Jornal do Brasil

Domingo, 26 de Outubro de 2014

Economia

Medidas do BC reduzem nova revisão na projeção de crescimento do crédito

Agência Brasil

As medidas do Banco Central (BC) que podem levar à expansão de até R$ 45 bilhões nos empréstimos bancários diminuem a possibilidade de nova redução na projeção para o crescimento do crédito. A avaliação é do chefe do Departamento Econômico do BC, Tulio Maciel.

No mês passado, o BC revisou a estimativa para o crescimento do crédito este ano de 13% para 12%. O BC revisa as projeções sobre crédito a cada três meses.

Apesar de considerar a influência das medidas na expansão do crédito, Maciel destacou que as novas regras, anunciadas na sexta-feira (25), têm “carácter predominantemente regulatório”. Maciel acrescentou que o objetivo era melhorar a distribuição de recursos, atendendo a pequenos bancos e empresas, além de dar continuidade ao processo de reversão das medidas de contenção do crédito adotadas em 2010. “É um processo em ambiente de menor risco para o sistema financeiro. Isso permite que essas medidas macroprudências sejam gradualmente revertidas”, disse.

Segundo Maciel, o crescimento do crédito segue com tendência de moderação. Em 2013, a expansão do crédito chegou a 14,7%. Em 12 meses encerrados em junho, o crescimento ficou em 11,8%, com saldo em R$ 2,830 trilhões.

Maciel destacou ainda que essa moderação é “mais nítida” no crédito direcionado (empréstimos com regras definidas pelo governo, destinados, basicamente, aos setores habitacional, rural e de infraestrutura). Em 12 meses encerrados em abril, a expansão do crédito direcionado chegou a 23,2%, caiu para 22,3%, em maio, e para 20,2%, no mês passado. A previsão para este ano é que o crédito direcionado cresça 19%. Segundo Maciel, o menor crescimento é devido à moderação no crédito habitacional e no crédito do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social às empresas.

O crédito com recursos livres (os bancos têm autonomia para aplicar o dinheiro captado no mercado e definir as taxas de juros) também tem ritmo menor de crescimento. Em 2013, a expansão ficou em 7,8% e em 12 meses encerrados em junho caiu para 5,5%.

Uma das modalidades do crédito livre que apresenta ritmo menor de crescimento são os empréstimos para a compra de veículos. Segundo Maciel, houve redução no saldo desses financiamentos pelo quinto mês seguido. “Esse crédito cresceu com maior intensidade em períodos anteriores respondendo a incetivos concedido ao setor. Em 2010, no ápice do crescimento da modalidade, cresceu 49% ao ano. Em 2011, 27% e depois foi moderando”, destacou Maciel.

Segundo Maciel, os consumidores anteciparam as compras para aproveitar redução de imposto e agora, sem os incentivos, há menor procura. “Houve uma antecipação de demanda nesse segmento e isso tem influenciado a evolução do crédito para veículos”, acrescentou.

Tags: banco, brasil, central, crescimento, economia

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