Jornal do Brasil

Sábado, 25 de Outubro de 2014

Economia

Confiança do mercado e do consumidor influencia trajetória de baixa

Boletim Focus reduziu estimativa para o crescimento, pela oitava semana, para 0,97% 

Jornal do Brasil

A trajetória das perspectivas do mercado para o PIB em um ano de eleições e Copa do Mundo segue em queda. Nesta segunda-feira (21), a pesquisa Focus do Banco Central, com as perspectivas de analistas de instituições financeiras, reduziu pela oitava semana seguida a projeção para o crescimento, de 1,05% para 0,97%, o menor patamar desde 2010, quando as estimativas para este ano começaram a ser divulgadas. Economistas reforçam que a confiança de consumidores e empresários tem grande impacto na trajetória de queda. 

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Projeções para o PIB de 2014 seguem trajetória de queda desde o ano passado
Projeções para o PIB de 2014 seguem trajetória de queda desde o ano passado

Conforme lembra Marcel Balassiano, economista do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre) da FGV, no começo de 2013, a mediana das expectativas estava em 3,8% e foi caindo desde então. No começo deste ano, as expectativas apontavam para um crescimento de 2%. Em junho, já tinham descido para 1,5% e, em julho, 1,1%, até chegar a esse número de 0,97% divulgado nesta segunda.

Roberto Simonard, do Departamento de Economia da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC/Rio), por sua vez, sublinha que as previsões estão em queda há, pelo menos, três anos, e aponta os motivos: "A questão é que a condução da política econômica, com um alto grau de intervencionismo que afasta investimentos e expande a dívida pública, combinada com uma conjuntura internacional de queda dos preços das commodities, que reduz o saldo comercial brasileiro e também traz expectativas negativas para a economia, estão entre as causas principais da redução da atividade econômica no país".

Pedro Rossi, professor do Instituto de Economia da Unicamp, se disse surpreso com a previsão da pesquisa Focus. Para Rossi, as avaliações de mercado, que apontam um crescimento para baixo, influenciaram o resultado. "Esperava uma projeção um pouco melhor da pesquisa Focus, Continuo esperando um PIB acima disso. Talvez essa projeção esteja demasiadamente pessimista". 

Balassiano ressalta que o cenário econômico ruim, com crescimento baixo e inflação alta, entre outros fatores, e queda generalizada da confiança, tanto dos consumidores quanto dos empresários, fazem com que as expectativas se deteriorem cada vez mais. A queda da confiança dos agentes, inclusive, é apontada por ele como um dos principais motivos. 

"Queda dos índices de confiança empresariais tem sido bastante disseminada entre os setores", destaca Balassiano
"Queda dos índices de confiança empresariais tem sido bastante disseminada entre os setores", destaca Balassiano

O Índice de Confiança do Consumidor calculado pela FGV teve a oitava queda trimestral consecutiva, de 3,2%, no segundo trimestre, em relação ao mesmo período do ano anterior. Já o índice de confiança empresarial calculado pela entidade caiu 6,8% no segundo trimestre. "E essa queda dos índices de confiança empresariais tem sido bastante disseminada entre os setores", aponta Balassiano.

O economista diz que a chamada "nova matriz econômica" resultou em crescimento baixo, inflação alta, déficit em transações correntes e política fiscal associada a "contabilidade criativa". Ele afirma ainda que o país ainda enfrenta problemas tanto conjunturais quanto estruturais. "O Custo Brasil, e problemas como alta carga tributária, dificuldade para se abrir um negócio, altos custos trabalhistas, burocracia excessiva, também dificultam o investimento, atravancando a economia como um todo".

As previsões do Ibre/FGV para o crescimento do PIB em 2014 estão entre 1,0% e 1,2%, contra a projeção anterior entre 1,2% e 1,6%.    

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Jornal do Brasil vem alertando para a queda significativa do crescimento do PIB em 2014, principalmente devido à Copa do Mundo e eleições. No início de junho, a divulgação do acréscimo de apenas 0,2% do PIB no primeiro trimestre, aliado à queda de 0,8% da indústria, retração do consumo das famílias em 0,1% e queda de 2,1% nos investimentos, entre outros dados, gerou expectativas pessimistas, com analistas reforçando as chances do PIB ficar negativo em dois trimestres seguidos - devido a resultado negativo no terceiro trimestre ou no primeiro, após uma revisão de seu desempenho, com o índice negativo do segundo trimestre já quase dado como certo.

Tags: economia brasileira, Focus, PIB, projeções, queda

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