Jornal do Brasil

Segunda-feira, 11 de Dezembro de 2017

Economia

'Bloomberg': Monopólio de trilhões de dólares no mercado preocupa Wall Street

Reportagem afirma que pânico contribuiu para colapso do Lehman Brothers Holdings

Jornal do Brasil

Matéria publicada pela Bloomberg nesta terça-feira (19) afirma que em meados de 2018, uma única entidade, o Bank of New York Mellon, será responsável pela compensação e liquidação diária de quase US$ 2 trilhões em instrumentos financiados por acordos de recompra. 

Segundo a reportagem o único concorrente, JPMorgan Chase, está saindo do negócio depois de muito tempo e o BNY Mellon iniciou neste terceiro trimestre o processo de migração de clientes.

Bloomberg aponta que o problema não é exatamente o BNY Mellon abusar de sua posição no mercado de recompra, que é altamente regulamentado. Afinal, o JPMorgan jogou a toalha porque as regras adotadas após a crise tornaram o negócio mais caro e oneroso. 

De acordo com o noticiário a preocupação é que um só banco fará compensação e liquidação — ou seja, verificar que cada transação é válida, transferir dinheiro de uma conta para outra e salvaguardar a garantia dada em cada contrato — e, se algo der errado, o estrago é grande. É difícil exagerar a importância do mercado de recompras para o sistema financeiro dos EUA atualmente. 

Bloomberg acrescenta: São empréstimos de curto prazo que as corretoras conseguem geralmente dando em garantia instrumentos de dívida pública, o que tem papel crucial nas negociações diárias de Wall Street. Esse mercado de recompra sustenta a liquidez do mercado de títulos do Tesouro americano, que movimenta US$ 14,1 trilhões. Além disso, os recursos disponibilizados também azeitam a engrenagem dos mercados de ações, títulos corporativos e moedas. 

Esse mercado de recompra sustenta a liquidez do mercado de títulos do Tesouro americano, que movimenta US$ 14,1 trilhões, diz a Bloomberg
Esse mercado de recompra sustenta a liquidez do mercado de títulos do Tesouro americano, que movimenta US$ 14,1 trilhões, diz a Bloomberg

“Um único ponto de falha no mercado de recompras garantidas por instrumentos do governo dos EUA — que é enorme e basicamente o motor de liquidez do país — é preocupante por si só”, disse Adam Dean, diretor-gerente da  Square 1 Asset Management. 

“Não é uma situação ideal”.

Vale lembrar que o pânico neste mesmo mercado contribuiu para o colapso do Lehman Brothers Holdings e paralisou o sistema financeiro há uma década. 

Brian Ruane, responsável pela divisão de compensação de valores mobiliários e garantias de terceiros do BNY Mellon, diz que o banco não está deixando nenhuma brecha.

A quantia não inclui o investimento  “muito substancial” realizado para substituir a plataforma de compensação e liquidação, que já tinha três décadas. E desde o anúncio do JPMorgan no ano passado, o BNY Mellon gastou ainda mais em melhorias, segundo Ruane, que se recusou a dar um número exato.

“Compreendemos o papel importante que desempenhamos no mercado e estamos nos preparando para absorver essa maior capacidade”, afirmou Ruane, que trabalha na casa há 22 anos. “Um foco é construir resistência ao investir mais em backup, capacidade, tecnologia, processos e pessoas.”

>> Bloomberg

Tags: ações, brasil, comércio, economia, estados unidos, fgts, impostos, interncional, mercado, recessão, tecnologia, temer, trump

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