Jornal do Brasil

Domingo, 23 de Novembro de 2014

Economia

Brics: especialistas defendem novo banco para combater 'assimetria' econômica

Jornal do BrasilLouise Rodrigues

Acontece nesta terça-feira (14), em Fortaleza (CE), a 6ª cúpula do Brics. A expectativa é que sejam assinados os acordos de criação do Novo Banco de Desenvolvimento dos Brics e o Acordo Contingente de Reserva, importantes mecanismos para a integração entre Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul. 

Uma das grandes polêmicas em torno da criação do Banco é o investimento, uma vez que a ideia é que seja criada uma instituição financeira conservadora e sustentável. Do capital total ( US$ 50 bilhões ), 20% será investido em dinheiro, com parcelas de dois bilhões de dólares para cada um dos sócios. Assim, em um primeiro momento, o Banco emprestará capital apenas para os governos dos países do Brics. 

Para o economista e professor da Unicamp, Pedro Rossi, a “iniciativa dos bancos marca um tipo de relação norte-sul que não existia antes. É um marco geopolítico importante. Por enquanto, se restringe mais aos países com menos capital. Ou seja, o Brasil ganharia mais em poder político com essa iniciativa. A criação do Banco é um canal de influência do Brics nos países em desenvolvimento. É uma grande vantagem para o futuro.  A dificuldade maior é reconhecer uma igualdade porque os países vão investir quantias diferentes nesse projeto, mas me parece que isso será solucionado. Essa equiparação também, por um lado é boa. Por outro, pode limitar a capacidade de financiar o banco porque a China pode investir uma quantia que a África do Sul não pode”.

O professor de economia da Unicamp Antonio Carlos Macedo e Silva explica que "economistas desenvolvimentistas defendem, desde os anos 1940, a ideia de que iniciativas de integração entre países em desenvolvimento podem dar importante contribuição ao processo de desenvolvimento. Mais recentemente, essa ideia, que inicialmente foi proposta tendo em vista o comércio, foi estendida ao âmbito das finanças. O tema foi já foi explorado em vários documentos da UNCTAD (Conferência das Nações Unidas para o Comércio e o Desenvolvimento)".

Antonio Carlos acredita que "os dois mecanismos [Novo Banco de Desenvolvimento e Acordo Contingente de Reserva] são uma resposta às assimetrias do sistema financeiro internacional, que dá às economias desenvolvidas um poder decisório que já não corresponde a seu peso na economia internacional e que sempre pune os países deficitários, como se o déficit sempre tivesse origem em políticas expansionistas - quando pode igualmente se dever a políticas contracionistas adotadas nos países superavitários. O Banco de Investimento pode contribuir para acelerar o investimento em infraestrutura e o Acordo de Reservas pode ensejar a criação de mecanismos que enfrentem os desequilíbrios do balanço de pagamentos de forma mais equilibrada".

Sobre as expectativas para a economia que será definida a partir da reunião, Antônio Carlos diz: "Espero que os negociadores consigam definir formas de governança que não reproduzam as assimetrias de legitimidade duvidosa que caracterizam FMI e Banco Mundial, e que adotem normas de operação que, sem deixar de levar em consideração a existência dessas instituições, abram espaço para a adoção de políticas responsáveis e eficazes, mas voltadas para a preservação do crescimento e atentas aos custos sociais dos processos de ajustamento, portanto diferentes daquelas que marcaram a frustrante atuação do FMI na maior parte da sua história". 

Tags: brasil, Brics, desafios, economia, Fortaleza, Metas, propostas

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