Jornal do Brasil

Quarta-feira, 22 de Outubro de 2014

Economia

FMI defende aumento de salários na Alemanha para retomada europeia

Desempenho dos países no segundo trimestre gerou temor de retorno à recessão

Jornal do Brasil

A diretora do FMI, Christine Lagarde, defendeu em entrevista divulgada nesta segunda-feira (25) que a Alemanha eleve seus salários, em uma tentativa de impulsionar a economia europeia. Segundo a dirigente, o país teria os meios para ajudar na retomada, e é importante que ele participe "de uma forma intensa" deste movimento.

A Alemanha tem sido apontada por outros países europeus como responsável pelo ritmo lento da recuperação econômica do bloco. Arnaud Montebourg, ministro da economia francês, chegou a dizer no último sábado ao Le Monde que o país de Merkel está preso "a uma política de austeridade e impõe-na em toda a Europa". 

>> Austeridade alemã gera círculo vicioso na Europa, diz artigo em jornal inglês

Para Lagarde, a Alemanha demonstrou em recente negociação salarial que tem "margem de manobra" para discutir a questão e contribuir, desta forma, para a "trabalhosa" retomada econômica europeia. O jornal português Dinheiro Vivo recorda em reportagem nesta segunda-feira que na semana passada o presidente do Bundesbank, banco central alemão, Jens Weidmann, ressaltou a possibilidade de um acréscimo de até 3% nos salários, já que o país estaria praticamente em uma situação de pleno emprego. A chanceler Angela Merkel, no entanto, tem defendido justamente um caminho de salários baixos, que teria sido o motivo de um aumento da competitividade no país.

Lagarde acredita que Alemanha precisa participar "de forma intensa" de uma recuperação europeia
Lagarde acredita que Alemanha precisa participar "de forma intensa" de uma recuperação europeia

A Alemanha surpreendeu o mundo e resgatou um medo de retorno à recessão com a divulgação de seu desempenho. Teve uma queda de 0,2% no PIB do segundo trimestre deste ano, em comparação com o trimestre anterior, devido à incerta recuperação da Zona do Euro e à crise da Ucrânia. O impacto foi sentido no comércio exterior - as exportações cresceram menos que as importações, fato incomum no país - e nos investimentos, que tiveram uma redução drástica.

A França, principal economia do bloco europeu ao lado da Alemanha, teve uma variação nula no PIB do segundo trimestre. Os dois países influenciaram a variação também nula da Zona do Euro, abaixo da expectativa de 0,2% do mercado. A Itália, terceira economia do bloco, também registrou contração de 0,2% entre abril e junho. 

A Espanha, quarta economia e uma das mais afetadas pela crise, teve um desempenho positivo, de 0,6%, mas especialistas desconfiam da continuidade na recuperação. Antes das tensões com a Rússia pela crise na Ucrânia, os analistas apostavam em uma recuperação europeia no período.

Tags: Europa, FMI, lagarde, neoliberalismo, recessão

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