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Domingo, 22 de Julho de 2018 Fundado em 1891

Economia

Ilan Goldfajn, do Itaú-Unibanco fala sobre a crise mundial em entrevista ao 'El País'

Economista fala das questões dos bancos, petróleo, causas e efeitos

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Em entrevista publicada pelo jornal El País, nesta sexta-feira (12), Ilan Goldfajn, economista-chefe do Itaú-Unibanco fala sobre situação atual dos bancos no país e no mundo. 

O maior banco privado do país, o Itaú-Unibanco, chegou a estimar na semana passada uma queda de até 5% do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil neste ano. 

Apesar do presidente do banco, Roberto Setubal, ter ressaltado que a estimativa era muito negativa para o momento, a projeção confirma o cenário adverso que o país atravessa e o perigo que a economia brasileira corre de mergulhar em sua pior recessão.

m entrevista ao El PAÍS, o economista-chefe do Itaú-Unibanco, Ilan Goldfajn, deixou claro que os desafios enfrentados no ano passado para tentar retomar o caminho do crescimento do Brasil são os mesmos de agora. Não há fórmula mágica: é preciso resolver o nosso problema fiscal/político. Otimista, Goldfajn acredita que a inflação no país já possui as condições necessárias para ceder ainda neste ano e aposta em uma recuperação do Brasil em 2017.

Pergunta. O ano que passou foi de péssimas notícias para a economia brasileira. Quais são as perspectivas para 2016?

R. Não é um momento de certezas já que o Brasil está no meio de uma recessão, que tem obviamente causas internas, mas também efeitos externos de uma crise internacional razoável. Todos estão sofrendo uma crise, mas o Brasil está enfrentando uma crise dupla. Para este ano, a estimativa é que a queda do PIB (Produto Interno Bruto) chegue no mesmo patamar do ano passado, uma retração em torno de 4%. Será a pior recessão desde que temos conhecimento dos dados econômicos, é uma queda bem importante.

Pergunta. O Itaú-Unibanco chegou a falar em uma queda de 5%, o que assustou o mercado, mas depois o dado foi revisado...

R. Na verdade, sempre trabalhamos com a projeção de menos 4%, mas fazemos simulações de retração de 2,5% a 5%. Porém, o que esperamos mesmo é a queda de 4%.

Pergunta. Qual o tamanho do impacto dos fatores externos para a nossa debilitada economia? De que maneira a desaceleração da economia chinesa pode prejudicar ainda mais o país?

R. A desaceleração do mundo, a queda dos valores das commodities, o crescimento baixo já estão acontecendo e, hoje, o Brasil precisa se ajustar a uma renda menor e a uma venda menor. Depois dos ciclos de alta, agora veio a queda. A situação da China claramente piora o quadro: é ruim para todo mundo, mas tem um efeito maior para o Brasil que está mais vulnerável.

Pergunta. Nos últimos dias estamos vendo sinais de fraqueza da economia mundial e volatilidade no sistema financeiro na Europa. Acredita na reedição da crise de 2008?

R. Acho que há um exagero do mercado, no final, vamos ver que os mercados vão se acalmar. Há um nervosismo de não saber o quanto os países irão crescer, o que acontecerá com o Brasil. Estou vendo mercados com dificuldades em vários lugares, no entanto, não vejo nenhuma evidência que suporte esse nervosismo todo.

Pergunta. Para 2007, o banco já projeta uma leve recuperação de crescimento de 0,7%. O que precisa ser feito para alcançar essa retomada?

R. O principal é resolver o nosso problema fiscal/político. Temos uma questão fiscal, nossa dívida não para de subir. Isso tudo em um ambiente político que não apoia as medidas necessárias para resolver esse problema fiscal. A saída é conseguir resolver essas medidas. Isso fará com que o índice de confiança se recupere, que os investidores deixem de cortar investimentos e que os consumidores parem de frear os gastos. A aversão ao risco fiscal precisa ser eliminada. Uma vez que você faz isso, os juros começam a cair, favorecendo a retomada econômica.

Matéria baseada em publicação do jornal El País. Para acessar na íntegra, clique no link abaixo:

http://brasil.elpais.com/brasil/2016/02/11/economia/1455229208_804158.html



Tags: banco, bilhões, dinheiro, monetário, mudança, taxas

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