Jornal do Brasil

Sábado, 25 de Outubro de 2014

Economia

Durão Barroso diz "ser absurdo" União Europeia não ter acordo com Brasil

Agência Brasil

Apesar de reconhecer que há resistências de ambos os lados, o presidente da Comissão Europeia, José Manuel Durão Barroso, voltou a defender hoje (21) que a União Europeia e o Brasil tenham um acordo de comércio bilateral, o que depende de uma assinatura com o Mercosul.

"A mim, parece absurdo que a União Europeia tenha acordos de livre comércio com praticamente o mundo inteiro e não com o Brasil. O Brasil é o ponto mais importante do Mercosul", disse.

Durão Barroso afirmou que, como o Brasil, a União Europeia defendeu as negociações multilaterais da Rodada Doha, que, segundo ele, não avançaram porque alguns países, como Estados Unidos e Índia, "não estavam preparados". O bloco, então, partiu para negociações bilaterais e já fechou acordos com Coreia do Sul, países africanos, caribenhos e andinos, além de estar em negociação para um grande acordo com os Estados Unidos. Com o Mercosul, no entanto, ele disse que as negociações estão paradas.

Na avaliação do presidente da Comissão Europeia, o acordo com os norte-americanos não vai prejudicar a economia brasileira. O que pode causar isto, na visão dele, é a demora para fechar um acordo entre europeus e o Mercosul. "Se a União Europeia fechar um acordo com os EUA, abrindo para a carne bovina, por exemplo, que é um assunto importante para a economia brasileira, as importações são limitadas. Se abrirmos para o Canadá, os Estados Unidos e outros, quando formos fechar com o Brasil, pode não haver muito mais o que interessa".

O português afirmou que a relação com o Brasil é importante também para aumentar o comércio também com o Atlântico Sul, e que o país é um parceiro que compartilha de valores do bloco europeu, o que não ocorre com a China, por exemplo. Durão Barroso considerou Pequim um aliado importante inclusive na defesa do euro, mas disse que há pouca intimidade política com os valores de Bruxelas.

Para o líder do bloco, durante a crise, o projeto de integração da União Europeia superou a avaliação dos analistas, que chamou de "cassandras do pessimismo", em referência às videntes da mitologia grega que previam desastres. Segundo ele, o projeto do euro é político, e por isso, ele acreditava que sempre haveria vontade para mantê-lo. "O euro nunca esteve ameaçado. Continua sendo forte e estável. Alguns industriais se queixam de ser demasiadamente forte. Ninguém se queixa de o euro ser fraco". 

Tags: brasil, comissão, europeia, presidente, visita

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