Jornal do Brasil

Domingo, 26 de Outubro de 2014

Economia

Taxa Selic é mantida em 11% pelo Copom

Mercado financeiro estima que taxa só volte a subir no ano que vem

Jornal do Brasil

O Comitê de Política Monetária (Copom) decidiu por unanimidade, em reunião nesta quarta-feira (3), manter a taxa básica de juros, Selic, em 11,00% ao ano, para os próximos 45 dias. O mercado financeiro já esperava pela decisão, e estima que a taxa só volte a subir em 2015, para fechar o ano com uma taxa de 11,75% ao ano.

A explicação é que as elevações anteriores foram suficientes para gerar os efeitos esperados na economia. O BC tem reiterado que os efeitos de alta da taxa básica se acumulam e levam tempo para aparecer.

Para Benjamin Steinbruch, presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), a manutenção da taxa  em 11% coloca em risco a situação financeira de empresas e trabalhadores. "A divulgação dos resultados do PIB no segundo trimestre confirmou o que todos já sabiam: a economia brasileira encontra-se em recessão.  O caso da indústria de transformação é ainda pior, pois a queda do segundo trimestre foi a quarta consecutiva. Os investimentos também mostraram a mesma dinâmica."

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"Por causa do cenário desenhado pelos números do PIB, somado à contínua deterioração da confiança das empresas e dos consumidores, esperávamos um corte na taxa básica de juros, que infelizmente não ocorreu, mantendo o Brasil com a taxa mais elevada do mundo", afirma Steinbruch.

O presidente da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), Rogério Amato, comenta a decisão do Copom desta quarta-feira (03/09/14), sobre a taxa básica de juros/Selic. "A decisão do Copom de manter inalterada a Selic não surpreendeu, mas acreditamos que haveria espaço para uma redução moderada da taxa, considerando o baixo nível das atividades econômicas, que não apresentam perspectivas de melhora no curto prazo. O Banco Central, no entanto, parece mais preocupado com a inflação - que efetivamente continua elevada - do que com o crescimento da economia". 

Para Amato, as medidas macro-prudenciais adotadas recentemente pelo BC ainda não surtiram efeitos, "pelo que se espera que o Copom, em sua próxima reunião, reduza as taxas de juros para estimular a economia". Rogério Amato também é presidente da Facesp (Federação das Associações Comerciais do Estado de São Paulo) e presidente-interino da CACB (Confederação das Associações Comerciais e Empresariais do Brasil). 

Ontem (2), no primeiro dia da reunião do Copom, chefes de departamento do BC apresentaram uma análise da conjuntura nacional, com dados sobre a inflação, o nível de atividade econômica, as finanças públicas, a economia internacional, o câmbio, as reservas internacionais, o mercado monetário, entre outros assuntos.

Hoje à tarde, na segunda parte da reunião, estiveram presentes os diretores e o presidente do BC, Alexandre Tombini. O chefe do Departamento de Estudos e Pesquisas também participou, mas sem direito a voto. Após análise da perspectiva para a inflação e das alternativas para definir a Selic, os diretores e o presidente definiram a taxa. 

Neste ano, a Selic subiu em janeiro, fevereiro e abril, quando foi ajustada de 10,75% ao ano para 11% ao ano. Nas reuniões de maio e julho, a Selic foi mantida no atual patamar. O Copom realiza oito reuniões por ano, ainda faltam duas, em outubro e dezembro.

A Selic é usada como instrumento para influenciar a atividade econômica e, consequentemente, a inflação. Quando o Copom do Banco Central aumenta a Selic, o objetivo é conter a demanda aquecida, e isso gera reflexos nos preços, porque os juros mais altos encarecem o crédito e estimulam a poupança. Já quando o Copom reduz os juros básicos, a tendência é que o crédito fique mais barato, com incentivo à produção e ao consumo, mas a medida pode aliviar o controle sobre a inflação.

O BC tem que encontrar equilíbrio ao tomar decisões sobre a taxa de juros, de modo a fazer com que a inflação fique dentro da meta estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional. O centro da meta é 4,5%, com limite superior de 6,5%. A expectativa de instituições financeiras é que a inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) fique em 6,27%, este ano.

Votaram por essa decisão os seguintes membros do Comitê: Alexandre Antonio Tombini (Presidente), Aldo Luiz Mendes, Altamir Lopes, Anthero de Moraes Meirelles, Carlos Hamilton Vasconcelos Araújo, Luiz Awazu Pereira da Silva, Luiz Edson Feltrim e Sidnei Corrêa Marques.

* Com informações da Agência Brasil

Tags: Juros, mercado, reunião, selic, taxa

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