Jornal do Brasil

Sexta-feira, 24 de Outubro de 2014

Economia

Crise na indústria automobilística afeta trabalhadores em Resende

Na Peugeot, 622 funcionários entram no PDV e MAN suspende 100 trabalhadores

Jornal do Brasil

Os trabalhadores da indústria automobilística de Resende, na região Sul fluminense, sentem os efeitos da crise nacional. De três montadoras presentes na região, uma, a PSA Peugeot-Citroën, lançou Programa de Demissão Voluntária, aderido por 622 funcionários, e a MAN suspendeu o contrato de cerca de cem colaboradores, até dezembro. No período, eles participam de um curso de qualificação profissional. A Peugeot havia provocado o mesmo afastamento no início do ano, só que as pessoas não teriam voltado ao trabalho. Foram 650 trabalhadores com contrato suspenso.

De acordo com dados da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores, (Anfavea), em julho deste ano, foram comercializados 294,8 mil autoveículos no país. O número é 11,8% maior do que o registrado em junho, mas 13,9% inferior ao valor do mesmo período de 2013. No acumulado do ano, o declínio é de 8,6%. A produção dos primeiros sete meses, de 1,82 milhão de veículos, está 17,4% abaixo das 2,20 milhões do mesmo período do ano passado. Já no comparativo mensal a produção fechou julho com retração de 20,5% – 317,9 mil unidades foram fabricadas em julho de 2013.

O Sindicato dos Metalúrgicos do Sul Fluminense avalia a situação como o resultado de uma crise nacional, que consequentemente reflete na Região Sul fluminense. Sobre a PSA, o sindicato informa que, no final do mês de maio, o grupo aderiu ao Programa de Demissão Voluntária (PDV), que teve adesão de 622 trabalhadores da unidade de Porto Real.

"O grupo francês, depois da exigência do Sindicato dos Metalúrgicos do Sul Fluminense, deu uma compensação financeira para quem aderiu ao PDV. Entre outros, está o pagamento de um salário por cada ano trabalhado. Exemplo: um operário que estava na empresa há dez anos com um salário de R$ 2 mil, receberá equivalente a dez salários (R$ 20 mil), além dos direitos trabalhistas. O valor mínimo da compensação foi de R$ 4.050", informa nota.

A Peugeot, continua o sindicato, também pagou R$ 250 por membro da família do trabalhador para que ele contrate um plano de saúde por seis meses. O operário casado e com dois filhos, por exemplo, recebeu R$ 1 mil no período de seis meses (R$ 6 mil). A empresa também teria disponibilizado um curso de empreendedorismo para os empregadose ajuda para formatação de currículos e encaminhamento às empresas.

“Quando se instalou em Porto Real, o grupo PSA acreditava atingir 9% domercado brasileiro, o que não ocorreu. Hoje a PSA Peugeot-Citröen tem entre 4% a 5% do mercado nacional. Isso se deve porque a empresa não produz carros populares”, afirma Renato Soares, presidente do Sindicato.

A MAN Latin America, por sua vez, informou ao JB por meio de assessoria que sua fábrica e as empresas do Consórcio Modular fecharam um acordo de trabalho com o Sindicato dos Metalúrgicos do Sul Fluminense, com o objetivo de suspender o contrato de trabalho de cerca de cem colaboradores do seu parque industrial, a partir de 4 de agosto, por um período de cinco meses e, com isso, "evitar demissões".

Os colaboradores com o contrato de trabalho suspenso passarão  por curso de qualificação profissional no período do afastamento das suas atividades normais. Nesse período as empresas vão complementar o benefício concedido pelo Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) para garantir que os colaboradores mantenham o rendimento, de acordo com seu salário líquido mensal.

O motivo desse acordo é a adequação do volume de produção à fraca demanda dos mercados doméstico e internacional.

A Volkswagen também afastou 189 trabalhadores de uma terceirizada na região, por cinco meses, segundo o sindicato.

O JB não conseguiu contato com a assessoria de imprensa da Peugeot. A Nissan, que se instalou recentemente em Resende e só trabalha com um turno, informou por intermédio de sua assessoria de imprensa que ainda não considera realizar demissões ou programas de afastamento. 

Tags: Demissões, efeitos, industria, Produção, resende, Rio de Janeiro

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