Jornal do Brasil

Terça-feira, 17 de Outubro de 2017

Economia

'Financial Times': Crise política e novas acusações minam chances de Temer aprovar reformas

Jornal entrevistou Ministro Henrique Meirelles e analistas sobre o tema

Jornal do Brasil

Matéria publicada nesta sexta-feira (11) pelo Financial Times diz que o ministro das Finanças do Brasil, Henrique Meirelles, prevê que a polêmica reforma das pensões será aprovada até o final deste ano, apesar de uma crise política que enfraqueceu o governo da maior economia da América Latina.

Segundo a reportagem o ministro das finanças também sustentou que o governo do presidente de centro-direita, Michel Temer, que na semana passada ganhou uma votação do Congresso e conseguiu bloquear uma tentativa de julgá-lo por corrupção, também abordaria outras reformas difíceis, como uma revisão do sistema de impostos do país.

"Esperamos que um grupo de reformas, em particular a reforma da segurança social, seja concluído até o fim deste ano", disse Meirelles ao Financial Times em uma entrevista. 

"O que significa [não só] a segurança social, a mais importante, mas também a reforma tributária, que está começando a ser formulada agora".

O presidente estava no caminho certo para aprovar a reforma das pensões no congresso indisciplinado do Brasil quando seus planos foram descarrilados por um escândalo de corrupção em maio, lembra Times. Ele foi gravado supostamente discutindo subornos com o empresário Joesley Batista, ex-presidente da JBS.

O escândalo eliminou as chances do presidente de conseguir a maioria de três quintos na câmara, ou 308 votos, que precisa para passar a emenda constitucional para implementar a reforma das pensões, observa FT.

Mas a vitória do Sr. Temer no congresso na semana passada foi forte o suficiente para reascender as esperanças de que o programa de reforma pode passar, acrescenta. O presidente garantiu 263 votos, enquanto 227 membros queriam que ele enfrentasse as acusações de corrupção trazidas por Rodrigo Janot, no Supremo Tribunal. O Partido do Movimento Democrático Brasileiro de Temer, ou PMDB, é o maior do congresso, mas depende do apoio de partidos menores para formar uma maioria. 

"Após a votação pela rejeição da acusação de Janot, o número foi muito bom da perspectiva do governo em termos de construir uma base aliada novamente", disse Thiago de Aragão, um consultor político de Brasília, da Arko Advice.

Outros analistas questionaram, no entanto, se Temer pode aumentar o apoio necessário para aprovar uma reforma tão impopular. O presidente ainda enfrenta a possibilidade de ser indiciado por Janot em outras acusações, o que exigiria outros votos do Congresso e diminuiria suas chances de aprovar as reformas.

Também não está claro se ele é capaz de distribuir favores suficientes - sob a forma de empregos governamentais ou alocações orçamentárias - para garantir o apoio para a reforma das pensões, aponta. 

Na verdade, muitos congressistas mencionaram sua oposição à reforma das pensões durante a votação na semana passada, lembra FT

"A reforma das pensões não é uma reforma fácil e para coloca-la de volta à agenda serão necessárias grandes concessões", disse Marco Antonio Carvalho Teixeira, cientista político da FGV.

> > financial Times

Tags: ações, brasil, comércio, economia, estados unidos, fgts, impostos, interncional, mercado, recessão, tecnologia, temer, trump

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