Jornal do Brasil

Sexta-feira, 28 de Abril de 2017

Economia

'Deutsche Welle': A crise do café no Brasil 

Maior produtor do mundo debate liberar compra de grãos pela primeira vez em três séculos

Jornal do Brasil

Matéria publicada nesta sexta-feira (24) pelo Deustche Welle conta que o Brasil, maior produtor do mundo, está cogitando pela primeira vez em quase 300 anos de história de cultivo, liberar a importação de café, sob protesto dos produtores nacionais. Abastecidas com grãos do tipo conilon, as sacas a caminho são principalmente do Vietnã, líder em produção dessa variedade, e podem chegar ao país nos próximos 40 dias. 

No momento, segundo a reportagem, a importação está suspensa pelo governo Michel Temer. O sinal verde, porém, já tinha sido dado pelo Comitê Executivo de Gestão da Câmara de Comércio Exterior (Gecex), que reduziu de 10% para 2% o imposto de importação para o café conilon, também chamado de robusta.

"O nosso entendimento é que a aprovação foi apenas adiada. O ministro combinou com a gente que o assunto será retomado após o carnaval", disse por telefone à DW Brasil Nathan Herszkowicz, diretor executivo da Associação Brasileira das Indústrias de Café (Abic).

> > Deutsche Welle Coffee to go in Brazil?

O diário alemão afirma que o assunto polêmico tem origem nos cafezais brasileiros, que renderam estatísticas ambíguas em 2016. No mesmo ano em que o Brasil bateu recorde de exportações de café solúvel, produzido a partir do grão conilon, a safra caiu pela metade, de 10 para 5 milhões de sacas.

"Está faltando café conilon para completar a demanda total de café no Brasil”, justifica Herszkowicz. A importação, segundo ele, não será permanente. "É uma compra pequena, uma cota criada de 1 milhão de sacas de café pra ser importada até maio deste ano", disse.

Os produtores nacionais de café conilon discordam, fala o Welle. "É uma importação desnecessária, inoportuna. Temos café para atender a indústria. Tudo é uma jogada pra baixar o preço da saca", afirma Antônio Joaquim de Souza Neto, presidente da Cooperativa Agrária de Cafeicultores de São Gabriel (Cooabriel), que reúne produtores da principal região produtora da variedade, no norte do Espírito Santo.

O diário alemão afirma que o assunto polêmico tem origem nos cafezais brasileiros, que renderam estatísticas ambíguas em 2016
O diário alemão afirma que o assunto polêmico tem origem nos cafezais brasileiros, que renderam estatísticas ambíguas em 2016

O noticiário informa que o conilon representa 15% da produção nacional de café. O arábica domina as lavouras do país, com 85%. Com um grão mais duro e bem preso ao pé, o conilon é usado na produção de café solúvel – ele compõe apenas 10% do blend de café torrado e moído vendido nacionalmente. No Brasil, é cultivado numa região quente e, portanto, precisa de irrigação para crescer. 

Segundo a Associação Brasileira da Indústria de Café Solúvel (Abics), com a subida dos preços, o mercado se deu conta de que faltaria café. "Essa medida [de importação] visa até garantir o futuro do produtor num longo prazo. Se a indústria de café solúvel ficar fragilizada e perder mercado lá fora, eles não vão ter para quem escoar a produção", argumenta Pedro Guimarães Fernandes, diretor da Abics. 

Dados do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil mostram que a venda externa do café solúvel cresceu 8% em 2016, com uma receita estimada em US$ 600 milhões. O mercado externo absorve até 90% da produção total de café solúvel do Brasil.

Welle acrescenta que em uma nota de repúdio, a Cooperativa Regional de Cafeicultores em Guaxupé (Cooxupé), a maior do mundo, se opõe à importação do conilon. "Além de fragilizar o produtor, que já enfrenta uma seca severa, traz para toda a cadeia produtiva de café riscos fitossanitários, como a introdução de doenças ou pragas não existentes no país”, diz a nota.

Tags: análise, commodities, Cuba, Dólar, economia, estagnação, EUA, inflação, trump

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