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Economia

Confiança do mercado e do consumidor influencia trajetória de baixa

Boletim Focus reduziu estimativa para o crescimento, pela oitava semana, para 0,97% 

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A trajetória das perspectivas do mercado para o PIB em um ano de eleições e Copa do Mundo segue em queda. Nesta segunda-feira (21), a pesquisa Focus do Banco Central, com as perspectivas de analistas de instituições financeiras, reduziu pela oitava semana seguida a projeção para o crescimento, de 1,05% para 0,97%, o menor patamar desde 2010, quando as estimativas para este ano começaram a ser divulgadas. Economistas reforçam que a confiança de consumidores e empresários tem grande impacto na trajetória de queda. 

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Projeções para o PIB de 2014 seguem trajetória de queda desde o ano passado

Conforme lembra Marcel Balassiano, economista do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre) da FGV, no começo de 2013, a mediana das expectativas estava em 3,8% e foi caindo desde então. No começo deste ano, as expectativas apontavam para um crescimento de 2%. Em junho, já tinham descido para 1,5% e, em julho, 1,1%, até chegar a esse número de 0,97% divulgado nesta segunda.

Roberto Simonard, do Departamento de Economia da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC/Rio), por sua vez, sublinha que as previsões estão em queda há, pelo menos, três anos, e aponta os motivos: "A questão é que a condução da política econômica, com um alto grau de intervencionismo que afasta investimentos e expande a dívida pública, combinada com uma conjuntura internacional de queda dos preços das commodities, que reduz o saldo comercial brasileiro e também traz expectativas negativas para a economia, estão entre as causas principais da redução da atividade econômica no país".

Pedro Rossi, professor do Instituto de Economia da Unicamp, se disse surpreso com a previsão da pesquisa Focus. Para Rossi, as avaliações de mercado, que apontam um crescimento para baixo, influenciaram o resultado. "Esperava uma projeção um pouco melhor da pesquisa Focus, Continuo esperando um PIB acima disso. Talvez essa projeção esteja demasiadamente pessimista". 

Balassiano ressalta que o cenário econômico ruim, com crescimento baixo e inflação alta, entre outros fatores, e queda generalizada da confiança, tanto dos consumidores quanto dos empresários, fazem com que as expectativas se deteriorem cada vez mais. A queda da confiança dos agentes, inclusive, é apontada por ele como um dos principais motivos. 

"Queda dos índices de confiança empresariais tem sido bastante disseminada entre os setores", destaca Balassiano

O Índice de Confiança do Consumidor calculado pela FGV teve a oitava queda trimestral consecutiva, de 3,2%, no segundo trimestre, em relação ao mesmo período do ano anterior. Já o índice de confiança empresarial calculado pela entidade caiu 6,8% no segundo trimestre. "E essa queda dos índices de confiança empresariais tem sido bastante disseminada entre os setores", aponta Balassiano.

O economista diz que a chamada "nova matriz econômica" resultou em crescimento baixo, inflação alta, déficit em transações correntes e política fiscal associada a "contabilidade criativa". Ele afirma ainda que o país ainda enfrenta problemas tanto conjunturais quanto estruturais. "O Custo Brasil, e problemas como alta carga tributária, dificuldade para se abrir um negócio, altos custos trabalhistas, burocracia excessiva, também dificultam o investimento, atravancando a economia como um todo".

As previsões do Ibre/FGV para o crescimento do PIB em 2014 estão entre 1,0% e 1,2%, contra a projeção anterior entre 1,2% e 1,6%.    

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Jornal do Brasil vem alertando para a queda significativa do crescimento do PIB em 2014, principalmente devido à Copa do Mundo e eleições. No início de junho, a divulgação do acréscimo de apenas 0,2% do PIB no primeiro trimestre, aliado à queda de 0,8% da indústria, retração do consumo das famílias em 0,1% e queda de 2,1% nos investimentos, entre outros dados, gerou expectativas pessimistas, com analistas reforçando as chances do PIB ficar negativo em dois trimestres seguidos - devido a resultado negativo no terceiro trimestre ou no primeiro, após uma revisão de seu desempenho, com o índice negativo do segundo trimestre já quase dado como certo.



Tags: economia brasileira, focus, pib, projeções, queda

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