Jornal do Brasil

Quarta-feira, 22 de Outubro de 2014

Economia

Rosenberg Associados analisa semana no cenário político e econômico

Jornal do Brasil

A Rosenberg Associados - premiada em maio no Ranking Broadcast Projeções 2013, pelo jornal Estado de S. Paulo, como empresa  que conseguiu fazer as previsões mais acertadas sobre a economia - divulgou nesta segunda-feira (4) seu balanço semanal, destacando os últimos sete dias na economia e na política.

Veja o balanço:

>> Comentário político

Semana deplorável para todos os candidatos. Dilma levou o Santander a demitir uma jovem economista que disse o óbvio: o “mercado” abomina a Presidenta. A reação de Dilma é rota segura para afastá-la  ainda mais da classe empresarial. Como se não bastasse, o Itamaraty (certamente indignado com o massacre de civis em Gaza) pisou nos tomates, em nota criticando duramente a violência israelense, mas omitindo qualquer censura aos foguetes do Hamas que caem sobre áreas residenciais de Israel. Resultado: os judeus brasileiros, ao constatarem a ameaça petista à sobrevivência de Israel, vão procurar atrapalhar a reeleição com todo fervor.

Felizmente para ela, Aécio não prosperou. Nos debates, sempre passa uma sensação de que seu apetite pelo cargo é menor do que pelos encantos do Rio. E o aeroporto asfaltado com recursos do seu governo, mas fechado e as chaves na mão  do seu tio abalaram a imagem de politico moderno e ético que sua campanha procura criar. Nada de catastrófico, mas um passo atrás numa marcha que se mostrava animadora.

Quanto à Campos, nada de novo. E esta é a má notícia, pois continua sendo um grande desconhecido do eleitorado, apesar do excelente trabalho que desenvolve nas redes sociais.

Claro, tudo aperitivo para a grande batalha que está por vir, a ser travada no horário gratuito  e nos debates com todos presentes. Como pano de fundo, a denúncia da Veja de que a CPI da Petrobras teria sido mero teatro, com perguntas ensaiadas e compadrio entre questionador e questionado. A Oposição fará de tudo para que o tema renda ao longo desta semana.

>> Economia brasileira

Sempre o alçapão

“O pessimista afirma que já atingimos o fundo do poço, o otimista acha que dá pra cair mais.” 

Woody Allen

As decepções com as contas públicas não têm fim.

O governo consolidado registrou, em junho, déficit primário de R$ 2,1 bilhões. É a primeira vez, na série histórica, em que se registrou déficit nesta rubrica, em meses de junho. Com isso, o resultado primário acumulado no ano até junho, de R$ 29,4 bilhões, cumpre apenas 30% da meta estipulada no decreto de contingenciamento de R$ 99 bilhões (1,9% do PIB) para 2014. Entretanto, segundo nossas estimativas, que incluem a sazonalidade, para uma trajetória confortável para o cumprimento da meta estipulada pelo Governo, o resultado primário do Governo Consolidado nesta primeira metade do ano deveria estar ao redor de R$ 68 bilhões, mais do que o dobro do realizado até agora.

Este tétrico desempenho é resultado de uma combinação perversa entre receitas cadentes e despesas crescentes. Do lado das receitas, pesam as desonerações (folha de pagamentos, IPI de automóveis, etc.) e a forte desaceleração da economia. As despesas, por sua vez, continuam crescendo no mesmo ritmo de sempre. E isso, note, porque várias despesas foram postergadas – como os pagamentos de precatórios, os recursos para ressarcimento das elétricas, etc. Ou seja, não parece haver luz no fim do túnel do fiscal e, mesmo contando com as receitas extraordinárias – Refis, leilão do 4G – é cada dia mais um ato heroico crer num primário de 1,9% do PIB. Nossa estimativa de 1,5% do PIB ainda é possível, mediante ginástica criativa, mas o viés é de baixa.

Reprodução
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Para piorar, basta lembrar que essa receita cadente é reflexo da atividade dos primeiros cinco meses do ano, especialmente abril-maio. E, os dados de crédito e de indústria, relativos a junho, apontam que a situação só tende a se agravar nos próximos meses.

Quanto ao crédito, o saldo real do crédito com recursos livres está caindo, quando comparado ao do mesmo mês do ano anterior, tanto para pessoa física como para pessoa jurídica. Isso explica o mau-humor do consumidor, nos últimos tempos, a despeito da leve melhora da confiança em junho e julho (talvez relacionada à Copa).

Quanto à indústria – ah, a indústria. Furtado deve se remexer na cova a cada nova divulgação dos resultados da indústria. A boa notícia é que a indústria caiu menos que o esperado (-1,4%, contra -2,7%). A má notícia é que não só tivemos um recuo significativo em junho, como a queda total acumulada de fevereiro a maio foi revista de -1,5% para -2%. Quando se adiciona o resultado de junho, a queda acumulada desde fevereiro é de 3,4%. É claro que o mês de junho contou com um calendário excepcional, com feriados, férias coletivas e expedientes reduzidos. Também é sabido que a indústria aproveitou este período de "exceção" para realizar um ajuste de estoques, haja vista à demanda mais contida verificada nos últimos meses e às perspectivas pouco alvissareiras. Assim como, em algumas indústrias, os custos da energia elétrica no mercado spot, que voltaram a subir em junho, pesaram negativamente. Tudo isso apenas indica que poderemos ter alguma "volta à normalidade" em julho, com crescimento na margem pela primeira vez em cinco meses. Mas, é só. Isto é: não se espere um desempenho capaz de reverter significativamente a queda de 2,6% acumulada no ano, apenas suavizá-la.

Apenas para completar o quadro absolutamente aterrador, chamamos a atenção para a produção industrial de insumos típicos para a construção civil. Ao recuar 7,1% em junho frente a maio, ela mostra um novo e impressionante tombo e volta ao patamar de outubro de 2009. No mês, a queda foi de 7,1%; em relação a fevereiro, acumula queda de 13,7%. É provável que, nos próximos meses, tenhamos uma volta ao patamar reinante nos primeiros cinco meses do ano (muito inferior ao de 2011, 2012 e 2013), porém não tão baixo quanto o verificado em junho. Assim esperamos, pois, caso contrário, a situação da construção civil será ainda pior que a inicialmente esperada neste ano de 2014.

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O lado positivo da desaceleração é que, estivesse a atividade a pleno vapor, o racionamento seria favas contadas em 2014. Com a produção em marcha lenta, se ganha tempo para que São Pedro repense o assunto e resolva mandar água para nós. Para 2015, todavia, os riscos de racionamento seguem elevados – tanto de água como de energia elétrica.

Enquanto isso, a queda dos preços das commodities no mercado internacional e o câmbio contido continuam reverberando sobre os IGPs. Nesse contexto, revisamos nossas projeções e esperamos variação de 4,8% neste e no próximo ano. Após forte pressão das commodities agrícolas no começo do ano, sucessivas projeções extremamente positivas para safras de grãos (especialmente soja e milho) têm se refletido nas cotações, derrubando os índices de inflação ao produtor, haja vista ao terceiro mês consecutivo de deflação do IGP-M. Soma-se a isto a aguda queda no preço do minério de ferro, por conta de uma desacelera& ccedil;ão da demanda pelo enorme mercado chinês. Deste modo, exceto por possíveis rupturas climáticas, nota-se tendência de descompressão nos preços internacionais no curto e médio prazo. Não obstante, a depreciação do câmbio, esperada pela reversão das condições monetárias nos EUA, pode amenizar esse efeito - por isso, apesar da revisão para baixo da projeção, ainda mantemos uma expectativa ligeiramente acima do mercado.

Para não dizer que não houve boas notícias na semana passada, a balança comercial registrou superávit de US$ 1,6 bilhão. Aquém da média dos últimos dez anos, porém melhor que o déficit de  US$ 1,9 bilhão de julho do ano passado. Qual a razão da melhora? As exportações avançaram 10,7% em relação ao mesmo mês do ano passado, com forte auxílio da soja. Ao mesmo tempo, houve queda de 5,5% das importações. Dentre essas, a maior contribuição veio das compras de combustíveis e lubrificantes, que recuaram 8,7% em relação a julho/13.

Encerrando com chave de ouro este relatório que aponta o fundo do poço – até que se descubra o próximo alçapão –, temos a péssima sinalização, para o Brasil, do recente esvaziamento da OMC. Isso significa que acordos generalizados de livre comércio é uma realidade cada vez mais distante e será preciso investir em acordos bilaterais, especialmente importantes para países exportadores de commodities. Está se aproximando o momento em que o Brasil precisará rever o posicionamento do Mercosul. Ou do país, dentro do bloco.

E viva o mês do cachorro louco!

>> Economia internacional

Recuperação norte-americana: copo nem meio cheio, nem meio vazio

A robusta expansão do PIB dos Estados Unidos, no segundo trimestre deste ano, pode dar a impressão de que uma forte arrancada tirou a economia do país do atoleiro causado pelo inverno descomunal. Entretanto, a trajetória de recuperação aponta para um caminho mais suave, ainda mais quando se observa o volátil comportamento da rubrica de estoques. No mais, o mercado de trabalho e a inflação têm corroborado as perspectivas de recuperação a passos tímidos dos membros Fomc.

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Na primeira prévia do PIB do segundo trimestre, a economia norte-america cresceu 4% (anualizado e sem efeitos sazonais), além disso, o primeiro trimestre não foi tão severo quanto se previa, encolhendo 2,1% (dos 2,9% registrados anteriormente) – revisões adicionais, e benéficas, também foram feitas nos dois últimos trimestres de 2013.

O destaque positivo se deu através do consumo, com uma elevação acima dos dois dígitos no consumo de bens duráveis – o maior gasto em automóveis e eletrodomésticos responde por tal elevação. Após dois trimestres em queda, o setor imobiliário também apresentou elevação nesta previa do PIB. Por fim, os gastos do Governo surpreenderam positivamente após mais de um ano ao redor de zero, tendo em vista os efeitos do Shutdown no ano passado.

Todavia, vale notar o comportamento dos estoques nesta primeira metade de 2014, que ajudou a aprofundar a queda no primeiro trimestre e a inflar a alta no segundo trimestre. Quando retiramos tal variável do PIB, a queda nos primeiros três meses do ano teria sido de 0,9%, enquanto a alta dos meses seguintes seria de 2,3%, se traduzindo em um movimento de recuperação menos abrupto neste ano.

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Confirmando a recuperação em ritmo moderado da economia norte-americana, o dado de emprego de julho não foi tão robusto quanto o de alguns meses anteriores, mas continua a sinalizar firme recuperação no mercado de trabalho, com sucessivas taxas de acima dos 200 mil postos de trabalho por mês. Enquanto a taxa de inflação permanece abaixo da meta de 2% perseguida pelo Banco Central Americano, com variação interanual de 1,6% em junho.

Deste modo, corrobora-se o conforto no debate acerca da política atual sobre o momento ideal a elevação dos juros pelo Fed, tendo em mente o final do Quantitative Easing programado para o final de outubro. A instituição apoia-se em uma ainda elevada taxa de desemprego e comprimida taxa de ocupação (6,2% e 62,9% respectivamente) e em uma inflação bem comportada para mirar em elevação dos juros apenas na segunda metade de 2015, possivelmente mais ao final do ano.

Tags: análise, brasil, cenário, economia, Mundo

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