio do petróleo.

Confira o texto original: The Abnormality of Oil

Tags: arábia saudita, barril, brent, estados unidos, opep, petróleo, preço, rússia, wti commodities

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